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Presidente do Irão cancela entrevista com jornalista que recusa usar hijab em NY— Múltiplas mortes no país revoltado com morte de Mahsa 23 Setembro 2022

Quinta-feira 22 é o sexto dia dos protestos pela morte de Mahsa de 22 anos e a onda de revolta em várias cidades iranianas causou já pelo menos dezassete mortes. Em Nova Iorque a participar na AG das Nações Unidas, o presidente iraniano tem na agenda uma entrevista na CNN, com a jornalista Christiane Amanpour. Mas perante a recusa dela em usar o lenço islâmico durante o encontro segue-se o seu cancelamento.

Presidente do Irão cancela entrevista com jornalista que recusa usar hijab em NY— Múltiplas mortes no país revoltado com morte de Mahsa

O incidente mediático com o presidente iraniano em Nova Iorque — com a jornalista britânico-iraniana a afirmar que só usa o hijab em países islâmicos — acontece ao sexto dia da revolta iraniana em torno do hijab. Este é o termo arábico mais popular no ocidente para referir-se ao lenço islâmico, que as mulheres usam para cobrir os cabelos e o pescoço, com o rosto à mostra.

Desde sábado 17 que o hijab está nos noticiários mundiais, com vídeos a circular na webesfera que mostram o enterro da jovem Mahsa. A mais recente vítima patente da misoginia do regime iraniano foi submetida a uma indesejada "instrução sobre o uso do lenço islâmico" que lhe tirou a vida na sexta-feira, 16.

Mahsa de 22 anos (foto ao centro). A jovem em passeio com o irmão, na terça-feira 13, foi detida pela Polícia Moral de Teerão. O irmão protestou e os polícias da moralidade disseram-lhe que a detenção seria por uma hora. Não foi: depois de entrar no veículo da polícia (autocarro na foto em baixo, à d.ta), a jovem nunca mais foi vista. O pai contou que lhe recusaram a entrada no autocarro e que depois a polícia informou a família que Mahsa tinha tido um ataque cardíaco e estava em coma no hospital.

Mahsa morreu três dias depois. A família Amini residente no noroeste do Irão — e que nessa semana chegara a Teerão para passear — recusa a causa da morte declarada na certidão de óbito. "Ela era uma jovem saudável, nunca teve problema nenhum, muito menos cardíaco", diz o pai. Acredita que a filha foi espancada pela polícia da moralidade e que disso resultou a sua morte, pois "alguém viu" a jovem a receber "uma pancada na cabeça à entrada do autocarro".

A morte de Mahsa indica que a repressão das mulheres conduzida pelo regime iraniano continua e que se intensificou nos últimos meses. A polícia moral pode deter qualquer mulher — basta um fio de cabelo à vista — e fazê-la entrar no autocarro da "instrução do código vestimentário", sobre como uma mulher deve tapar a cabeça para não deixar os cabelos à mostra.

Gás lacrimogéneo no funeral de Mahsa Amini

O funeral este sábado teve larga participação de mulheres da cidade curda, que em protesto tiraram o hijab, cortaram mechas de cabelo.

Os vídeos a circular na internet, e cuja factualidade a BBC confirma, mostram que durante o enterro em Saqez, província do Curdistão, terra natal de Mahsa Amini, ocorreram atos de protesto a envolver milhares de pessoas, Veem-se mulheres a tirar o hijab, a cortar mechas de cabelo entre gritos de "Morte aos ditadores".

Veem-se confrontos com a polícia que não só recorreu ao gás lacrimogéneo, mas segundo a BBC chegou a disparar contra os manifestantes durante o funeral.

Desde sábado que os protestos se alastraram a várias cidades iranianas e já se registam pelo menos dezassete mortes. As Nações Unidas no mesmo dia interpelaram o regime iraniano sobre este mais recente episódio de violação dos direitos humanos.

Fontes: BBC /DW.de/Euronews/Al-Jazeera/... Relacionado: Alemanha: Impedem de votar eleitora com lenço islâmico ’hijab’, 28.set.021; França 2022: Le Pen a crescer propõe combater ’islão radical’ — "Vamos proibir o ’hijab’ em todo o espaço público", 08.fev.021; Casal iraniano condenado a 16 anos de prisão — Crimes: ele é feminista, ela está no Instagram sem véu, 22.mai.021. Fotos: Presidente Ebahim Raisi, jornalista Christiane Amanpour. Protestos pela morte da jovem Mahsa Amini começaram durante o funeral na terra-natal no sábado, alastraram-se por várias cidades iranianas e já se registam pelo menos dezassete mortes.

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