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Manifestação de trabalhadores em Santiago: Populares impedidos de entrar no pátio da Assembleia Nacional 14 Janeiro 2020

Os sindicados da ilha de Santiago (SINDEP, SISCAP e STIF) da família da UNTC-CS saíram às ruas da Capital, esta segunda-feira, 13 - Dia da liberdade e da democracia, para exigirem do Governo o ajuste salarial desde 2011, o equilíbrio do poder de compra, a diminuição de impostos, a criação de empregos, entre outras exigências, para que os trabalhadores e famílias cabo-verdianas possam viver com dignidade. Os sindicalistas denunciam, no entanto, o fato de as autoridades terem impedido os populares de entrarem no pátio da Assembleia Nacional, onde estava a decorrer a sessão solene alusiva ao 13 de Janeiro, apesar da autorização antes concedida.

 Manifestação de trabalhadores em Santiago: Populares impedidos de entrar no pátio da Assembleia Nacional

Mais de 400 pessoas participaram na manifestação organizada, hoje, pelos sindicatos da maior ilha de Cabo Verde para exigirem do Governo a resolução dos vários problemas que afetam a vida laboral dos trabalhadores cabo-verdianos. “Abuso do poder,intimidação, perseguição, discriminação, baixo salário dos trabalhadores, famílias com fraco poder de compra”, foram, entre outras, palavras de ordem exibidas nos cartazes e dísticos transportados pelos manifestantes, que percorreram do Centro Social 1º de Maio, na Fazenda, até se concentrarem à entrada da Assembleia Nacional - Largo de Pão Quente.

É que, segundo o porta-voz Aníbal Borges que falou para os presentes no local, foram impedidos pela Polícia Nacional de se aproximarem tanto do Palácio do Governo como da Assembleia Nacional. Fundamenta-se, conforme a lei vigente, que quando assim é, os manifestantes devem permanecer a uma distância de 100 metros dos Órgãos de Soberania e das Embaixadas sediadas no país. A medida visou, segundo as autoridades, evitar o que aconteceu com a manifestação em homenagem ao estudante Giovani Rodrigues morto por espancamento em 21 de Dezembro em Portugal, em que se invadiu a Assembleia Nacional e tentou-se entrar na Embaixada de Portugal, que fica no mesmo sítio. Mesmo assim, o dirigente Aníbal Borges considerou que era desnecessária tal impedimento, já que os sindicatos tinha autorização para o efeito.

Para o presidente do STIF, esta manifestação pacífica ocorreu em todas as ilhas do país, com excepção feita à ilha Brava, reunindo mais de cinco mil pessoas a nível nacional. “O que estamos a exigir é a reposição do poder de compra dos trabalhadores - há um congelamento salarial desde 2011. Este ano houve apenas um aumento salarial de apenas 2,2% para 1.800 trabalhadores, num universo de 20 mil. Por isso, consideramos que o Governo não está cumprir a sua promessa para com os cabo-verdianos. Actualização salarial anual não foi cumprida e a redução da participação do INPS também não foi cumprida. Verificamos ainda uma elevada taxa de desemprego, sobretudo na camada jovem, e a morosidade da justiça laboral, que tem prejudicado os trabalhadores cabo-verdianos”, destaca Borges, que pediu um minuto de silêncio em memória das três crianças mortas por incêndio em São Vicente, ao jovem estudante Giovani morto por espancamento em Portugal e aos vários trabalhadores desempregados e famílias que vivem em condições difíceis ou sub-humanas em Cabo Verde.

Continuidade da luta contra vulnerabilidade das famílias

Já o presidente do SISCAP, Eliseu Tavares que esteve a coordenar a comissão nacional da manifestação nacional de 13 de Janeiro, mostra-se preocupado com a vulnerabilidade por que passam as famílias cabo-verdianas. Por isso, exige que o Governo faça um reajuste salarial em iguais circunstâncias para todos os trabalhadores cabo-verdianos, independentemente da sua categoria sócio-profissional.

Questionado sobre o número de participantes na manifestação, Eliseu Tavares afirma que, infelizmente, muitas preferiram participar na corrida da liberdade - sua organização falou em 10 mil inscritos-, dificultando assim a presença de maior número de manifestantes. “Talvez, com a intenção de receber os chapéus, as camisolas e outros objetos com logotipo da CV Móvel, muitas pessoas sentiram-se obrigadas a participar na corrida da liberdade. Isto demonstra a pobreza espiritual e material por parte de certos cidadãos, mas que, por estarmos num Estado de Direito Democrático, respeitamos a sua decisão”, conclui aquele dirigente sindical que agradeceu os participantes, avisando que os sindicatos da família da UNTC-CS vão prosseguir, sem medo, a luta em defesa dos legítimos interesses dos trabalhadores cabo-verdianos.

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