LUSOFONIA

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Brasil: 8,7 milhões de casos, 216.475 óbitos e vacina entre atraso e fura-filas 24 Janeiro 2021

Uma semana depois do arranque da vacinação, no segundo país com mais mortes pelo novo coronavírus e agora ameaçado pela variante do Amazonas, acumulam-se as queixas porque faltam vacinas e há pessoas que furam a fila.

Brasil: 8,7 milhões de casos, 216.475 óbitos e vacina entre atraso e fura-filas

No domingo passado o início tão aguardado da administração da primeira vacina da CoronaVac aconteceu, mas marcado pela troca de acusações entre o governador de São Paulo e o ministro da Saúde.

Uma semana depois, o Ministério Público contabiliza inúmeras denúncias contra pessoas acusadas de "furar a fila", em desobediência ao PNI-Plano Nacional de Imunização que estabelece os grupos prioritários.

As denúncias apontam prefeitos, governadores, dirigentes de instituições que, ao longo da semana e diversos Estados (Rio Grande do Norte, Pernambuco, Amazonas, Pará, Paraíba... ), utilizaram o cargo para serem os primeiros.

Só em Manaus, que continua a ser a cidade mais flagelada e onde faltam os meios para tratar os pacientes, ocorreu o "desaparecimento de sessenta mil doses da Coronavac", segundo noticiou a Globo na sexta-feira, 22.

Variante do Amazonas

Desde que a primeira versão do Sars-Cov-2 apareceu na China, em dezembro de 2019, os cientistas já detetaram mais de oitocentas variantes em todo o mundo. Mas destas apenas três preocupam os cientistas: as que foram identificadas na África do Sul, no Reino Unido e, nesta semana, no Brasil, no Amazonas.

"Atualmente, as linhagens estão sendo uma preocupação". "As pessoas têm que tomar mais cuidado. Então, essa entrou no rol desse grupo menor de linhagem das quais os cientistas acham que deve ter uma preocupação especial", explicou a médica investigadora Ester Sabino, do Instituto de Medicina Tropical/ FMUSP.

Segundo a nota técnica da Fiocruz do Amazonas, a evolução partiu de uma linhagem que circulava a nível estadual desde abril do ano passado. Mas uma rápida taxa de mutação foi detectada entre dezembro de 2020 e janeiro de 2021.

A preocupação dos cientistas é que a variante do Amazonas tem mutações parecidas com as encontradas nas outras duas, justamente nas espículas, ou spikes, a "chave" que o vírus usa para entrar nas células.

O coordenador dos pesquisadores que monitoram a evolução do Sars-Cov-2 diz que ainda é cedo para dizer que a linhagem brasileira também é mais contagiosa, mas explica que esse tipo de variante tende a prevalecer.

"O sentido de toda evolução, de qualquer espécie, é que a espécie tenha mais habilidade de passar os seus genes adiante. Para o vírus, isso vai estar representado justamente na transmissibilidade. Quanto mais transmissível ele for, mais esses genes que ele tem vão se distribuir. Então, está dentro daquilo que Darwin nos ensinou", explica Fernando Spilki, virologista e professor da Universidade Feevale/ RS.

Os cientistas lembram que as mutações dos vírus são globais, logo a linhagem do Amazonas poderia ter surgido em qualquer lugar do mundo. No entanto, as variantes surgem mais onde há mais casos da doença.

A matemática é simples: o vírus espalha-se através de cópias suas – que, às vezes, não saem exatamente iguais ao original. É assim que acontece a mutação. Então, quanto mais pessoas o coronavírus consegue infectar, mais hipóteses terá de evoluir.

A vacina é urgente para travar esse processo, mas a transmissão de todas as variantes do coronavírus é igual, e as medidas de prevenção devem ser também.

"Quando você freia a disseminação do vírus, você também freia a evolução do vírus. E a gente faz isso como? Com medidas de distanciamento social, com lavagem das mãos e a utilização das máscaras. Com essas medidas, a gente consegue impedir tanto a infecção pelo vírus original quanto pela nova variante", segundo o pesquisador da Fiocruz Amazônia Felipe Naveca disse à Globo.

Fontes: Globo/BBC/Japan Times. Relacionado: Brasil: Variante do coronavírus do Amazonas está entre as três que preocupam cientistas, 19.jan.021. Foto: A parceria tecnológica sino-brasileira fez da CoronaVac "a vacina do Brasil". Mas ainda só contam com seis milhões de doses, muito longe dos 200 milhões necessários para a imunização de 100 milhões de brasileiros que se previa para o corrente ano.

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade


  • Mediateca
    Cap-vert

    Uhau

    Uhau

    blogs

    publicidade

    Newsletter

    Abonnement

    Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project