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América dividida com indulto a Cyntoia Brown que aos 16 anos matou homem de 43 que a teria comprado como escrava sexual 13 Janeiro 2019

O governador do Tennesse concedeu o indulto total à Cyntoia Brown, de 30 anos, que detida em 2004 se encontrava a cumprir uma pena perpétua por ter aos 16 anos assassinado um homem de 43 anos "que a comprara como escrava sexual". E se a decisão divulgada no início desta semana, satisfaz os apoiantes como Kim Kardashian, Rihanna e Alyssa Milano, muitos são os que discordam desta "clemência que não faz justiça ao John Allen", o homem assassinado.

América dividida com indulto a Cyntoia Brown que aos 16 anos matou homem de 43 que a teria comprado como escrava sexual

A adolescente, detida desde agosto de 2014, foi em 2006 julgada como adulta e condenada à prisão perpétua.

O documentário, produzido em 2011, "Cyntoia: A sua História"— embora lhe tivesse valido o apoio de um advogado, Charles Bone, que se ofereceu para a defender ’pro bono’— só voltou a atrair a atenção mediática após a atriz Alyssa Milano reavivar em 2017 o #Me Too. ( A partir da expressão "Me Too" criada em 2006, o movimento social defende que a vítima de um crime sexual o deve verbalizar e não silenciar.)

O caso de Cyntoia, sob atenção mediática dado o apoio de celebridades como as Kardashian, Rihanna…, gerando várias petições dirigidas às autoridades a pedir a sua libertação, voltou a ser examinado.

Kim Kardashian-West, a primeira celebridade a tomar a defesa de Cyntoia criando o movimento #Free Cyntoia Brown, justificou o seu apoio.

"O sistema falhou. Despedaça o coração ver que uma jovem traficada para sexo quando reage é condenada à prisão perpétua! Temos de fazer melhor e fazer o que é certo. Chamei os meus advogados ontem para ver se se faz justiça", tuìtou em 21.11.2017.

Tese da legítima defesa divide a América

O governador do Tennessee, Bill Haslam, assinou o indulto, nesta 2ª fª, 7, retendo a justificação de que o homicídio foi motivado por legítima defesa, já que o homem lhe mostrou várias armas que tinha em casa e afirmou ser um grande atirador.

Concedido em geral pela quadra natalícia, este ato de clemência do Poder Público vigora em vários países. É uma forma de extinguir o cumprimento de uma condenação imposta ao sentenciado desde que se enquadre nos requisitos pré-estabelecidos no respetivo decreto.

A tese da legítima defesa está a dividir a América, já que a Acusação insiste que a arguida cometeu o homicídio a sangue frio e depois roubou o carro, dinheiro e armas da vítima.

Também os amigos do homem assassinado, John Allen, criaram uma página na internet de apoio à sua causa. Eles voltam a defender, como durante o julgamento em 2006, que ele não era um violador de crianças mas um "bom samaritano" que quis salvar a jovem "sem abrigo" e a levou para casa.

Para os defensores dela, Cyntoia foi uma criança infeliz (dada para adopção, institucionalizada) que aos quinze anos foi vítima de tráfico sexual e que por ser muito jovem e além disso sofrer da síndrome alcoólica fetal (a mãe biológica era alcoólatra).

Todos estes handicaps, alegaram, incapacitavam-na para compreender o alcance de todas as suas ações. E perguntam: Quem deve ser responsabilizado quando a família e a sociedade não impedem uma criança de se desviar para uma vida de crime?

Futuro

O advogado Bone acredita que "Cyntoia vai trabalhar para melhorar a sociedade", quando sair da cadeia em agosto próximo.

A preparação para a sua saída da prisão começou já, no centro onde se preparam para a vida em liberdade os que irão ser libertados em, no máximo, dois anos.

Fontes: CNN/ BBC/N Y Times/AP/ Reuters

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