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Via SMS guiou suicídio do namorado – Condenada a 15 meses, recorre alegando ‘liberdade de expressão’ 11 Julho 2019

Dois anos depois de condenada por homicídio involuntário por ter, aos 17 anos, incentivado o suicídio do namorado, Conrad Roy III, de 18, Michelle Carter recorre ao Supremo, alegando “liberdade de expressão”, o sacrossanto artigo da 1ª emenda à Constituição dos EUA.

Via SMS guiou suicídio do namorado – Condenada a 15 meses, recorre alegando ‘liberdade de expressão’

As tentativas de suicídio de Conrad, que dizia viver o “pior sofrimento”, estão patentes nas mensagens SMS trocadas entre os dois adolescentes. As últimas foram trocadas estando ela em casa, em Plainview, a 80 quilómetros de distância do lugar onde o rapaz morreu em Fairhaven no seu carro, intoxicado por monóxido de carbono. No dia anterior, ela ‘textara’: “Se queres mesmo como dizes, chegou a hora de fazer como dizes, é hoje. Amo-te”. Repetiu muitas vez esse “Amo-te”, e ele retribuiu com as mesmas palavras.

São muitos milhares de SMS, nos quais Conrad e Michelle discutem “as melhores maneiras de morrer”. Porquê a morte? “Porque nem sempre temos respostas para o que acontece”, ‘textou’ a adolescente.

As respostas que o Tribunal Supremo dos Estados Unidos irá dar aos pontos apresentados pelos advogados da jovem no recurso entrado na segunda-feira, 8, ainda irão demorar.

Mas os advogados argumentam que a condenação de Michelle é “sem precedentes”, que em casos semelhantes o tribunal decidiu inocentar quem esteve envolvido na assistência ao suicídio e ou incentivo ao suicídio por meio cibernético.

O recurso alega que Michelle tem direito a liberdade de expressão, de acordo com a primeira Emenda, pois "limitou-se a palavras, só".

Filme

O recurso foi apresentado na mesma semana em que se estreou num canal americano o documentário “Amo-te, agora morre: Estado contra Michelle Carter” (original: “I Love You, Now Die: The Commonwealth v. Michelle Carter”).

O docufilme baseado quer nos milhares de mensagens trocadas entre os dois adolescentes, durante dois anos, quer nas sessões de tribunal, mostra que os dois depois de se conhecerem na Flórida em 2012, durante as férias em casa de parentes, nunca mais se encontraram, apesar de viverem no mesmo Estado.

A morar em cidades diferentes do Massachusetts, as suas vidas tinham pouco em comum. Mas desenvolveram uma ligação virtual muito intensa ao longo desses dois anos – a qual terminou tragicamente …para ele.

As mensagens iniciais mostram a troca entre dois adolescentes a viver a angústia existencial de que falam os psicólogos. Nessa fase, a adolescente quando saía da discussão do seu caso, prestava atenção a Conrad para o incentivar a procurar ajuda para a depressão, que já o tinha levado a algumas tentativas de suicídio.

Mas depois a situação espiralou e ela começou a sugerir-lhe “as melhores maneiras de morrer”. Os SMS recuperados do iphone de Conrad contêm mensagens como “Bebe lixívia. Porque é que não bebes lixívia?”, “Enforca-te, Salta dum prédio, Usa uma faca, sei lá eu. Há muitas maneiras”.

Na véspera da morte, ele dissera-lhe por SMS: “Era mais fácil se estivesses aqui para me segurar a mão... Fazíamos como o Romeu e a Julieta". Ela respondeu "Queres que eu seja a tua Julieta, lol". Estas palavras fizeram correr muita tinta, na imprensa anglófona. "Ela é de uma crueldade extrema", lê-se no tabloide londrino The Sun.

Como descrito em tribunal, Conrad ligou o tubo de escape e fechou as janelas para se intoxicar, mas a dado momento saiu do carro invadido pelo monóxido de carbono. Então ela diz-lhe para voltar a entrar no carro. E ele entrou.

O juiz Lawrence Moniz não teve dúvidas de que a “presença virtual” dela é responsável pela morte do namorado. Por isso, na leitura da sentença, condenou-a a quinze meses de cadeia.

O tribunal de segunda instância confirmou a sentença em fevereiro deste ano. O Supremo tem a última palavra.

Fontes: Washington Post/You Tube/Arquivos online.

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