OPINIÃO

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Turismo: Cor de Cabo Verde no mapa do verde ao vermelho — Cartão vermelho para restauração 15 Maio 2019

Verde era ’bótimo’, até o amarelo nos consolava mas será alaranjado como diz o governo do Canadá, que dá um alerta vermelho sobre a criminalidade. Ou será vermelho como toda a África no mapa do Ministério dos Negócios Estrangeiros de França? Pergunta-se após a notícia de que tinham sido sequestrados dois turistas franceses numa zona vermelha. Estávamos na zona do farol e entrámos a conversar com uma jovem turista francesa que chegara no último fim de semana de abril.

Turismo: Cor de  Cabo Verde no mapa do verde ao vermelho  — Cartão vermelho para restauração

Por: Alexandre Santos

O farol de Dona Maria Pia que está há mais de dois anos a ser recuperado por um consórcio, caboverdiano-espanhol será, e que, temos de ler duas vezes para entender, tem os mesmos exatos nomes como "projectistas" e como "fiscalizadores" da obra. Uma ubiquidade tecnicamente inviável e decerto ilegal.

Surreal, exclamámos diante da placa colocada no exterior do monumento nacional. Mas o espanto continua quando ultrapássamos o portão e chegámos à entrada para a ’torre’ do farol.

A pedra original no farol da Ponta Temerosa original (depois batizada em homenagem à rainha nascida em Turim e consorte de Dom Luís, que por seu turno deu nome ao Djeu frente ao Porto Grande) cedeu lugar a mosaicos, azulejos iguais aos que encontrámos em qualquer loja de material de constução.

A pedra original – num país onde as pedras ah!.. Aqui, até há pedras-comida para as cabras que nos ensinaram a comer pedras. Em vez das ubíquas pedras, cujo uso hoje as tecnologias facilitam até a mãos delicadas... eis o conteúdo vindo em caixotões.

O exíguo espaço dentro do farol monumento nacional está ocupado por caixotões com etiquetas em espanhol. A espreitar o material importado que está a ser utlizado na retauração do monumento. Material encontrável em qualquer loja das nossas urbes planeadas ou espontâneas, às centenas.

A nossa vivência menos planeada e mais espontânea é bem simpática a quem planeia importar calcetadores do interior das nossas ilhas para trabalhar a pedra e embelezar as calçadas das suas urbes. Em troca de material barato de produção em série.

Os dois nomes exatíssimos dos projetistas e fiscalizadores ubíquos estão lá, na placa à entrada. Os três meses do prazo também – mas sem qualquer data, na mesma linha tácita de certos botequins que acautelam o seu interesse com um papel em que se lê "Fiados só amanhã".

A vista do alto da torre do farol é, na avaliação dos seus visitantes estrangeiros que ouvi in loco e li online, "magnífica" na proporção inversa da visão que está a conduzir a restauração do Farol de Dona Maria Pia.

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