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Toponímia capitalina – Uma nação bem falante mas sem noção na pedra 27 Janeiro 2019

‘Largo da Europa’? ‘Rua da Europa’? Qual está certo? Já é hora de chamar a Câmara à pedra!

Toponímia capitalina – Uma nação bem falante mas sem noção na pedra

Por: Luiz Cunha

Está no papel: “Rua Largo da Europa”. Um erro conceptual, em bom português que é a língua da pedra. Se a fonte fosse apenas esta, o carteiro iria perder-se…. e a carta nunca chegaria.

Chamar largo a uma rua é como chamar Mário a Maria, ou Maria ao Mário. A cada designação corresponde uma entidade, como diz o dicionário e mostram os roteiros. E se a rua é, tal como o largo, uma via pública num espaço habitado, com casas e lojas, lugar de estar e de passagem, lugar de trabalho e outras atividades, uma e outro têm características próprias: a rua estende-se por um espaço que tanto pode ser de 10 metros como de dez quilómetros até interromper-se onde começa outra rua, enquanto que o largo é sempre ponto de encontro de ruas.

Perder-se-ia a carta endereçada à rua largo da Europa, pois que este (largo) e aquela (rua) têm funções e termos de referência específicos. Excetua-se o caso em que rua, hiperonimizada, passe a significar ‘lato sensu’ toda a via pública. Por exemplo, assim: Alguém pergunta “rua?” e a resposta dada é “largo de...”.

Identidade própria

‘Largo da Europa’? ‘Rua da Europa’? Qual está certo?

Um largo numera as portas com números seguidos, ímpares e pares sucessivos (1,2, 3,...) começando a nor-oeste, indo pelo sul-oriente e terminando a oriente. Como vêem um colar sem fecho – curioso, descubro!, podia dizer o mesmo deste país-arquipélago.

A rua, essa, dum lado tem números ímpares e do outro tem números pares, a começar do mar ou de norte para sul. A rua cumpre o seu destino de caminho. O largo destina-se a fazer transições.

Note-se, pois, que ‘Largo da Europa’, dominante na apresentação da maior parte dos que exercem atividade pública na artéria, apresenta também erro de conceito dada a descrição do colar sem fecho. Um largo pode ser ainda um espaço arborizado. Como na foto desta ilustração que idealiza a referida artéria sede da Bolsa, na Achada Santa António.

Conclua-se pois, dado que a numeração não segue o critério indicado, que ainda ninguém acertou na denominação toponímica da artéria. Ainda bem que ainda só está no papel, perecível.

Mas já é hora de chamar a Câmara à pedra!

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