OPINIÃO

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Tarrafal “chora” o desaparecimento de mais um património municipal 11 Setembro 2019

A destruição da “velha Alcatraz”. (Um dos edifícios mais emblemáticos da cidade). A notícia caiu como bomba logo ao amanhecer do dia cinco do mês, de imediato uma avalanche de protestos se espalharam nas redes sociais. Na rua, nas praças públicas, nos cafés, nas praias, a conversa não era outra. Mas, o povo tarrafalense parece estar habituado a essas andanças na demolição de prédios antigos. Recorde-se que antiga “fábrica de peixe” como era denominada foi demolida há já alguns e o lugar ficou vago até agora sem nenhuma ocupação e foi considerado um edifício histórico.

Por: Nataniel Vicente Barbosa e Silva (Ver roda-pé do artigo)

Tarrafal “chora” o desaparecimento de mais um património municipal

Uma vez mais a “force de l’argent“ falou mais alto que a voz da razão. 04 de Setembro de 2019 foi um dia que muitos tarrafalenses não vão esquecer assim tão rápido: A velha alfândega como foi assim conhecida passou à história efectivamente no começo da noite de 5ª feira de 04 Setembro de 2019. Localizado que era num dos lugares mais paradisíacos da cidade a poucos metros do miradouro. Lá do alto se pode contemplar tranquilamente a grande baía de Mangui com a sua arreia branca e “ondas cristalinas ta rola na reia” como diz a música, desafiando a tudo e todos com a sua indiscutível beleza. Mais acima está o eterno e imponente “Graciosa”, dando boas vindas aos visitantes. Uma montanha que já serviu de inspiração a vários artistas e poetas. Um pouco mais a frente está a lendária praia, a pequena “kebra canela” do Tarrafal “mar di baxu” ou, se preferir, “mar di presidenti” como é hoje largamente conhecida muito frequentada pelos turistas estrangeiros.

Depois dessa breve resenha vamos entrar pois, no que hoje está na boca dos tarrafalenses: A destruição da “velha Alcatraz”. (Um dos edifícios mais emblemáticos da cidade). A notícia caiu como bomba logo ao amanhecer do dia cinco do mês, de imediato uma avalanche de protestos se espalharam nas redes sociais. Na rua, nas praças públicas, nos cafés, nas praias, a conversa não era outra. Mas, o povo tarrafalense parece estar habituado a essas andanças na demolição de prédios antigos. Recorde-se que antiga “fábrica de peixe” como era denominada foi demolida há já alguns e o lugar ficou vago até agora sem nenhuma ocupação e foi considerado um edifício histórico. Um tarrafalense nos confidenciou que essa onda de protestos e reclamações não passa de “bla-bla” que tudo isto é sol de pouca dura. Que depois de algum tempo tudo vai “esfriar” voltando a normalidade. Tudo aponta nesse sentido.

Recorde-se, que em 11 de Janeiro de 2019 houve uma mega manifestação nas ruas de Mangui com protestos que fizeram “abanar” a Câmara toda, um “tsuname à moda tarrafalense” deixando os visados de boquiaberta e, hoje já ninguém se lembra de tal manifestação. Se aquelas reivindicações foram ou não satisfeitas continua tudo nos segredos dos deuses.

Ora, a demolição recente do velho edifício considerado um dos prédios mais antigos da cidade foi “uma morte desde há muito anunciada”. A sua execução já era esperada. Quando e como ninguém sabia. Tudo aconteceu no começo da noite evitando provavelmente atritos com os mais afeiçoados à sua conservação. Bem, reza a velha máxima: Quem não deve não teme. Diz alguém enfatizando um pouco, que, no Tarrafal “mata-se tudo” logo se vê que os valores históricos estão também a fio da espada. No passado foi assim e vai assim continuar. Ironizando o mesmo entrevistado: os mandantes têm horror ao passado. São “talibans à moda da terra”. Provavelmente, estão à espera que a história os venha absolver. Os munícipes estes infelizmente não têm voz e nem vez para se pronunciarem sobre determinas posições camarárias.

Uma coisa é certa: aquele edifício se encontrava efectivamente abandonado e num estado degradante sem nenhuma utilização entregue aos caprichos dos tempos situação que na verdade não agradava ninguém mas, segundo a opinião de uma boa parte dos tarrafalenses, o edifício ao par da antiga “fábrica de peixe”, e outros tantos já destruídos deveriam ser sim restaurados e preservados mantendo a sua forma original e, quiçá, ocupados por outros serviços. Mas, como se sabe, hoje, o mundo é feito de negócios. Não importa património ou “matrimónio” seja lá o que for. A velha Pousada era um edifício recheada de muita história que os mais novatos desconhecem. E de se recordar que nela já albergou:“Farmácia” como era assim conhecida. Delegação da EMPA, delegação alfandegária e ultimamente Esquadra Policial do Tarrafal. A centenária Alcatraz desapareceu sem deixar rastos da sua existência mas, a vida continua.

Muitos já antevêem que a próxima vítima será provavelmente a antiga Cadeia Civil. Ninguém trava cá a força do “business”.
Hasta lá próxima.

Tarrafal, aos 09 de Setembro de 2019.

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