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Sistema falha em identificar acumulações — Ministério só afasta servidor público após denúncia anónima de colegas 10 Janeiro 2019

O caso relatado esta quarta-feira pelo diário "Observador" dá conta de um médico que acabou por ser afastado do sistema de emergência médica, após um ano de inquérito disciplinar dar por provado que ele acumulava serviço em dois sistemas públicos de Saúde, no mesmo horário exato, das oito às 16 horas todos os dias da semana durante um ano.

Sistema falha em identificar acumulações — Ministério só afasta servidor público após denúncia anónima de colegas

O que despoletou o inquérito ao médico António Peças foi a (estranha) coincidência entre uma alegada doença que o impedia de socorrer um doente e a presença na mesma hora no local de uma tourada, na primeira fila da arena (foto).

As mensagens em social-media, incluindo o site temático toureio.pt, elogiavam o atendimento que o Dr. Peças deu a vários casos, incluindo a doença súbita do diretor da praça de touros. Uma foto mostra o médico a assistir à corrida na primeira fila.

O sistema público de emergência médica (INEM) concluiu que o médico estando numa tourada fingiu estar doente em casa para não ter de transportar um doente de helicóptero.

Como escreve O Observador, "no dia 29 de outubro de 2017, o Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) recebeu um pedido do Hospital de Évora: no serviço de urgência estava um homem de 74 anos, com um traumatismo craniano e hemorragia cerebral, que precisava de transporte aéreo para Lisboa. À espera dele estava uma equipa de neurocirurgia do Hospital de S. José.
O médico de serviço ao helicóptero alegou que estava com uma gastroenterite e pediu para não fazer o serviço, comprometendo-se a ligar uma hora depois para dar notícias sobre o seu estado de saúde. O problema é que, à mesma hora, estaria numa tourada na arena de Évora e acabou por ser notícia – em blogues temáticos – por ter socorrido o diretor da corrida".

Ao Observador, o médico disse que de facto esteve na tourada, mas de passagem e que socorreu o diretor da corrida por acaso. Todavia, outros blogues referem outros atendimentos e a presença do médico durante toda a corrida.

Grupo de médicos do Hospital de Évora preocupados denunciam

A denúncia, bastamente documentada, foi enviada em carta anónima ao INEM, Ministério da Saúde, Hospital de Évora e Ordem dos Médicos. Assinava: “um grupo de médicos do Hospital de Évora preocupados".

«Segundo a denúncia, o médico recusa-se a “picar o ponto” no sistema biométrico do hospital, “alegando que tal é ilegal”, deixando o registo apenas em folhas escritas à mão. Tal permite-lhe estar, teoricamente, em dois sítios à mesma hora e ser pago por isso», escreve a fonte referida.

No processo enviado à IGAS, referem-se todos os casos provados de escalas no INEM e no Hospital no mesmo horário. Esta quarta-feira, o Ministério Público anunciou um novo inquérito pela Procuradoria-Geral da República.
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Fontes referidas. Foto da arena da contenda: O que despoletou o inquérito ao médico António Peças foi a (estranha) coincidência entre uma alegada doença que o impedia de socorrer um doente e a presença na mesma hora no local de uma tourada.

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