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São Vicente/Reportagem: Má gestão da água para rega e pragas são os principais problemas que afetam os agricultores de Tchon d’Holanda 06 Mar�o 2021

Os agricultores da zona de Tchon de Holanda, em São Vicente, estão revoltados com a forma como está sendo feita a distribuição da água para rega das suas parcelas agrícolas. Uma situação que vem dificultando a prática da agricultura nesta zona, onde várias famílias vivem desta atividade. O presidente da associação representativia desses trabalhadores da terra, João Monteiro, exige uma intervenção urgente dos poderes públicos (Governo e Câmara Municipal) na resolução dos problemas refhridos.

São Vicente/Reportagem: Má gestão da água para rega e pragas são os principais problemas que afetam os agricultores de Tchon d’Holanda

A reportagem do Asemanaonline falou com alguns agricultores para saber qual é a real situação do setor agrícola nesta zona fértil contígua à localidade de Ribeira de Vinha. Esta gente da terra partilha os mesmos problemas, segundo apurou este jornal.

Dona Antónia Fortes, mais conhecida por “Tanha” , aponta que, até a água chegue as suas parcelas de terra, já vem fraca e que muitas vezes não consegue regar as suas plantações com a quantidade de água necessária, sem esquecer que as pragas também têm tomado conta de algumas plantações. “A água chega em nós já muito fraca, o que não dá para nada - é muito pouco. Antigamente, as coisas estavam melhores e havia muita água”, salienta Tanha. A mesma nos mostrou uma enorme quantidade de cebola verde a” morrer por falta de água suficiente”.

Quem também é da mesma opinião, é o senhor Saturnino Santos “Ti Nine”, que há 20 anos é agricultor. Um dos vários problemas destacados por Ti Nine está relacionado com a discriminação dos produtos agrícolas de Txon de Holanda.
“Quando levamos o nosso produto à Cidade para vender o que nos é perguntado logo a primeira é se o produto é de Ribeira de Vinha ou de Tchon de Holanda. Logo entendemos que por nossas plantações serem regadas com águas da Estação de Tratamento de Aguas Residuais – ETAR -, as pessoas ficam com receio e não compram nossos produtos”, explica o proprietário que se mostra revoltado com esta situação.

Saturnino completa ainda que, mesmo as pessoas que vem comprar os produtos para revender dizem sempre aos seus clientes que são produtos provenientes de Calhau. Revoltado, Ti Nine pede ao governo que esclarece as pessoas sobre como são produzidos os alimentos, que a água da ETAR é bem tratada e que não há nenhum perigo, e que simplesmente “queremos vender nossos produtos”.

Natural de Santo Antão, António Lima de quase 60 anos, e residente em São Vicente há vários anos, não foi de opinião diferente dos outros agricultores. Este senhor que praticamente vive da agricultura, chama atençã para o a questão do horário da bombagem de água, que tem provocado algum desperdício deste bem precioso. “A bombagem de água para rega é feita até às 6h da tarde, mas o que acontece é que está a ser feita até as 22h, o que faz com que haja muito desperdício de água nas estradas porque a noite os agricultores já estão em suas casas. O melhor seria estabelecer um horário, mesmo que seja a noite, mas não muito tarde, para que não haja perdas desnecessárias”, explica António que se mostra indignado com as várias situações existentes.

Apanhados desprevenidos no meio da colheita de batata-comum, foi o senhor Mário Simão “Nhô Mário” e os seus colegas agricultores que, no momento estavam quase a terminar as suas atividades.

Os entrevistados apontam que, neste momento somente um motor na ETAR está a fazer a bombagem de água, quando anteriormente eram 2 motores que faziam o trabalho e os resultados eram satisfatórios para os agricultores, pois era mais água para rega. Em comum, exigem o apoio do governo, através da resolução dos problemas relacionadas com a disponibilização de mais água e apoio no combate às pragas. Pragas essas que têm tomado conta das várias culturas desde batatas doce e comum, mandioca, couve, papaia, entre outros. A frustração e o desanimo estão patentes na cara desses homens e mulheres da terra.

Associação Agrícola Tchon de Holanda pede intervenção do Governo

O presidente desta associação, João Monteiro, afirma que a Delegação do Ministério da agricultura é responsável pela má distribuição da água nas zonas Ribeira de Vinha e Tchon de Holanda. O mesmo explica que a distribuição de água para Tchon de Holanda deveria ser feita com uma conduta de água independente de Ribeira de Vinha, quando se usa a mesma conduta com muitas válvulas para abastecimento e que se encontram em más condições. Adianta que por estarem situadas numa zona um pouco alta, qualquer fuga de agora é mais um problema.

Monteiro salienta que já provaram a existência de furos clandestinos nas tubagens que têm dificultado uma distribuição correta da água. No entanto, conforme avançou ao Asemana, esta situação é de conhecimento do Delegado do Ministério da Agricultura, e ainda nada foi feito para resolver o problema.

Monteiro lembra que em outubro de 2020, o atual ministro da Agricultura e Ambiente, Gilberto Silva, fez uma visita à localidade de Tchon de Holanda e não auscultou nenhum agricultor e foi embora sem ouvir as reais preocupações da classe. “Ficamos mais indignados ainda, foi quando resolve ir ao parlamento dizer que estive na nossa zona, que tem apoiado a nossa agricultura e que vai continuar a fazer este trabalho”, conta o dirigente da agremiação. Completa ainda que há 9 parcelas de terreno danificadas desde 2016 e que ainda nada foi feito.

Em relação a praga do gafanhoto que é um problema de longa data, Monteiro afirma que é do conhecimento do referido Ministério e que técnicos “dizem que não há remedio para esta praga”.

“São muitos problemas apontados pelos agricultores e que não estão sendo resolvidos. São pessoas tentado algum sustento para as suas famílias”, finaliza o prsidente da Associação Agrícola para o Desenvolvimento de Tchon de Holanda, no Mindelo.
AC/Redação

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