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São Vicente/Reportagem: Pescadores de embarcações de boca-aberta clamam por falta de apoio 01 Mar�o 2021

Os pescadores na zona de Praia de Bote na Cidade do Mindelo asseguram que são vários problemas que lhes vêm dificultando o seu ganha-pão, com destaque para a escassez de peixe, preços elevados do gelo e combustível, carencia de isco, insegurança e mau-tempo durante a faina martima. Problemas que, segundo esses homens do mar, tem impacto negativo no sustento da família.

São Vicente/Reportagem: Pescadores de embarcações de boca-aberta clamam por falta de apoio

Quase 8 horas de manhã, os pescadores já regressam da faina marinha para trazer o alimento e sustento de muitas famílias. Arregaçam as mangas, negoceiam preços e cada um vende o que consegue. São uma variedade de peixes. Por esses dias de muito vento e alguma bruma seca, têm encontrado dificuldades em ir à pesca.

A história de vida de Jorge Mariano, mais conhecido como “Jorge de Peizin”, está atrelada á pescaria e são 40 e poucos anos a exercer a profissão. Com 61 anos, vive ainda da pesca, com dignidade e ainda ajudou a criar os seus filhos. Para o pescador, o mais triste é “ir a cata do pão de cada dia e não trazer o suficiente e o pior é que nem temos algum apoio.” E para complicar ainda mais a situação, Peizin aponta que o preço do gelo para conservar o peixe é muito elevado. “Quando eu e os meus colegas vamos pescar, temos que comprar, por exemplo, 10 sacos de gelo e cada saco custa mil e pouco escudos”, salienta o pescador, frisando que são muitas despesas a juntar a comida, o gelo, entre outros.

Em relação ao combustível, Jorge adianta que gastam em media 30 mil escudos de gasolina, principalmente quando há muito vento, o que “favorece um consumo mais elevado de gasolina”. Já desanimado, diz que, muitas vezes, nem se consegue vender o pescado porque quem vai revender o peixe quer pagar um valor baixo do que o estipulado. “Temos que vender o peixe para podermos pagar primeiramente as despesas, para termos dinheiro para ir a faina noutro dia”, ressalta.

Um outro grande problema tem que ver com o isco. Cavala que outrora tinha um preço bastante acessivo, “agora está acima dos 100$00” e como alternativa os pescadores preferem usar como isco o “ Oi Largo” ou “Cachorinha” que são os mais baratos.

Carlos Dias, pescador da zona de Salamansa, lamenta a situação do clima que tem dificultado a saída de muitos pescadores. Os problemas que mais inflige este jovem pescador estão ligados a “melhoramento da segurança como falta de motores e de peças”.

Há 38 anos, João Neves lança o isco. O pescador aponta que são vários os problemas que a classe dos pescadores vem enfrentando. O mesmo diz que, a policia marítima tem dificultado as saídas dos pescadores, por causa do mau-tempo, e que “o mercado de peixe ficava fechado”, mas já foi retomado as atividades.” Neves sublinha que, quando se vive do mar é muito difícil ficar parado, principalmente quando se tem família, exceto quando há mau-tempo. Assim como Peizin, João Neves partilha as mesmas preocupações e pede as entidades ligadas ao setor das pescas que olhe pelos pescadores.

Stiven Silva, pescador desde muito jovem, diz que se investe muito para trazer alguns quilos de pescado, mas no entanto quase 75% do produto vendido é para pagar despesas e o restante é para o consumo. Considera que isso é “uma situação complicada”. Adianta que prefere ele mesmo capturar e vender o pouco que conseguir apanhar, sem precisar negociar com as peixeiras, visto que, segundo diz, paguem o valor que lhes convém. Avançou ainda ao Asemanaonine que o próprio caís de pesca não reúne condições favoráveis para a realização da atividade da comercilizaao e dsitrbuiçao de pescados no espaço.

Em 2020, o Ministério da Economia Marítima isentou embarcações de pesca do pagamento de licenças e registo das mesmas até 31 de dezembro de 2020, ano dedicado a segurança do pescador e da pesca nas suas diferentes vertentes.

Com esta medida, durante o mês de maio do ano passado, foram emitidas 401 licenças de pesca artesanal e foram registadas 138 embarcações de pesca artesanal, sendo o maior número na ilha de Santiago.

AC/Redação

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