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Santo Antão: Operadores voltam a alertar para ameaça que perda da população representa para o turismo rural 26 Janeiro 2020

Os operadores turísticos em Santo Antão voltam a manifestar a sua preocupação com relação ao fenómeno de perda da população por parte de Santo Antão, que, a seu ver, coloca em risco o turismo rural nesta ilha.

Santo Antão: Operadores voltam a alertar para ameaça que perda da população representa para o turismo rural

Planalto Norte do Porto Novo é, segundo a Inforpress, uma das zonas mais afectadas pela seca e pelo isolamento, e, por isso, uma das mais afligidas pelo êxodo rural, problema que ameaça o futuro da própria ilha de Santo Antão, caso não seja travado, segundo os operadores.

Para António Lima, operador turístico na zona Norte do Porto Novo, e, por sinal, presidente de associação comunitária, há que encontrar formas de fixarem as pessoas nas zonas rurais em Santo Antão.

Nessa localidade, os operadores tentam promover o turismo com a criação de pequenas instalações, mas a saída das populações em direcção aos centros urbanos, por causa, sobretudo, da seca, pode comprometer esta actividade, segundo este responsável.

Por causa da seca, grande parte da população acabou por deixar a zona Norte do Porto Novo, onde residem, actualmente, pouco menos de 70 famílias, apelidadas de “os resistentes”.

Santa Isabel, zona isolada no interior do Paul, município santantonense que mais tem perdido a população nesses últimos anos, é outro caso exemplificativo do impacto da seca e do isolamento no despovoamento das comunidades em Santo Antão.

Santa Isabel perdeu, nos últimos anos, três quartos da sua população, ou seja, 300 dos 400 habitantes deixaram esse povoado, muito conhecido pelo seu potencial a nível de cultivo de café, actualmente em declínio por causa da seca, segundo o líder associativo, Benvindo Melo.

Aliás, o isolamento e a seca, aliados ao desemprego, são, efectivamente, os factores que mais estão a contribuir para que muitas comunidades em Santo Antão fiquem sem gentes, segundo os operadores turísticos, alertando que “a curto prazo”, o êxodo rural pode constituir “a maior ameaça” para o turismo de natureza, nesta ilha.

Defendem que, para se fixar as pessoas nas suas zonas, além de desencravamento, é necessário ainda apostar criação de infra-estruturas básicas, designadamente a nível do abastecimento de água, energia eléctrica e do saneamento básico.

Segundo ainda a Inforpress, nos últimos anos, Santo Antão perdeu “milhares” de habitantes, com incidência maior nas zonas rurais.

Dados constantes do Plano Estratégico de Desenvolvimento Sustentável (PEDS) de Cabo Verde (2017-2021) mostram que, em 1940, Santo Antão tinha 35 mil habitantes, podendo, em 2030, dispor apenas de 33 mil pessoas, caso se mantenha este ritmo de despovoamento.

Para os autarcas, a perda da população está a constituir, de facto, “uma séria ameaça” ao futuro de Santo Antão, que, a seu ver, apresenta, actualmente, “indicadores que não estão em sintonia com os indicadores nacionais”.

O próprio Governo admite que Santo Antão, apesar do seu grande potencial económico, é “uma ilha ainda sem oportunidades”, com “um sector empresarial ainda débil”, um quadro que tem levado ao êxodo da população.

A construção do aeroporto e a segunda fase do porto do Porto Novo, para potenciar o turismo, são alguns investimentos, que, segundo os municípios, podem reverter esse quadro, refere a Inforpress.

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