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Santiago Sul: Candidatos enfatizam setor dos transportes no desenvolvimento da região e do país - criticam «as más políticas» do governo cessante para a área 07 Abril 2021

O setor de transportes, em particular os transportes aéreos, tem sido um dos temas marcantes, sobretudo, de 2020 a esta parte, a constituir uma das principais preocupações no seio dos partidos políticos em Cabo Verde que, à exceção do MpD, consideram a situação "uma lástima", culpando as "más políticas» do Governo cessante para o setor.

Santiago Sul: Candidatos enfatizam setor dos transportes no desenvolvimento da região e do país - criticam «as más políticas» do governo cessante para a área

Sendo Cabo Verde um país insular e com apenas duas vias de ligação, aérea e marítima, o setor de transportes atinge uma dimensão transversal a todos os quadrantes de desenvolvimento do país, exigindo atenção redobrada e investimentos acertados na infraestruturação e na definição de políticas e ações que proporcionem a consolidação do setor.

Dando continuidade à nossa promessa de trazer as propostas dos candidatos desta corrida eleitoral, em particular no círculo eleitoral de Santiago Sul, para o debate público, o Asemanaonline traz para esta edição as ideias e propostas das várias candidaturas relacionadas ao tema.

Questionados sobre as propostas em relação aos transportes, principalmente em Santiago Sul, os vários candidatos adversários do partido no Governo ( MpD), consideram a situação “uma lastima” e afirmam ser o resultado da” má política” do executivo liderado por Ulisses Correia e Silva neste setor.

O PAICV, liderado por Janira Hopffer Almada, considera a atual situação dos transportes “fora do controlo do governo” e afirmar ser o resultado de uma “série de medidas erradas” adotadas pelo executivo do MPD, durante a sua governação. A complementar as críticas de JHA, Julião Varela, um dos elementos pricipais da lista do partido Tambarina para Santiago Sul, reforça haver uma “completa desorganização e insuficiência de meios”, a afetar negativamente a vida das pessoas e das empresas.

Daí que o PAICV proponha uma estratégia "robusta" nos transportes “para unificar o país e garantir a facilidade de circulação e movimentação dos cidadãos e das mercadorias". No que diz respeito aos transportes aéreos, em particular, a prioridade do PAICV é a “renegociação” do acordo de privatização da companhia aérea nacional, visando a sua recapitalizaçao.

No domínio do setor marítimo, a proposta é para a “renegociação” do acordo já existente com a empresa concessionária, "no sentido de haver mais benefícios para os cabo- verdianos”, assegura Varela. Este sublinha ainda que o plano é ter pelo menos duas concessões nacionais.

No setor das operações aéreas domésticas, o partido sugere que a Cabo Verde Airlines, ex- TACV, volte a voar entre as ilhas a um custo mais barato, defendendo a abertura do mercado a outras operadoras.

Para o líder do PSD, João Além, “ as piores asneiras” feitas em Cabo Verde foram "a privatização da TACV e o contrato de concessão dos transportes marítimos". O mesmo acredita que para resolver os problemas nesse setor é necessário “ a aquisição de meios próprios, deixando de alugar aviões”. Porém, afirma que primeiro é preciso saldar as dívidas pendentes.

Os transportes terrestes, na voz do mandatário do partido, José Rui Além, "são um desastre". Segundo ele, existe uma "desorganização total" e “precisamos de uma regulamentação e uma fiscalização implacável”, tanto para os autocarros como para os táxis e veículos particulares.

O mesmo salienta ainda que, no que diz respeito aos transportes marítimos e aéreos entre as ilhas o país precisa de um “transporte que seja acessível” e de um “posicionamento que seja sério”, com o intuito de evitar o aumento “exorbitante” dos preços sem a melhoria da qualidade dos serviços.

Por isso, Rui Além propõe a fiscalização com o objetivo de se fazer cumprir a lei sem deixar margens para a corrupção, pois segundo ele, existe um “ contrato secreto” entre as empresas e o Governo.

A UCID, que tem como cabeça de lista Francisco da Siva, considera por sua vez, segundo o seu porta- voz, João Santos Luís, que Cabo Verde retrocedeu em matéria dos transportes, aéreos ou marítimos, afirmando que a situação está “ igual ou pior”, isto devido ao monopólio em termos dos transportes marítimos e a “má politica” definida pelo Governo.

O mesmo questiona, que “se o governo tem 600 milhões de escudos, anuais, para pagar um contrato de 20 anos a uma empresa, porque é que não deu um aval de, pelo menos, metade do valor aos armadores nacionais para que conseguissem investir na frota de cabotagem, em pé de igualdade?”.

Os democratas-cristãos prometem "políticas assertivas", com foco na sustentabilidade e "na salvaguarda do interesse do povo" e destacam ainda que em termos dos transportes aéreos pretendem “refazer os contratos” para que sirvam os objetivos do país, com parcerias publico- privada.

Para o MpD todo e qualquer setor de atividade depende do funcionamento “eficaz” do sistema de transporte, seja na ligação interilhas para permitir a unificação do mercado, seja na ligação com o mundo para permitir a mobilidade de pessoas e cargas o que é “essencial” para a viabilização económica do país.

Daí que as propostas do MPD, liderado por Ulisses Correia e Silva, vão no sentido de multiplicar os acordos aéreos com mais países para permitir o fomento da conectividade do arquipélago com o exterior, criar um quadro de financiamento da formação de quadros para a indústria de aviação civil, subsidiado pelo Estado, revisar o quadro regulatório, para que a competitividade do país seja robustecida numa realidade pós-pandemia que se prevê muito mais concorrencial no domínio dos transportes aéreos.

Relativamente aos transportes domésticos a proposta é criar condições para a adoção do mecanismo de Obrigação de Serviço Público em determinadas linhas consideradas estruturalmente deficitárias.

Para o líder do PTS, Carlos Lopes “Romeu di Lurdis”, “esta é uma área que carece de uma estratégia que tenha por base a realidade nacional, com foco na mobilidade das pessoas”. E, acrescenta que num país insular como Cabo Verde os transportes têm de ser das primeiras preocupações.

Segundo este líder partidário, a população tem estado a pagar um preço “muito alto” pela “má política” dos sucessivos governos para o setor dos transportes e sublinha ainda a falha nos serviços, a falta de regularidade e os preços elevados.

O PTS destaca, também a importância de haver uma rede de transporte entre as ilhas, que seja eficiente, capaz de responder à exigência do crescimento do país e que satisfaça as necessidades da população. “Devemos abrir o nosso mercado para que tenhamos transportes a custo que as nossas famílias conseguem suprir e apostar fortemente nos transportes a nível nacional”, enfatiza Romeu di Lurdis.

O PP encabeçado por Amândio Barbosa Vicente, que concorre pela segunda vez às eleições legislativas do país - para os círculos eleitorais de Santiago Sul e Norte, Boa Vista, Américas, Europa e o resto do mundo - sugere, para além da nacionalização dos transportes tanto marítimos como aéreos e terrestes, mudar o paradigma nos transportes aéreos internacionais através de acordos de "céu aberto".

O mesmo ainda critica o funcionamento da empresa transportes inter-ilhas de Cabo Verde e os avales do Estado a pedidos de empréstimos de emergência da Cabo Verde Airlines, controlada desde 2019 pelo grupo Icelandair. KS/Redacão

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