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Renovação da frota da TACV em 2011 teve “impacto negativo” nas contas da companhia, admite a antiga ministras das Finanças 13 Fevereiro 2018

A antiga ministra das Finanças admitiu hoje,12, que a renovação da frota em 2011 teve “Impacto negativo” nas contas da TACV, reservando à CPI a responsabilidade de apurar se houve “gestão danosa” no tempo em que esteve no Governo.

Renovação da frota da TACV em 2011 teve “impacto negativo” nas contas da companhia, admite a antiga ministras das Finanças

Cristina Duarte, que durante dez anos integrou o executivo de José Maria Neves, fez estas declarações durante a audição na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), criada com o objectivo de apurar a verdade sobre a gestão da transportadora aérea nacional no período que vai desde 1975 a 2017.

Durante a audição, a antiga governante disse “estranhar” que o Governo do Movimento para a Democracia (MpD) mande instaurar o processo de investigação e “não siga o exemplo de fazer com que esta empresa (TACV) apresente as contas”.

“Em todos os processo de avalização, a primeira condicionante era a apresentação de contas e sem as quais o Tesouro não desembolsava e, muitas vezes, exigíamos contas semestrais”, precisou Cristina Duarte, acrescentando que até 2014 as contas “estavam concluídas” e que teve acesso às provisórias de 2015 , “que já estavam concluídas”.

A antiga ministra falou ainda do “monopólio” do mercado doméstico que, segundo ela, o actual Governo reservou à Binter, nova companhia aérea nacional.

Para o deputado Carlos Monteiro (MpD), o executivo de Ulisses Correia e Silva encontrou uma TACV “escangalhada” e sem “canela para estar no negócio nacional”.

“A Binter está neste momento no mercado nacional, mas este é aberto e ficou bem claro que, a qualquer momento, a TACV pode regressar”, indicou Carlos Monteiro.

Instada a explicar os contornos que levaram à desagregação dos serviços de Handling da TACV-Cabo Verde Airlines, afirmou que o objectivo foi no sentido de criar uma “empresa autónoma e que sirva com a necessária equidistância a todos os operadores”.

Deixou transparecer que manter a Handling dentro da TACV, que está no mercado a concorrer com outras empresas, se estaria perante um “conflito de interesses económicos”.

Quanto à transferência mensal de 300 mil contos para TACV, negou que isto tivesse acontecido.

“Nunca transferimos 300 mil contos/mês. Isto terá sido lançado num período de campanha (eleitoral), com o objectivo de tirar dividendos políticos”, afirmou a antiga ministra das Finanças, para quem um dos legados que o anterior Governo deixou foi a “gestão das finanças públicas completamente informatizada, pelo que tudo que sai e entra fica devidamente registado”.

Admitiu, porém, que em 2013 houve um “reforço do capital” da transportadora aérea nacional, seguido de “avalizações de empréstimos”.

Os financiamentos, prossegue Cristina Duarte, tinham que estar associados às despesas relacionadas com as reformas estruturantes da TACV.

O deputado do MpD Luís Carlos, instado pela imprensa sobre as declarações da antiga responsável da pasta das Finanças, considerou que foi uma “boa audição”, uma vez que, diz ele, a CPI esteve a percorrer o período em que ela esteve à frente do Ministério das Finanças.

“Penso que estamos a penetrar mais a fundo nos dossiês. Houve aqui um dossiê particular, que ainda não tinha sido muito falado, que é o processo da mudança de frota”, defendeu o parlamentar, acrescentando que isto teve algum “realce em todo o processo da TACV”, pelo impacto que teve nas contas da companhia aérea de bandeira.

Segundo ele, entre 2010 e 2011, há uma “mudança clara no perfil dos resultados da TACV”, em que se passou de “menos de cem mil contos negativos para dois milhões e tal de contos negativos”.

“Não podemos ficar tranquilos quando notámos que de um ano para o outro há uma mudança radical do perfil dos resultados da TACV”, concluiu Luís Carlos Silva, advogando que a devolução do Boeing-757, B. Léza, e a contratação de outros aparelhos que não chegaram a vir para Cabo Verde contribuíram para o “descalabro” das contas da transportadora aérea nacional.

Por sua vez, Walter Évora, eleito nas listas do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV-oposição), acha que a audições da antiga ministra teve uma “grande utilidade”, porque, avança, a CPI está a passar toda a gestão da TACV durante o período em que ela foi tutela.

“Ela (Cristina Duarte) foi bastante clara e frontal nas questões dos TACV”, sublinhou Walter Évora, destacando que durante a audição os deputados da CPI puderam verificar que houve “várias tentativas para se poder resolver o problema dos TACV que vem desde da década de 90, com agravamento sequencial do passivo da empresa”.

Na perspectiva do deputado da oposição, a audição à Cristina Duarte foi uma “boa oportunidade para se esclarecer a gestão dos TACV. Fonte: Inforpress

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