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Remdesivir na terapia da Covid: OMS desaconselha, ações caem 22 Novembro 2020

A autoridade sanitária mundial em comunicado na quinta-feira, 19, desaconselha o uso do Remdesivir no tratamento da Covid-19. A decisão da OMS — que se baseou em quatro estudos independentes que contradizem a eficácia do antiviral a que a FDA-autoridade americana do medicamento tinha, há menos de um mês, dado luz-verde — teve consequências imediatas: as ações da ’Gilead Sciences’ cairam 7,7 por cento nas principais bolsas de valor.

Remdesivir na terapia da Covid: OMS desaconselha, ações caem

A decisão da OMS contrária ao uso do antiviral para a terapia de casos graves de Covid-19, surge cerca de um mês após o Remdesivir ter obtido total aprovação da autoridade sanitária dos Estados Unidos (EUA: Remdesivir já tem total aprovação para tratamento da Covid-19, 24.out.020).

O antiviral foi recomendado pelo "superdoutor Anthony" Fauci desde há sete meses: "O Remdesivir tem um efeito benéfico, no que respeita ao tempo da duração da doença", pois "pode bloquear o vírus" e "podemos tratar os doentes" (Covid-19 e Remdesivir: Fármaco promete, 30.abr.020). Em junho, o presidente americano mandou comprar toda a produção da empresa Gilead (Remdesivir para 500 mil pacientes de Covid-19: Trump manda comprar toda a produção, 02.jul.020).

A competição cerrada fez-se sentir. Por exemplo, o presidente do Brasil promoveu a cloroquina (Covid-19 e cloroquina: Sem base científica Bolsonaro decreta uso ampliado com autorização do paciente —Trump que tem ações na Sanofi revela: "Tomo hidroxicloroquina", 22.mai020) e a Espanha defendeu o antiviral produto nacional baseado na plitidepsina, substância inovadora obtida de organismos marinhos.

O medicamento espanhol mostrou um "resultado antiviral entre 2400 a 2800 vezes superior ao Remdesivir no modelo de célula vero, uma célula de macaco". Tem "resultados 80 vezes superiores no modelo de células Calu-3, célula pulmonar humana", segundo a empresa farmacêutica espanhola PharmaMar.

"Com estes resultados, podemos esperar uma redução da progressão da doença nos pacientes hospitalizados com pneumonia derivada da Covid-19, assim como o alívio nos sintomas provocados pela pandemia", refere no seu website a PharmaMar.

Terapêutica e a prevenção

O combate à Covid-19 tem mais que uma frente imediata: a terapêutica e a preventiva e esta que está no centro da mais recente peripécia do Remdesivir.

Desta feita, a fiscalização da autoridade máxima mundial sobre a corrida biotecnológica a um medicamento deita abaixo as expectativas de uma empresa, a Gilead — talvez não por muito tempo neste contexto de combate à Covid-19.

O tratamento dos doentes, com as experimentações em torno de medicamentos utilizados em outras doenças. A busca da vacina eficaz, a concorrer em paralelo com a procura do tratamento mais eficaz, no momento em que os óbitos se aproximam do milhão e meio e as infeções ascendem a mais de 57 milhões. (Espanha tem "fármaco mais eficaz que Remdesivir", 06.jul.020).

Fármaco da Pfizer e BioNTech

A "reprovação" da OMS dirigida ao Remdesivir surge na mesma altura em que o consórcio americano-alemão Pfizer-BioNTech — que dirigiu à FDA na quinta-feira, 19, uma autorização e que pode vir a receber no próximo mês — está a fazer contratos de fornecimento de vacinas com os países do primeiro mundo.

A Comissão Europeia aprovou, no dia 18, um contrato com a Pfizer associada com a BioNTech, para o fornecimento de 300 milhões de doses da sua vacina anti-Covid ainda em estádio experimental.
Os Estados Unidos tinham assinado contrato em agosto para 300 milhões de doses, com expectativa de atingir os 3 mil milhões em 2021.

Fontes: Wall Street Journal/outras referidas. Fotos (WSJ/Site Gilead): Eficácia do tratamento com Remdesivir contestada, queda da farmacêutica nas bolsas.

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