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Reino Unido divide-se entre quem condena e quem louva juiz que ordenou aborto a doente mental 25 Junho 2019

A própria juiz, Nathalie Lieven, reconhece que "é uma intrusão imensa o Estado obrigar uma mulher a interromper a gravidez, quando aparentemente não o quer fazer”, mas diz: "Tenho de agir no superior interesse dela", que é deficiente mental.

Reino Unido divide-se entre quem condena e quem louva juiz que ordenou aborto a doente mental

O caso dirimido pela juiz opõe, dum lado, o Estado — com o NHS, o sistema de Saúde britânico, a aconselhar a interrupção da gravidez dado o estado mental da grávida — e, do outro, a família apoiada pela assistente social que acompanha a jovem deficiente mental.

Na sua decisão a juiz, embora reconheça que há oposição por parte da grávida e da mãe, uma parteira reformada que já se ofereceu para cuidar do neto, considera que o trabalho de parto será demasiado traumático para a grávida, na casa dos vinte anos de idade e que tem a idade mental de seis, sete anos.

Sobre a possibilidade de vir a avó cuidar do neto quando já é a cuidadora da filha, a juiz considera que tal é impossível, pois decerto que os serviços de assistência social vão opor-se. Seria impossível, pondera a magistrada, a ex-parteira cuidar dos dois, além de que a filha sofre de mudanças de comportamento que podiam pôr o bebé em risco. A solução seria então que a jovem deixasse a casa e fosse institucionalizada para que a avó criasse o neto.

"Acho que ela gostaria de ter um bebé da mesma forma que gostaria de ter uma boneca", argumenta a magistrada. "Penso que ela sofreria um maior trauma se ao dar à luz lhe tirassem o bebé de que ela não pode cuidar" e que "nessa fase já seria um bebé a sério", lê-se no acórdão de 6ªfª, 2, reproduzido em vários órgãos de imprensa britânicos.

Segundo a informação disponivel , a gravidez em causa — cujas circunstâncias estão sob investigação policial — já vai nas 22 semanas. Por ora, a literatura médica não regista um só caso de viabilidade fetal (fora do ventre materno) às 21 semanas. O único caso conhecido abaixo das 22 semanas é o de Amillia Taylor que nasceu às 21 semanas e seis dias (foto e já tem 3 anos.

O limite de viabilidade fetal fixado, nas três últimas décadas, pelos sistemas de saúde dos países mais avançados é de 24 semanas (nos anos de 1970 era de 28 semanas).
Com cuidados médicos de ponta, há no novo milénio cada vez mais casos de bebés com 22 semanas de gestação que com ventilação e intubação sobreviveram. Contudo a possibilidade de uma taxa de sobrevivência de c. 25 por cento, avançada num estudo inglês de 2015, é contraditada pelo NHS, o sistema de Saúde britânico que aponta taxas entre 2 e 15%.

Fontes: Telegraph/Christian Mail/ Arquivos especializados

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