OPINIÃO

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Recordando Txota Suaris de Chão Bom do Tarrafal 10 Mar�o 2018

Convém realçar que Txota Suaris foi um artista que muito contribuiu na difusão da nossa cultura no exterior. Foi um homem de convívio, de gaita às costas estava sempre pronto a satisfazer os pedidos de amigos para alguma “tocatina” nas festas de casamento, aniversários, baptizados ou num “sarau cultural” promovido por alguma instituição. Foi um homem sociável, e brincalhão, mas, de pouca fala.

Por:Nataniel Vicente Barbosa e Silva

Recordando Txota Suaris de Chão Bom do Tarrafal

Ka nu dexa nos artistas kai na skesimentu so pamodi oji dja ez ka igisti seja di altu ou baxu nivel kada un da se kontributu di se manera.
Nu prizerva sez mimoria. Un kaza ta romba mas pardueru ta fika. Si musika e spedju di nos kultura artistas e alma di di noz kabuverdianidadi.

Ora, em qualquer parte do mundo a data de nascimento é sem dúvida o momento mais importante na vida de uma pessoa. Ela é sempre motivo de satisfação mesmo que essa pessoa deixasse de exisitir. Assim, vamos recordar de forma breve aquele que foi: Félix Lopes Monteiro ou “Txota Suaris” como era artisticamente conhecido que se vivo estivesse completaria no próximo dia 10 de Março do ano em curso, 85 anos de idade.

Txota Suaris foi um trovador popular, radicalmente diferente de qualquer outro do meio urbano, assim o classifica Kaká Barbosa, um outro artista de renome a quem admiro muito.

Recorde-se que Txota Suaris, aos 17 anos, fez a sua estreia radiofónica na então “Rádio Clube de Cabo Verde, na Praia”.

Foi compositor das suas próprias músicas. (Funaná, morna, coladeira) e afinava belas melodias. Conhecia todas as notas musicais e curiosamente mal sabia escrever o seu nome. Txota Suaris não ganhou assim tanta notoriedade no meio urbano tal como sucede aos seus congéneres da música tradicional, nomeadamente: Codé di Dona, Sema Lopi, Bitori Nha Bibinha e outros tantos. Deixou um único Cd gravado; “Valor sem favor”. Segundo Kaká Barbosa Txota Suaris foi um artista muito reservado, enquanto, diz ele: Sema Lopi e Codé di Dona gostavam de cantar e tocar para agradar ao público, Tchota, Suaris preferia apenas tocar. Conclui:Sabia cantar e tinha uma excelente voz,como já tivemos oportunidade de ouvi-lo em várias outras ocasioes.

Convém realçar que Txota Suaris foi um artista que muito contribuiu na difusão da nossa cultura no exterior. Foi um homem de convívio, de gaita às costas estava sempre pronto a satisfazer os pedidos de amigos para alguma “tocatina” nas festas de casamento, aniversários, baptizados ou num “sarau cultural” promovido por alguma instituição. Foi um homem sociável, e brincalhão, mas, de pouca fala. Não tolerava abusos, esta é uma verdade, por isso, neste campo é natural que não tinha lá grandes amigos mas para muitos foi um homem franco e cordial com os seus companheiros. Ninguém está obviamente isento de defeitos o mesmo se pode dizer também das qualidades.” AQUELE QUE ESTIVER SEM PECADO ATIRE A PRIMEIRA PEDRA” (Mateus, VII: 1 e 2). Normalmente o ser humano (nós os cabo-verdianos em particular) temos sempre aquela tendencia de apontar o dedo aos “defeitos” dos outros ignorando os nossos. Como dizemos no nosso bom crioulo de Santiago “santxu ka ta rapara si rabu” e, ainda mais: “ta da ku pedra ta sukundi mo”. Enfim, a nossa língua creoula é rica e bem certeira colocando a nu certos hábitos e costumes da terra.
Um abraço a todos.

Tarrafal, aos 07 de Março de 2018

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