OPINIÃO

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Recordando Barbosa mágico: um fenómeno em pessoa 14 Fevereiro 2018

Nunca se envaideceu do seu talento identificava-se mais como um agricultor de que como artista. Segundo “Txota Suaris” foi por outro lado um exímio tocador de chocalho e um grande dançador nos tempos da juventude. Franzino de corpo, baixo de estatura, mal sabia escrever o seu nome, a sua presença passava-se despercebido mas, no fundo foi um gigante com uma inteligência que fazia inveja aos letrados.

Por: Nataniel Vicente Barbosa e Silva

Recordando Barbosa mágico: um fenómeno em pessoa

Com isto vamos recordar uma das figuras mais lendárias do Concelho do Tarrafal: António Barros Barbosa que se vivo estivesse completaria pois, hoje, 14 de Fevereiro, 82 anos de idade. Barbosa mágico um nome que jamais apagará da memória dos tarrafalenses e não só. Um génio que deixou marcas em todo Cabo Verde. Na Cidade do Tarrafal onde residia, a sua vida foi contudo a de um homem simples sem nenhuma ostentação. Nunca se envaideceu do seu talento identificava-se mais como um agricultor de que como artista. Segundo “Txota Suaris” foi por outro lado um exímio tocador de chocalho e um grande dançador nos tempos da juventude. Franzino de corpo, baixo de estatura, mal sabia escrever o seu nome, a sua presença passava-se despercebido mas, no fundo foi um gigante com uma inteligência que fazia inveja aos letrados. É o tal segredo incutido na alma dos demais artistas da nossa terra nomeadamente às nossas batucadeiras aos nossos poetas, aos nossos compositores, maioria destes pessoas iletradas.

Voltando ao tema do artigo: Barbosa mágico ou “Antoninho” entre os familiares mais achegados nasceu na ilha do Fogo, a 14 de Fevereiro de 1934, no dia de São Valentim. O seu nascimento segundo me confidenciara na vida ocorreu fora do lar, isto é, ao pé de uma árvore, indício de que algo estranho teria vindo ao mundo. O quinto dos nove filhos de um modesto casal. Apenas um resumo das suas peripécias:

Uma história de se arrepiar os nervos

Conta-se tantas coisas do Barbosa mágico que algumas delas nos deixam por vezes de cabelos eriçados. Veja só esta: Barbosa para além da sua arte, também era agricultor. Uma actividade da qual viveu toda a sua vida. No Fogo donde é originário, conta-se que passou um facto que deixou muita gente a esconjurar. Na época das chuvas (tempo das águas) “azágua” como denominamos em Cabo Verde a maior parte dos camponeses como se sabe se dedicam sobre os trabalhos do campo (sementeira, monda e remonda) o pai do Barbosa que também fora agricultor fez a sua sementeira numa área de um hectare. Tendo caído a primeira chuva a semente germinou vertiginosamente juntamente com a palha. Mas, a grande tarefa estava a se desenhar no campo: a primeira monda. O homem encontrava-se apreensivo quanto à primeira monda onde a palha crescia tanto que ultrapassava a estatura do milho, na linguagem dos camponeses: “padja dja sta pasaba midju”. Como encontrar pessoas suficientes para a monda e despachar aquilo num dia? Questionava o pai em casa com os familiares. Encontrar pessoas suficientes não era problema, talvez, o grande problema seria os meios financeiros para resolver a situação já que o trabalho acarretava despesas avultadas e a situação na altura era deveras complicada. Barbosa consciente da condição financeira do pai fez-lhe a seguinte proposta: _ Papá, dexa monda ku mi. Mi so N ta mondal nun dia”. O homem tomou a conversa do Barbosa como um disparate e nem ligou importância. Mas, Barbosa manteve-se calmo e resoluto nos seus planos. No dia seguinte levantou-se muito cedo preparando a sua mochila despediu-se da família e partiu para o campo como prometera. Chegando ao terreno fez as suas “preces” e se entregou sozinho ao trabalho. Por volta do meio-dia a família da casa foi ver o campo e ficaram atónitos quando viram enxadas a se movimentarem num frenesim inexplicável sem presença de ninguém excepto a do Barbosa. Antes das 4 horas da tarde o campo estava totalmente mondado. História como essa é difícil comprovar a sua veracidade. Seja como for “to be or not to be” (ser ou não ser) a vida de Barbosa foi enfim rodeada de mistérios. Uma história semelhante a de um filme. Alguns anos mais tarde viria ele pois, demonstrar de forma categórica os segredos que em si envolvia. Conta-se por exemplo que num dos seus espectáculos em São Vicente/Mindelo tinha no seu plano devorar “comer” uma viatura à frente de todos num campo de futebol mas o facto não se chegou a consumar por discordância do proprietário do veículo.
Ad aetermum
Tarrafal, 12 de Outubro de 2018-02-12

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