ACTUALIDADE

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Presidente de Cabo Verde diz que mundo não se pode impressionar com discursos extremistas 22 Setembro 2022

Presidente de Cabo Verde disse que o mundo não se pode "impressionar com os discursos mais extremistas ou mais violentos", numa reação ao discurso de Vladimir Putin sobre uma escalada nuclear da guerra na Ucrânia.

Presidente de Cabo Verde diz que mundo não se pode impressionar com discursos extremistas

Em entrevista à Lusa, logo depois de ter discursado na 77.ª Assembleia-Geral da ONU, em Nova Iorque, José Maria Neves disse acreditar que o diálogo continua a ser a solução.

"Não nos podemos impressionar com os discursos mais extremistas ou mais violentos. Temos de continuar a persistir na busca de soluções negociadas para os conflitos. Quando há guerra, quando há ausência do diálogo, todos perdem e é o que está a acontecer neste momento: a humanidade está a perder muito com esta guerra na Europa. É preciso - o mais urgentemente possível -, que todas as instituições internacionais e todos os principais países do mundo convirjam no sentido de pararmos esta guerra e encontrarmos soluções mais duradouras para o futuro", disse.

Na quarta-feira, o Presidente russo, Vladimir Putin, anunciou a mobilização de reservistas para a guerra na Ucrânia, referendos para a anexação de territórios ucranianos e prometeu recorrer a "todos os meios ao seu dispor" para proteger a Rússia, numa alusão ao armamento nuclear, acrescentando: "isto não é bluff".

Sobre discurso que levou à Assembleia-Geral da ONU, José Maria Neves afirmou que quis passar ao mundo "uma mensagem de paz".

"O mundo está a atravessar um momento extraordinariamente difícil e complexo. Temos de apelar novamente para valores do multilateralismo e do respeito pela soberania dos Estados, do respeito pela integridade territorial dos países. E temos de apelar sobretudo ao diálogo, à solução negociada de conflitos e para o reforço da cooperação entre os países", afirmou.

O Presidente de Cabo Verde defendeu assim uma "cooperação voltada para o desenvolvimento", "para a dignidade da pessoa humana" e para "defesa da diversidade, do pluralismo, das liberdades e da democracia".

"É esta a mensagem de Cabo Verde, enquanto um pequeno Estado insular em desenvolvimento, que respeita o direito internacional e o multilateralismo, que trabalha para ser um país útil na rede internacional e para construir parcerias para o seu desenvolvimento", acrescentou.

Na intervenção, José Maria Neves declarou que Cabo Verde tem a ambição de integrar o grupo dos Pequenos Estados Insulares Desenvolvidos e libertar-se da necessidade de apoio externo.

Nesse sentido, o chefe de Estado insistiu na necessidade do apoio aos pequenos Estados insulares, que estão confrontados com múltiplas crises, como as alterações climáticas, a devastação provocada pela pandemia da covid-19 e toda a problemática associada à insegurança alimentar.

"É preciso um olhar diferente e atento aos pequenos Estados insulares em desenvolvimento. É claro que nós apelamos para que, sobretudo as grandes potências, possam promover parcerias para, juntos, combatermos efetivamente os efeitos das mudanças climáticas", exortou.

"Temos que acelerar o passo e com os problemas atuais fica ainda muito mais difícil encontrar uma solução que seja consensual. É preciso continuar a fazer esse apelo e insistir nesta necessidade, porque, caso contrário, estamos a caminhar para o fim, para a destruição do planeta Terra. É preciso insistirmos nesta questão", reforçou o Presidente.

Um dos focos desta 77.ª Assembleia-Geral da ONU tem sido a necessidade de uma reforma do Conselho de Segurança, frequentemente rotulado de obsoleto devido à falta de representatividade.

Ao discursar na ONU, o Presidente norte-americano, Joe Biden, apoiou o aumento de membros permanentes e não-permanentes no Conselho de Segurança e apelou para inclusão de África.

Também José Maria Neves concordou com esse posicionamento de Biden, avaliando que a guerra na Ucrânia evidencia essa necessidade de reforma.

"Veja que a Rússia, que invade a Ucrânia, é um dos membros permanentes do Conselho de Segurança e tem poder de veto e é claro que há outras áreas geopolíticas, como a África, como América Latina, como outros continentes, designadamente a Ásia, que estão sub-representados", sustentou.

"Então, as Nações Unidas, a sua estrutura, não respondem hoje à geopolítica mundial. É preciso uma reforma profunda da ONU, desde logo pela mudança do Conselho de Segurança. Também temos feito um apelo nesse sentido. É claro que, enquanto parte da União Africana estamos a propugnar uma participação da África enquanto membro permanente do Conselho de Segurança", frisou o governante.

A Semana com Lusa

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade


  • Mediateca
    Cap-vert

    Uhau

    Uhau

    blogs

    publicidade

    Newsletter

    Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project