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Presidencial em Portugal: Sócrates contra "brutalidade" de Ventura e "maledicência" de Ana Gomes 18 Janeiro 2021

O antigo primeiro-ministro José Sócrates critica a "vaga de degradação política" e de "brutalidade" da extrema-direita e a "maledicência" para "agradar a pasquins" da candidata Ana Gomes.

Presidencial em Portugal: Sócrates contra

José Sócrates publicou na revista brasileira "Carta Capital" na sexta-feira, 15, um artigo com o título "Ventos da tragédia", sobre a eleição presidencial em Portugal que considera estar a seguir os rumos de outras presidenciais, como a dos Estados Unidos.

"Aqui, em Portugal, entrámos também em campanha eleitoral para Presidente da República. E também aqui a vaga de degradação política chegou de forma avassaladora. A entrada na campanha do candidato da extrema-direita [André Ventura] mudou tudo", escreveu o antigo líder socialista.

Segundo José Sócrates, "o espetáculo é agora de violência, agressão pessoal e brutalidade, primeiro nas palavras — começa sempre nas palavras".

"A linguagem não poderia ser mais esclarecedora da inspiração brasileira. Bem vistas as coisas, esta direita salazarista nunca deixou de existir em Portugal. Estava apenas adormecida pela história e à espera do momento certo", defende.

Chegou com André Ventura, que se inspira em "Trump e Bolsonaro" para pôr em prática a ideia de que "a moderação e o civismo democrático são filhos do politicamente correto e é preciso acabar com ele".

"Eis a primeira impressão geral da campanha - selvajaria, baixeza e apodrecimento. Ventos de desafio sopram por todo o mundo. O século vive agora com o fantasma do anterior. Resta saber quem serão os seus filhos", escreve.

Depois, no pós-escrito, do mesmo antigo, José Sócrates refere-se também à atuação da candidata presidencial Ana Gomes para lamentar que a esquerda portuguesa também não resista a entrar "no jogo populista".

"Uma das candidatas usa igualmente a cartada do combate à corrupção, sem nenhum respeito pela inocência, pela presunção de inocência, pelos direitos individuais garantidos pela Constituição ou, mais simplesmente, pela boa educação e respeito devido aos demais. Toda uma carreira política dedicada à maledicência —maldizer os adversários, os ricos, os poderosos e maldizer também os seus próprios camaradas" no PS, critica o antigo líder socialista sobre a ex-eurodeputada socialista.

Para José Sócrates, Ana Gomes — cujo nome nunca menciona — segue a linha de "maldizer para agradar aos pasquins e garantir popularidade".

"O próprio Presidente da República [Marcelo Rebelo de Sousa] tem de se defender das maldosas insinuações da candidata. No final, fica-nos a enjoativa impressão de que nada disto tem outro objetivo que não seja disfarçar um enorme vazio político", remata.

Ana Gomes considera elucidativo que Sócrates a ataque e elogie Marcelo

No dia seguinte, a candidata Ana Gomes ao ser interpelada na comunicação social sobre o que disse o seu antigo colega do PS, escusou-se a dalar sobre "quem organizou o desvio de recursos do Estado" e considerou "elucidativo" que Sócrates a ataque e elogie Marcelo.

Fontes: RTP. Foto.

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