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Preço dos materiais e mais pedidos de ajuda marcam novo ano letivo em Cabo Verde 22 Setembro 2022

Os alunos cabo-verdianos iniciaram esta semana o novo ano letivo, pela primeira vez com “normalidade” após o início da pandemia, mas com materiais mais caros e com o aumento de pedidos de ajuda de famílias carenciadas.

Preço dos materiais e mais pedidos de ajuda marcam novo ano letivo em Cabo Verde

Carmelita Pires, 32 anos e mãe de duas crianças que este ano frequentam o terceiro e o quinto ano de escolaridade no Mindelo, ilha de São Vicente, teve de comprar os materiais escolares dos filhos por entre várias dificuldades: “Em relação ao ano passado estão mais caros, tive de me colocar na fila para conseguir comprar os materiais e mesmo assim não comprei tudo. Uma das razoes é que não havia livros do quinto ano no mercado e tenho de esperar, mas também não havia dinheiro suficiente para todos os materiais”.

Este cenário de ausência de alguns produtos nas prateleiras das livrarias e de aumento dos preços foi confirmado à Lusa pelo gerente da Livraria Terra Nova, centro do Mindelo, segunda maior cidade cabo-verdiana.

“O preço aumentou na origem e automaticamente aumentou aqui em Cabo Verde. E de dia para dia vai ficando mais caro. Um caderno que no ano passado vendíamos por 130 escudos, este ano está à volta de 175 escudos [1,20 para 1,60 euros] e o nosso fornecedor de resma de papéis, por exemplo, já nos alertou que a partir de outubro estará mais caro”, explicou Jorge Duarte.

Para este gerente, a solução seria isentar os materiais escolares de IVA, para ajudar a diminuir o peso das despesas para os encarregados de educação.

Ainda com movimento de pessoas a ultimarem os preparativos para este novo ano letivo, Jorge Duarte estima que haverá até ao final do mês a corrida às prateleiras das livrarias. E com os preços a aumentarem, diminui o poder de compra de muitos cabo-verdianos, surgindo aqueles que recorrem a pedidos de ajuda por falta de dinheiro.

“Aumentaram os pedidos de ajuda, porque todos os anos costumamos oferecer alguns ’kits’ escolares e este ano tivemos de oferecer mais a associações que nos pedem e a pessoas individuais”, garantiu o gerente daquela livraria.

A situação repete-se na Organização das Mulheres de Cabo Verde (OMCV) do Mindelo. Aquela delegação, que todos os anos ajuda pais e encarregados de educação com ’kits’ escolares, tem uma lista com mais de uma centena de pedidos de apoio, mas registou fraca adesão dos parceiros à campanha de recolha e doação de materiais escolares.

“À semelhança de anos anteriores, lançámos a campanha, tivemos alguma doação, mas insuficiente e menor em relação aos anos anteriores. Alguém que no ano passado conseguia nos oferecer cinco cadernos, este ano pôde dar apenas dois e de mais de cem pessoas inscritas, nesse momento conseguimos entregar mais de 40 ’kits’ e ainda temos mais dez disponíveis para entregar”, frisou Fátima Balbina, a delegada da instituição na ilha de São Vicente.

Ao mesmo tempo que regista fraca adesão nas doações, reconhece um número recorde de pedidos de apoios na instituição.

Cabo Verde enfrenta uma profunda crise económica e financeira, decorrente da forte quebra na procura turística - setor que garante 25% do Produto Interno Bruto (PIB) do arquipélago - desde março de 2020, devido à pandemia de covid-19.

Em 2020, registou uma recessão económica histórica, equivalente a 14,8% do PIB, seguindo-se um crescimento de 7% em 2021 impulsionado pela retoma da procura turística. Para 2022, devido às consequências económicas da guerra na Ucrânia, nomeadamente a escalada de preços, o Governo cabo-verdiano baixou a previsão de crescimento de 6% para 4%.

As aulas em Cabo Verde arrancaram na segunda-feira para 131 mil alunos e 6.500 professores, e sem restrições relacionadas com a pandemia da covid-19 três anos depois.

Na OMCV, para conseguirem materiais escolares para metade dos alunos inscritos, foram feitas feiras à porta da instituição, dinheiro que foi utilizado para comprar cadernos e outros materiais já entregues.

Fátima Balbina, que foi professora no ensino secundário, lança aos pais o apelo de planificação para evitar constrangimentos nesta altura em que jovens e crianças são chamados à escola para o novo ano: “Não devem esperar para a última da hora para adquirir os materiais escolares, porque se começassem a adquirir os materiais desde o final do ano letivo anterior, nesse momento não estariam nesta aflição”.

A campanha da OMCV promete ser permanente, já que ao longo do ano são procurados por pais que não conseguem suportar os custos que vão surgindo.

Desde o ano letivo 2019/2020 que o Governo de Cabo Verde alargou a isenção de propina aos alunos do 11.º e 12.º ano, tendo os outros estudantes sido isentos nos anos anteriores de forma gradual.

O Ministério da Educação também anunciou que vai distribuir em todo o arquipélago ’kits’ escolares a cerca de 30 mil alunos provenientes de famílias mais carenciadas.

A Semana com Lusa

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