LUSOFONIA

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Portugal: Tribunal tira 2/3 à pensão de ex-presidente do BCP — Condena-o a devolver 18 milhões 20 Maio 2020

Jorge Jardim Gonçalves vai perder perto de dois terços da pensão de 175 mil euros (19 mil contos) mensais, segundo decisão do Tribunal da Relação de Lisboa, na quinta-feira. O tribunal de segunda instância indeferiu assim o recurso que o banqueiro apresentara. Mais: retira-lhe diversas benesses e obriga-o a devolver dezoito milhões de euros recebidos a mais desde 2008.

Portugal: Tribunal tira 2/3 à pensão de  ex-presidente do BCP — Condena-o a devolver 18 milhões

Segundo a Lusa, a decisão do tribunal da Relação vai permitir ao BCP recuperar os montantes, num total de 18 milhões de euros, que pagou a mais a Jardim Gonçalves desde 2008, ano em que houve ajustamentos salariais na comissão executiva.

O BCP, maior banco privado português, pagava mensalmente 175 mil euros brutos ao banqueiro. Um terço provinha do fundo de pensões do banco e cerca de dois terços (108 mil euros) correspondiam a uma apólice de seguro.

O tribunal de segunda instância confirmou a anulação do complemento de reforma (os 108 mil euros) proveniente da apólice de seguro. A justificação é que o montante excedia os limites de remuneração atribuídos aos administradores atuais.

Em 2012, BCP pediu redução de reforma e benesses de Jardim

Em 2018, o tribunal de Sintra autorizara o antigo banqueiro a continuar a receber a pensão mensal de 175 mil euros, que incluía complementos de reforma e seguros.

A decisão culminava o caso iniciado em 2012 quando o BCP procurou baixar a pensão mensal de 174.857,83 euros e deixar de pagar outras despesas — como os "quatro seguranças com dois automóveis em regime de exclusividade, os custos de transporte em avião privado e cinco automóveis com dois motoristas", segundo o Jornal de Notícias.

BCP — banco com história


O engenheiro tornado banqueiro Jorge Gonçalves — nascido na Madeira de onde saiu para os estudos universitários em Coimbra e Porto— é um dos fundadores em 1985 do BCP-Banco Comercial Português, que tem apoio da Opus Dei, o braço financeiro da Igreja Católica.

Jardim Gonçalves durante vinte anos (1985-2005) liderou o BCP e estava na lista dos homens mais influentes na economia portuguesa. Em 2005, deixou a presidência que foi para o jurista Teixeira Pinto. Mas continuou a influenciar os rumos do banco até 2008, ano em que um conflito entre acionistas assume tais proporções que força a partida de Gonçalves e Pinto.

Um dos episódios que teve impacto forte na sociedade portuguesa foi a discriminação de género que nos primeiros anos da sua fundação o BCP exerceu inscrevendo-o nos seus regulamentos.

Essa interdição do recrutamento de pessoal do sexo feminino valeu-lhe o apodo de BCP-Banco com preconceito. No entanto, o banco resistiu durante anos à mudança dos seus estatutos.

A história mais recente do BCP regista o caso dos dez milhões de Isabel dos Santos impedidos de ir para a Rússia.

Conta-se assim: no dia 30 de dezembro, o BCP-Banco Comercial Português acionou a Polícia Judiciária quando Isabel dos Santos, então residente em Lisboa, tentou transferir para a Rússia 10 milhões de euros da sua conta. A primeira bilionária africana — que depois fixaria residência em Londres — tinha a conta no BCP co-titulada pelo general Leopoldino "Dino" Fragoso do Nascimento.

Fontes: Referidas./Outras históricas.

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade





  • Mediateca
    Cap-vert

    Uhau

    Uhau

    blogs

    publicidade

    Newsletter

    Abonnement

    Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project