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Portugal: GNR encontra pai de Joana e Mariana Mortágua horas após alerta de desaparecimento 12 Janeiro 2022

Camilo Mortágua que participou em 1961 no assalto ao paquete ’Santa Maria’, com perto de mil reféns durante doze dias, foi neste domingo protagonista dum alerta de desaparecimento que foi notícia internacional. Horas depois, Joana Mortágua tuìtou que o pai foi encontrado numa unidade hoteleira a mais de 200 km de casa.

Portugal: GNR encontra pai de Joana e Mariana Mortágua horas após alerta de desaparecimento

No Twitter, Joana Mortágua confirmou o aparecimento do pai. "Pessoal. Obrigada pela vossas mensagens e obrigadão às entidades que se meteram nesta empreitada connosco. O meu pai está a caminho de casa e vai ficar bem", anunciou a deputada já na madrugada de segunda-feira.

"Obrigada por tudo. Estamos bem e orientadas, passou o susto. Pai em casa", tuìtou de novo horas depois.

Segundo o JN, Joana estava numa ação de campanha com Catarina Martins, em Ferreira do Alentejo, quando soube. Deixou tudo e foi ter com a mãe em Alvito, a cerca de 30 quilómetros.

As buscas tiveram início depois das oito da noite, seis horas após o alerta de desaparecimento dado pela esposa de Camilo Mortágua, de 87 anos, pai das gémeas Joana e Mariana (foto).

Segundo a GNR de Alvito no distrito de Beja, Alentejo, as buscas — que envolveram cerca de 20 militares da GNR e cinco bombeiros em duas viaturas da corporação de Alvito — decorreram em vários locais dos distritos de Beja e Castelo Branco.


Desviou um paquete com c.mil a bordo, sequestrou um avião, assaltou um banco, ocupou herdade do duque sem um único tiro

Na madrugada de 22 de janeiro de 1961, Mortágua — que em 1951 emigrara com a família para a Venezuela — foi um dos revolucionários antifascistas que, sob a liderança de Henrique Galvão, desviaram o transatlântico ’Santa Maria’ saído de Lisboa para a rota das Caraíbas.

Embora dominados pela Força Naval dos Estados Unidos, os 22 "bandidos comunistas" (11 espanhóis, 11 portugueses) da ’Operação Dulcinea’ conseguiram o seu intento de chamar a atenção do mundo para a luta antifascista — simultânea à luta pela descolonização.

Meses depois, em novembro, Mortágua e outros seis "bandidos comunistas" (de novo a classificação oficial sob Salazar) entraram no cockpit do avião da TAP, saído de Casablanca, de onde conseguiram lançar milhões de panfletos com mensagens políticas sobre Lisboa. Regressados a Marrocos, cinco foram deportados para o Chile, mas Mortágua conseguiu obter asilo político no Brasil.

Em 1967 aos 33 anos voltou a Portugal com o único "objetivo revolucionário de procurar financiamentos para ações contra a ditadura". Em concreto: o assalto bem sucedido ao Banco de Portugal na Figueira da Foz, a 160 km da capital portuguesa.

Em 1974 no pós-25 de Abril, Mortágua nascido no norte de Portugal fixou-se em Alvito, no sul. "Nunca fui julgado nem condenado, tenho a ficha limpa", disse em entrevista ao El País na sua casa de Alvito, onde aos 52 anos foi pai pela primeira vez em 1986.

Desiludido da esquerda — como o Alentejo do Chega? Na recente entrevista ao El País, o antigo combatente reconheceu que mudou, deixou de acreditar no que as duas Mortágua ainda acreditam.

“Discutimos muito. Estamos longe [mais de] 50 anos, elas creem em coisas em que eu já deixei de acreditar".

"Digamos que tenho grandes dúvidas democráticas sobre os partidos políticos. Não se pode deixar que a militância partidária conduza à demissão completa das opiniões próprias. Se não estou de acordo, não me calo. Para isso dei 30 anos", rematou.

Fontes: RDP/BBC/DN. Fotos: Camilo participou no assalto ao ’Santa Maria’ tinha ele 27 anos: a mesma idade da Mariana ao estrear-se (em set.013) na Assembleia da República Portuguesa.

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