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Polémica sobre situação em Filipe: GPAIS denuncia que famílias vivem com quadro dólares por dia, Presidente da Câmara ao léu 22 Junho 2018

«Famílias vivem com quatro dólares por dia em Filipe, presidente da Câmara ao léu». É desta forma como a Comissão Permanente do Grupo Por amor Incondicional a S.Filipe ( GPAIS) reagiu, esta sexta-feira, à conferência da imprensa de ontem proferida pelo Edil Jorge Nogueira, acusando o líder do Grupo Luís Pires, que foi ex-presidente da Câmara, de sede pelo poder e de alegada má gestão.

Polémica sobre situação em Filipe: GPAIS denuncia que famílias vivem com quadro dólares por dia, Presidente da Câmara  ao léu

Com isso, está retomada a polémica entre autarcas no poder e na oposição sobre a situação socioeconómica difícil que se vive no concelho que tem a cidade dos sobrados como sua capital. Tudo, segundo alguns residentes, por causa da seca que assola o país e da falta de politicas públicas suficientes para diminuir os efeitos do mau ano agrícola na vida das pessoas.

Replicando as críticas da Câmara, Luís Pires não poupou o Edil Jorge Nogueira, ao ler aquilo que considera ser a sua cartilha pela obsessão ao poder, enumerando vários factos desde quando estava na oposição a presente data. «Convenhamos Sr. Presidente! Ninguém mais em Cabo Verde tem mais sede e fome do poder, do que quem passou 40 anos a correr atrás do poleiro. A ganância era tanta que chegou a ser Vereador e Deputado ao mesmo tempo!».

Respondendo às acusações sobre o aproveitamento político com o mau ano agrícola, Pires fez questão de realçar que Nogueira está proibido de falar acerca de aproveitamento da desgraça, enumerando o seu envolvimento em vários casos dramáticos «O povo do Fogo pediu-nos para dizer ao Sr. Jorge Nogueira que, sobre o aproveitamento da desgraça, ele está proibido de falar. Quem ensaiou dormir nas tendas da erupção vulcânica, teatralizando a maior desgraça da ilha que coincidiu com a seca de 2014, tendo, antes, mandado chumbar o orçamento da Câmara que, pela primeira vez, na sua história, passou o ano inteiro a gerir duodécimos, não tem moral para falar em tirar proveito de coisa alguma».

O comunicado da Comissão Permanente do GPAIS salienta que é lamentável que a Câmara esteja a pagar menos de quatro dólares por dia a alguns trabalhadores, quando herdou da Câmara anterior vários fundos e projectos financiados. «É inadmissível que uma Câmara que tenha herdado do nosso mandato, mais do que 200 mil contos para reparação e construção de escolas, cerca de 150 mil contos para levar a água a Campanas de Cima, meio milhão de Euros para Salinas, valores a rodar os 200 mil contos para o Ecopark de São Filipe, 5.000 contos para a Praça da Cruz dos Passos; que tem por receber cerca de 200 mil contos da Electra; que fez um empréstimo de 170 mil contos; que recebe anualmente 40 mil contos da taxa do ambiente, 35 mil contos da taxa do turismo, sem contar com cerca de 14 mil contos mensais do fundo de financiamento municipal e ainda com as receitas municipais, esteja, em pleno século XXI, a ‘refugar’ as FAIMO, numa reedição mitigada, pagando escandalosamente pouco mais do que 4 dólares por dia às poucas pessoas que tiverem a sorte de se alistar nesse trabalho pontual e precário».

Trabalho escravo e ameaças

Referindo-se ao quadro social, o líder do GPAIS cita a confissão de um dos chefes de família, que sendo disse confidenciou-lhe, desanimado, que receber à volta de quatro dólares por dia é trabalho de escravo. «Tenha dó Sr. Presidente, tenha piedade e diga aquela verdade que não tem nada a ver com os números daquele papel que, nervosamente, sacudiu nos ares. A ver por aquilo que disse, tudo vai bem neste ano de crise. Não será, pois, necessário diminuir a taxa alfandegária; Não será necessário isentar, para nenhum aluno, as taxas de matrícula, nem as propinas do 7º ao 12º que, conforme as campanhas, seriam implementadas de uma só vez, ainda em 2016; De sementeiras e apoios para os camponeses mais pobres, nem precisamos falar porque os bidões estão cheios e ainda há granéis nos quintais! Continue a brincar com a barriga do povo, Sr. Presidente», advertiu o político.

Diante dos anúncios de processos judiciais, Luís Pires faz questão de realçar que não tem medo dos tribunais porque quem não deve não teme. «Fizemos uma gestão justa, transparente e democrática que é exactamente o contrário do que o sr (Jorge Nogueira) está a fazer neste momento», conclui o líder do GPAIS, para quem
por São Filipe e pela sua querida ilha, as vozes do Fogo não podem calar-se!!

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