ACTUALIDADE

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Polémica: Comissão Nacional de Protecção de Dados manda retirar câmaras de videovigilância da redação e estúdio da TCV11 Junho 2018 11 Junho 2018

A chefia da informação da Televisão Pública continua, segundo observadores críticos, sem rumo nem direção, violando gravemente a liberdade da informação e independência dos jornalistas. É que, a par das denúncias de censura e manipulação sobre partidos da oposição e organizações da sociedade civil, agora a Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD) teve de intervir. Em causa, as câmaras de videovigilância instaladas recentemente na redação e estúdio da Televisão de Cabo Verde (TCV), como garante o presidente da CNPD, Faustino Varela, que em declarações à imprensa explica que a CNPD mandou retirar o sistema de videovigilância montado nos estúdios e na redação da televisão nacional, “por entender que para a avaliação de um trabalhador não é necessário recorrer a este tipo de sistema”.

Polémica: Comissão Nacional de Protecção de Dados manda retirar câmaras de videovigilância da redação e estúdio da TCV11 Junho 2018

A polémica instalou-se com a medida da TCV em causa. Conforme explicou o presidente da CNPD, a instituição recebeu o pedido de autorização para a instalação do sistema de videovigilância nas instalações da TCV, mas “proibiram” que o mesmo fosse montado na sala de redação e no estúdio da estação. Por isso, avisam que a CNPD irá verificar, proximamente, se a direção da TCV já cumpriu com a decisão.

Segundo diz a mesma fonte, "o pedido foi negado por se considerar que não faz sentido ter câmaras na redação e estúdio já que existem muitas câmaras na televisão, mas também por ser algo desproporcional, sobretudo na redação que, a seu ver, é um espaço de excelência e de trabalho jornalístico".

Explicou ainda que o código laboral proíbe a utilização desses equipamentos para avaliar a produtividade dos trabalhadores independentemente de serem jornalistas ou não.

Videovigilância na redação " belisca a independência dos jornalistas"

Uma das vozes que manifestaram o seu agrado – diante da decisão da Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD) de anular a medida da TCV – é a da Margarida Fontes. Na sua página pessoal do Facebook, a jornalista afirmou que a instalação do sistema de videovigilância na redação da TCV belisca a independência dos jornalistas.

Fontes aplaude a ação da entidade que “estribando-se na Constituição e no Código Laboral” sustenta "tratar-se de uma medida (da TCV) que, a par de outras violações, belisca a independência dos jornalistas. Haja entidades independentes nesta terra, já que a posição dos trabalhadores, por si só, tem sido cada vez menos levada em conta. Até parece que algumas chefias andam em transe, a considerar que as instituições lhes pertencem e os trabalhadores seus dependentes. Passam por cima da lei, com o simples intuito de intimidar, o que conseguem, aqui e acolá."

No mesmo post, outra jornalista da TCV, Aidé Carvalho, comenta: "Desde o início, mostrei a minha insatisfação em ter as câmaras me vigiando enquanto trabalho. Agora com esta decisão sei que existe neste país uma entidade à altura de proteger os meus direitos, como o da privacidade".

Outra reação foi do Jornalista Carlos Santos. ‘Colocar câmaras de vídeo na redação de um órgão de comunicação social? Não se entende outra motivação que não seja "espiar" a atividade dos jornalistas..’, questiona aquele jornalista da Rádio Nacional de Cabo Verde.

Nicolau Centeio

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade
Cap-vert

Newsletter

Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project