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Parlamento: Governo justifica atraso no recenseamento na diáspora com dificuldades na mobilidade 06 Janeiro 2021

Anunciou à Inforpress, que o secretário de Estado-Adjunto do ministro do Estado, Carlos Monteiro, justificou hoje o atraso no recenseamento na diáspora com dificuldades na mobilidade, derivado da pandemia de covid-19, que impediu o envio dos kits de recenseamento e dos técnicos.

Parlamento: Governo justifica atraso no recenseamento na diáspora com dificuldades na mobilidade

Durante uma intervenção hoje, no Parlamento, na sequência de uma declaração política do PAICV, Carlos Monteiro, adiantou que há da parte do Governo todo o engajamento para garantir a participação efetiva dos emigrantes nas próximas eleições legislativas de Cabo Verde.

Entretanto, adiantou que não se pode ignorar que devido à pandemia de covid-19, houve muitas dificuldades de mobilidade, sobretudo, na Europa.

“Há países confinados, com elevadas restrições a nível da mobilidade, e tudo isso causa algum atraso, alguma dificuldade na gestão de todo o processo”, explicou, indicando que os equipamentos começaram a ser distribuídos, estando inclusive o processo iniciado em alguns países.

“Os kits de recenseamento já avançaram para a Europa e no dia 10 avançará para o Brasil para cobrir Brasil e Argentina, vai durante este mês avançar para Dakar para cobrir Senegal, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe. Na França já estão três kits e outros kits deverão chegar porque a partir de França vão ser distribuídos por outros países”, precisou.

Por outro lado, lembrou que Cabo Verde sofreu um ataque cibernético, que tem dificultado, da parte do Núcleo Operacional para Sociedade de Informação (NOSI), a disponibilização de técnicos para participarem nesse processo.

“Pouco a pouco tem havido essa disponibilidade dos técnicos e tem-se dado vazão à sua deslocação para efetivar o processo de recenseamento”, disse, adiantando ainda que parte do orçamento também já foi transferida para as Comissões de Recenseamento Eleitoral (CRE).

“Se há coisa que o executivo suportado pelo MpD não pode ser acusado é de não querer a participação política dos cabo-verdianos na diáspora. Vamos continuar empenhados nesse processo. A diáspora cabo-verdiana vai poder participar ativamente, de forma livre, nas próximas eleições legislativas”, garantiu Carlos Monteiro.

Entretanto as justificativas do secretário de Estado não foram aceites pelos partidos da oposição, PAICV e UCID, com os seus representantes, Rui Semedo e António Monteiro, respetivamente, a argumentarem que o recenseamento na diáspora deve ser contínuo e não devia ser suspenso.

“O recenseamento poderia ter sido atualizado ao longo dos anos. Não se fez, e agora vai-se fazer sob pressão. Temos informações de grandes reclamações nos EUA. Programas estabelecidos, com indicações de datas, horas e locais e as pessoas vão lá e não aparece nem os recenseadores e nem os kits”, denunciou Rui Semedo.

Na sua perspetiva essa situação só pode ser interpretada “como uma manobra para não permitir que os emigrantes se inscrevam para estarem aptos para participarem nas próximas eleições”.

Na mesma linha de ideia, o deputado António Monteiro considerou exagerado este atraso e pediu que o Governo admita que falhou nesse processo.

“Nós acreditamos que a covid-19 pode ter tido alguma influência, mas todos nós sabíamos de antemão que teríamos eleições legislativas neste ano de 2021”, sustentou.

As eleições legislativas em Cabo Verde ainda não foram marcadas, mas, de acordo com as regras do código eleitoral, as mesmas devem acontecer entre 21 de Março e 21 de Maio. O recenseamento deve ser suspenso 60 dias antes da data das eleições, finalizou a mesma fonte.

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