NOTÍCIAS

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Praia acolhe I Festival Internacional de Percussão: Fabrico com repicar de tambores nos vários ritmos 22 Julho 2018

Está entrar na recta final com boa participação de nacionais o I Festival Internacional de Percussão, que vem decorrendo, desde o dia 02 de Julho, em vários palcos culturais da Cidade da Praia. Promovida por Cabo Verde e Brasil que têm uma forte ralação histórica e cultural, a iniciativa tem-se erigido, segundo fontes deste jornal, num repicar de tambores, construídos por formandos, nos mais variados estilos tradicionais – espera-se que não faltará, até o término do festival, o ensino dos toques do samba de Brasil, da bandeira do Fogo nos mais variados ritmos, da tabanca com batuque de Santiago e do colá sanjon da região norte de Cabo Verde.

Praia acolhe I Festival Internacional de Percussão: Fabrico com repicar de tambores nos vários ritmos

Em nota remetida ao Asemanaonline, a organização informa que o festival é promovido pelo projeto e bloco afro Tambores do Mundo, que em 2018 completa dez anos de fundação. «Durante todo o mês de julho, a Ilha de Santiago vai reunir músicos de diferentes partes do mundo para celebrar, através da música, o encontro de representantes de percussão de Angola, Senegal e Espanha, além, claro, de Brasil e Cabo Verde. O festival é promovido pelo projeto e bloco afro Tambores do Mundo, que em 2018 completa dez anos de fundação», diz o documento.

Segundo a mesma fonte, as atividades do festival estão acontecer na Cidade da Praia, Ilha de Santiago, de forma descentralizada. Vem sendo realizadas no Estádio Nacional, na Escola Secundária Polivalente Cesaltina Ramos, em espaços públicos e praças, bem como nas praias urbanas como Prainha e Kebra Kanela.

De acordo com o programação do festival, estão previstos a realização de workshops teóricos e práticos, cursos sobre construção de tambores, estágios para estrangeiros e também para a comunidade de Cabo Verde.

«Entre os temas dos diversos encontros programados estão aulas de gestão cultural e ritmos afro-descendentes como a Masterclass de Ritmos Sagrados Afro-Brasileiros ministrada por Mário Pam e Patinho Axé, ambos mestres de percussão que cresceram nos terreiros de Candomblé e blocos afros da Bahia, e idealizadores do Tambores do Mundo. Junta-se ao time o também percussionista baiano, Edgato, que irá ministrar outros cursos durante o festival», realça o documento.

Na página sua oficial no facebook, os mentores do projecto afirmam satisfeitos com os apoios recebidos de empresas e instituições nacionais e a participação dos formandos, com destaque para os da Escola Secundária Polivalente Cesaltina Ramos e os representantes das batucadas da Ilha de Santiago, salientado o entusiasmo destes.

Travessia do Atlântico e fábrica de tambores

Conforme a organização, o certame visa celebrar a travessia ao Atlântico no sentido contrário ao dos navios negreiros. “Esse encontro celebra a travessia do Atlântico no sentido contrário ao dos navios negreiros, do Brasil até Cabo Verde, para encontrar o elo entre a música dos dois países e isso é muito simbólico para toda a equipe do Tambores do Mundo”, explica o produtor musical e diretor executivo do projeto, Eduardo Escariz.

Para este responsável, na primeira etapa do projeto tem sido criado um espaço para a reforma e construção de tambores. Parte desses instrumentos ficará para a comunidade cabo-verdiana e outra parte será comercializada para sustentabilidade da fábrica artesanal. « Essa oficina vem sendo ministrada por Walter Künzi, suíço integrante do Bloco Curumim Batuke, sediado em Cumuruxatiba no Sul da Bahia, acompanhado pelo Mestre Kwame Gamal, ativista musical de Cabo Verde e por Mestre EdGato do Bloco Afro Ilê Aiyê».

Durante o festival, será realizada também uma campanha colaborativa via web para potencializar a produção da fábrica artesanal de instrumentos de percussão.

Campanha colaborativa e pesquisa

Segundo a mesma fonte, esse será o trabalho “corpo a corpo” junto às comunidades para saber o número de grupos de percussão existentes na Ilha de Santiago, como estão as condições dos instrumentos, quais tipos são utilizados, e além de tudo, capacitar pessoas para construir seus próprios tambores, em que o custo ficará mais barato dos que são comercializados. Além disso, quem participar do curso terá oportunidade de vivenciar a cultura que existe ao redor desse instrumento ancestral e aprender muita coisa sobre sua própria história”, explica Escariz.

“O propósito do Tambores do Mundo é dar visibilidade à trajetória da percussão, em conjunto com as artes que caminharam lado a lado em todo percurso da humanidade: a capoeira e a dança”, explica Mário Pam. “Nossa proposta é trabalhar com o resgate da história perdida. Existem ritmos que não foram compartilhados, instrumentos que não ganharam conhecimento popular, guardiões de códigos culturais que foram exterminados e raízes que foram amputadas, sobretudo em local como Cabo Verde, onde os negros que chegavam neste entreposto onde passavam por um processo de “desafricanização”, antes de serem vendidos para partir para o novo mundo”, complementa Mário.

Os promotores do evento consideram que a iniciativa «Tambores do Mundo» é um projeto de intercâmbio cultural que recebe alunos de todas as partes do mundo para uma vivência musical, cultural e social na comunidade do Curuzu em Salvador do Brasil, local onde surgiu o bloco Ilê Aiyê, a mais tradicional agremiação afro da Bahia. «Durante quase um mês, os estrangeiros participam de oficinas musicais, dança e história da cultura afro-baiana. O projeto traz essa oportunidade dos estrangeiros terem uma vivência profunda em Salvador, no bairro onde nascemos integrando-se à comunidade e conhecendo a realidade de Salvador”, explica Patinho, concluindo que agora chegou a vez de Cabo Verde.

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade
Cap-vert
Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project