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Reino dos Países-Baixos: Escândalo dos abonos de família faz cair governo 18 Janeiro 2021

O primeiro-ministro neerlandês, Mark Rutte, anunciou na sexta-feira, 15, a sua demissão após milhares de famílias terem sido erradamente acusadas de fraude com o abono de família e até obrigadas a devolver dinheiro. O escândalo já tinha levado à demissão do líder do Partido Trabalhista holandês, que foi ministro dos Assuntos Sociais e do Trabalho. As eleições estão previstas para 17 de março.

Reino dos Países-Baixos: Escândalo dos abonos de família faz cair governo

"O estado de Direito tem que proteger todos os seus cidadãos de um governo todo-poderoso e há algo que correu horrivelmente errado", disse Rutte, ao confirmar que tinha apresentado a demissão do governo ao rei Guilherme-Alexandre.

"Pessoas inocentes foram criminalizadas e tiveram as suas vidas arruinadas", disse Rutte aos jornalistas, admitindo que a responsabilidade do que aconteceu era do governo.

O liberal Rutte, que está no poder desde 2010, lidera um governo de coligação de centro-direita que inclui quatro partidos. Os trabalhistas atualmente na oposição tinham, entre 2012 e 2017, participado do segundo executivo liberal e foi em 2013 que tudo começou, quando Asscher era ministro dos Assuntos Sociais e do Trabalho.

Conhecido como Rutte "teflon", porque até agora tinha sobrevivido aos escândalos nos sucessivos executivos que liderou, o primeiro-ministro e líder do Partido Popular para a Liberdade e Democracia (VVD, na sigla original), continua a ser o favorito à vitória nas eleições de março. Em segundo lugar, está o partido de extrema-direita de Geert Wilders.


Escândalo

O caso veio a público no mês passado com a divulgação do relatório de uma comissão de inquérito parlamentar.

De acordo com o documento, entre pelo menos 2013 e 2019, os serviços fiscais holandeses terão acusado injustamente milhares de pais (26 mil, segundo as contas), muitos deles imigrantes que tiveram de devolver o dinheiro recebido e viram cancelada a atribuição de apoios.

Em alguns casos, o montante a devolver pelas famílias rondava as dezenas de milhares de euros.

Durante uma grande parte desse período, o Ministério dos Assuntos Sociais e do Trabalho holandês foi tutelado por Asscher. Num vídeo no Facebook, o líder trabalhista alega que "as recentes discussões sobre o (seu) papel neste caso" não lhe permitiam continuar na liderança do PvdA, que assumiu em 2016.

O político negou ter tido conhecimento de que a autoridade fiscal holandesa estava "a perseguir erradamente milhares de famílias", admitindo, porém, que um sistema com falhas "fez do Governo um inimigo do seu povo". Lodewijk Asscher informou igualmente que não será candidato a uma eventual reeleição e que se retira da liderança da lista do partido nas próximas legislativas.

Fontes: AP/Telegraaf. Foto (Getty): O primeiro-ministro chega de bicicleta , como é seu hábito, à reunião do Conselho de Ministros.

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