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PAICV indignado com a perda de 10 pontos de Cabo Verde no Ranking de Corrupção 05 Julho 2018

O Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) mostra-se preocupado com a queda - menos 10 pontos num ano - do País no Ranking da Corrupção. É que, segundo o seu secretário-geral, Julião Varela, durante uma conferência de imprensa realizada esta quarta-feira, 04, na Cidade da Praia, a oposição vem alertando, "permanentemente", para os indícios de intransparência na gestão da coisa pública no País - caso da Tecnicil, financiamento de um filme português, sem concurso público, em mais de 20 mil contos, negócios poucos claros com Binter-CV, entre outros.

PAICV indignado com a perda de 10 pontos de Cabo Verde no Ranking de Corrupção

Com base na recente divulgação pela ONG’s Transparências Internacional sobre o Índice de Corrupção de 2017, o PAICV considera que a queda do País no "ranking" de corrupção significa uma degradação da imagem externa, com riscos evidentes, se não forem tomadas medidas para repôr o rigor e a transparência na gestão dos poucos recursos que Cabo Verde dispõe.

Por esta e outras razões, Julião Varela aponta o dedo ao executivo de Ulisses Correia e Silva, alegando que o País poderá ficar comprometido por falta de competitividade, afugentar o Investimento Direto Estrangeiro e comprometer o futuro. "Afirmamos sem surpresas porque a situação real do País apontava para a falta de transparência na gestão da coisa pública e uma grande confusão na mistura de interesses públicos, com os interesses particulares e pessoais".

Caso Tecnicil e outros negócios obscuros

Perante esta situação por que passa Cabo Verde, Varela enumera algumas casos ocorridos recentemente, nomeadamente o que envolveu o Vice-primeiro-ministro e Ministro das Finanças, com os seus interesses na Tecnicil; a autorização para financiamento de um filme português, sem concurso público, em mais de 20 mil contos (200 mil Euros); negócios obscuros e confidenciais estabelecidos entre o Governo e a Companhia Binter, sem qualquer explicação e resultado; oferta "miserável" de vales-cheques para o combate e mitigação do mau ano agrícola; oferta de terrenos públicos a pessoas próximas do partido que sustenta o Governo.

"Como ilustram os dados, em 2016, Cabo Verde se encontrava na posição 38 e desceu para a posição 48, no ranking de 2017, e esta queda é muito acentuada se levarmos em conta o curto período de tempo de, apenas um ano. Não há como esconder, Cabo Verde está, a olhos vistos, com maior índice de corrupção. Aliás, éramos segundo em África em 2016 - Perdemos uma posição - Caímos para 3ª Posição, atrás de Botswana e Seychelles", destaca.

O maior partido da oposição sublinha ainda que o nível da corrupção em Cabo Verde deve-se, do ponto de vista económico, à ineficiência produtiva das instituições, ineficácia na concretização de maior bem-estar das populações, maior desigualdade na distribuição de rendimentos e menor crescimento económico de longo prazo.

Celso Lobo

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