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PAICV considera “improvável” cumprimento da meta fixada do crescimento em média de 7% ao ano 16 Julho 2019

O Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição) considerou hoje ser cada vez “mais improvável” o cumprimento da meta fixada do crescimento em média de 7 por cento (%) ao ano.

PAICV considera “improvável” cumprimento da meta fixada do crescimento em média de 7% ao ano

A afirmação é do secretário-geral do maior partido da oposição, Julião Varela, que, segundo a Inforpress, reagia deste modo em conferência de imprensa hoje, na Cidade da Praia, aos dados publicados pelo Instituto Nacional de Estatística sobre as Contas Trimestrais relativas ao ano de 2019, tendo sublinhado que está claro que esses números tinham sido lançados sem qualquer suporte técnico.

“Está claramente posto de lado esta meta, aliás, nós também vimos que mesmo as organizações internacionais, nomeadamente o FMI e o Banco Mundial, já não fazem qualquer referência a esse nível de crescimento. Falam, sim, em crescimento que poderá atingir os 4 ou 4,5%”, disse.

Segundo o político, com os dados publicados recentemente, o INE confirmou que, afinal, em 2017 o crescimento não foi de 4%, mais sim de 3,7%, o que representa uma redução de 1,0 p.p em relação ao ano de 2016 que se confirma em 4,7%.

Referiu ainda que o INE reviu também os dados referentes ao crescimento de 2018, isto é, já não se deve falar dos 5,5%, mas sim, de 5,1%.

“Tanto os dados do INE com os constantes nas contas de execução do Orçamento do Estado para 2019, indicam uma desaceleração da economia e que o crescimento económico está a ser impulsionado pelos gastos do Estado, que aumentam em mais 20,8% no primeiro trimestre deste ano, e pelos impostos”, disse, alertado ao Estado a conter esses gastos sob pena de comprometer os indicadores macroeconómicos do país.

Segundo ainda a Inforpress, o maior partido na oposição reconheceu que tem havido crescimento, mas este crescimento a seu ver, é “mais estribado” em condições externas e ambiente favorável a nível internacional do que resultado de medidas de política deste Governo.

Por outro lado, conforme o secretário-geral do PAICV, os dados apontam uma redução drástica do nível de investimentos, isto é, obteve uma variação negativa de – 11,4% quando em 2018 era positivo, na ordem dos 14%.

Aumento da dívida e instrumentalização do INE

Os dados de INE, informou, indicam ainda “total abandono” do sector primário como a agricultura e a pesca, tendo a agricultura um peso negativo de -1,0 % e as pescas com -22,5%, na contribuição para o Produto Interno Bruto.

Julião Varela criticou o facto de a dívida pública continuar a aumentar e o Governo continuar a assumir riscos das empresas com a concessão de avales e garantias.

“A dívida interna já está em 34%. Temos ainda que apontar a estratégia de instrumentalizar o Instituto Nacional de Previdência Social na implementação das políticas do Governo. Foi envolvida na AFrixbank, na CVTelecom e prepara-se o seu envolvimento na questão do Fundo Soberano”, criticou.

A mesma fonte realçou o facto de os cabo-verdianos estarem preocupados porque a economia doméstica está a dar “sinais de stress”, com falta de produtos no mercado como açúcar, gás, cimento e medicamentos.

Neste sentido, terminou dizendo que com o aproximar do debate sobre aprovação do último Orçamento de Estado deste mandato “a tentação” será de procurar resolver tudo o que poderá provocar “grandes desequilíbrios macroeconómico, endividamento e aumento do défice orçamental”.

Julião Varela criticou também os atrasos na publicação de dados seja por parte do INE, seja do Ministério das Finanças, no que diz respeito às contas, conlui o político citado pela Inforpress.

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