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Contestação à liderança do MpD: Orlando Dias manifesta em carta dirigida a Ulisses Correia e Silva intenção de se candidatar ao cargo de presidente do partido 27 Janeiro 2022

A liderança de Ulisses Correia e Silva já está a contar com contestação interna clara. A um ano da convenção ordinária, o militante e deputado nacional do Movimento para Democracia (MpD-poder), Orlando Dias, acaba de manifestar, em carta dirigida ao presidente do partido, Ulisses Correia e Silva, a sua intenção de assumir a direção daquela força partidária em 2023.

Contestação à liderança do MpD: Orlando Dias manifesta em carta dirigida a Ulisses Correia e Silva intenção de se candidatar ao cargo de presidente do partido

Orlando Dias, que é médico de profissão e um dos vice-presidentes do parlamento da CEDEAO, tem sido crítico nas suas intervenções, desde o início desta legislatura em maio de 2021, quando a sua candidatura a vice-presidente da Assembleia Nacional foi chumbada com votos dos colegas da sua bancada.

Revoltado com este fato, tinha denunciado que foi traído por 10 deputados do MpD, incluindo cinco membros do Governo de Ulisses Correia e Silva. «No mínimo, dez deputados eleitos do meu próprio partido traíram-me, incluindo membros do Governo -5», indicou.

Sem papas na língua, Orlando Dias foi mais longe, avisando para possíveis retaliações com consequências políticas imprevisíveis para o sistema MpD. «Haverá consequências imprevisíveis...», fez questão de realçar no post que publicou na sua página de Faceboock.

O deputado criticou, recentemente, os gastos de 400 milhões do atual governo em combustíveis para 1300 viaturas do Estado, propondo que sejam reduzidos para metade, assim como a pobreza extrema e desigualdade social que precisam também de ser reduzidas em Cabo Verde.

Na carta, a que a Inforpress teve hoje acesso, Orlando Dias, começa por defender que a permanente análise das organizações partidárias transforma-se, no presente, numa privilegiada via para a competente compreensão do processo de revitalização da democracia nas diversas sociedades, nos mais diversos sistemas sociais.

Na missiva, este deputado eleito pelo círculo eleitoral da África, escreve que fez “análises cuidadosas” do País e do desempenho do MpD sob a liderança de Ulisses Correia e Silva, que tem exercido o poder de 2016 a esta parte, e chegou à conclusão de que “há quem disponha de ideias completamente diferentes e, de todo, servidoras” para a condução do partido.

De facto, o MpD não consegue, nos anos decorrentes de 2016, atingir uma organização multiplicadora da renovação de energias sociais, nacionais. ‘In fini’, o papel do MPD tem de ser vertido para impulsionar uma envolvente vontade colectiva, apoiando-se na maior “economia de forças” pelo País”, acrescentou.

Orlando Dias afirmou ainda que há uma fronteira de novos ideais, bem como de novos interesses a serem desencadeados, bem interligados com o contexto de moderna organização e funcionamento do partido, a par de consequente cultura de desempenhos por que passa, ou deve passar, o sistema da comunidade nacional, em linha com “positiva e contagiante indução”.

Venho, com a devida consideração, apresentar, junto de si (…) a minha declaração de intenções à liderança do Movimento para a Democracia, em Convenção ordinária a acontecer, aproximadamente, em meados de 2023, isto enquanto militante com todas as capacidades orgânicas e estatutárias para assim agir”, declarou.

Orlando Dias disse ainda que “numa convincente atitude de moralização da vida partidária”, Ulisses Correia e Silva passará a estar informado das actividades a serem realizadas por ele, a partir daqui.

Não podemos desperdiçar o tempo e suas circunstâncias em desentendimentos internos, porque o substrato de fundo é, e tão só, o de preparar o partido para o próximo ciclo político que tem pela frente, com a magna reunião em Convenção dos militantes, em 2023. Pensamos, sem nenhum subterfúgio, que todo o tempo será tempo de unir e de construir pontes para um novo futuro de Cabo Verde”, frisou.

Ainda na missiva, Orlando Dias prometeu um “rigoroso trabalho” na construção de uma moção estratégica de orientação política geral do MpD, que se pretende que, a seu tempo, venha a ser um “inovador instrumento” para orientar a evolucionária actuação de Cabo Verde, no correr do médio e longo prazos.

Creia que venceremos, todos, porque a nossa causa é justa: Realizar, Crescer e Modernizar, num processo de compromissos intergeracional, para que Cabo Verde siga em frente e defronte os desafios do futuro com o preparo estratégico essencial. Em que todos terão uma participação activa, directa e os cabo-verdianos beneficiarão de todas as subsequentes oportunidades”, lê-se.

Em nome de um “representativo número de militantes”, Orlando Dias afirmou ainda que a sua candidatura estará a “contribuir para um progressivo salto de elevação a uma sociedade mais inovadora, mais abrangente e participativa nas decisões políticas, senão mais realizadora de riquezas, mais justa e livre”.

Em particular, é deste modo que me coloco à disposição para a liderança do partido. Porque é consciência geral de que o MPD não pode perder tempo preparando o futuro. Pela certa que contarei, ou melhor, contaremos com a elevada compreensão do senhor presidente do Movimento para a Democracia, partido por que lutamos sempre, em todos os momentos da sua existência”, continuou.

Pede redução dos gastos de 400 milhoes em combustiveis e pobreza extrema

Segundo ainda a Inforpress, Orlando Dias insurgiu-se, na passada terça-feira, contra os gastos do Governo de Ulisses Correia e Silva, numa publicação feita na sua página na rede social Facebook.

“Com 114 mil pessoas a viver na extrema pobreza, Cabo Verde tem cerca de 1.300 viaturas do Estado e gasta 400 milhões de escudos em combustível para as referidas viaturas, anualmente”, escreveu o deputado ventoinha.

Na mesma publicação, Orlando Dias defendeu que é preciso reduzir esses gastos para metade e também reduzir a pobreza e a desigualdade social em Cabo Verde.

Reagindo, o vice-presidente do grupo parlamentar do MpD, Luís Carlos Silva, afirmou que não vê as declarações do deputado Orlando Dias como críticas ao Governo e acrescentou que os deputados do partido são livres para opinar.

Afiançou que, neste momento, não há nenhuma crise no seio do grupo parlamentar do MpD e declarou que o MpD é um partido livre, onde as pessoas e os deputados têm direito à opinião e ao sentido crítico.

“O relacionamento no seio do grupo parlamentar é normal e estável, não tenho entendimento de que o deputado Orlando Dias criticou o Governo, acho que o deputado Orlando Dias comenta o País e o País que nós temos é o País que Orlando Dias criticou”, declarou.

No entanto, realçou que Orlando Dias, eventualmente, poderá ter as suas razões que o motivaram a tecer tais declarações, e que poderá até ser possível fazer melhorias nesses processos, refere a Inforpress.
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Links com matérias relacionadas:

https://www.asemana.publ.cv/?Caso-de-chumbo-do-Vice-Presidente-da-AN-abre-conflitos-no-MpD-Orlando-Dias-fala

https://www.asemana.publ.cv/?Com-114-mil-pessoas-a-viveram-na-extrema

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