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Crise política em São Vicente: Líder regional do PAICV considera que o Edil Augusto Neves é o maior responsável pela ingovernabilidade do município 23 Junho 2022

O novo presidente da Comissão Política do PAICV em São Vicente acusa o Edil Augusto Cesar Neves de ser o maior responsável pela "ingovernabilidade do município» e que parece desejar que a atual situação da crise política a nível dos órgãos autárquicos se mantenha. Adlilson Jesus critica que, depois de várias tentativas de diferentes atores políticos e da sociedade civil para a resolução do diferendo, a situação parece não apresentar melhorias, agravando-se dia-após dia.

Crise política em São Vicente: Líder regional do PAICV considera que o Edil Augusto Neves é o maior responsável pela ingovernabilidade do município

Na conferência de imprensa proferida hoje, o PAICV, através do seu líder regional lembrou que a Câmara Municipal está "ausente" há seis meses, com doze sessões não realizadas e que o presidente, apesar de saber que não tem maioria para decidir sozinho, insiste em querer condicionar toda a ilha, todos os munícipes e todos os eleitos, para que sigam pela sua cartilha de “eu quero, eu posso, eu mando”.

"Logo após a reunião de 30 de maio, havida entre o Edil Augusto Neves e os deputados nacionais eleitos nas listas do PAICV, pelo círculo de eleitoral de São Vicente, criou-se uma expectativa na sociedade mindelense, em que se estaria a criar as condições para se resolver o problema", desabafa.

Mas Adilson Jesus explica que ao em vez do Presidente da Câmara Municipal de São Vicente (CMSV) reunir-se com os vereadores com uma proposta ou uma perspetiva de resolução dos problemas existentes, este fez o contrário, enviando uma proposta na reunião estatutária seguinte, de ordem do dia, que já havia sido reprovada pelos vereadores em sessões anteriores.

"Do nosso ponto de vista, na reunião camararia que se seguiu, dever-se-ia debruçar-se apenas sobre os caminhos do entendimento, em particular no repescar do memorando de entendimento, aprovado na CMSV no ano passado e sua efetiva aplicação", aponta Adilson Jesus, dizendo que isso não foi feito e que a expectativa que havia sido criado com as declarações dos deputados do PAICV e do Presidente da CMSV, em como este estaria recetivo à resolução da crise, esfumou-se.

O responsável local do maior partido da oposição nacional refere que o Governo da República que tem a tutela de legalidade sobre as autarquias locais, parece não estar preocupado com a situação por que passa o município de São Vicente e tem agido com descaso perante o assunto.

"Perante uma situação muito grave e que poderá, em última instância, levar à realização de eleições antecipadas no município de São Vicente, situação que ninguém deseja, o Governo simplesmente finge agir, enviando dois técnicos da administração central, sendo um do ministério das Finanças e outro, do ministério da Coesão Territorial, para ’auscultar’ os eleitos municipais e estruturas da autarquia, sem um mandato de inspeção oficial", realça.

O presidente da Comissão Política Regional do PAICV no Mindelo diz que o partido é de opinião que a primeira ação do Governo da República deveria ser política, destacando que o primeiro-ministro ou a Ministra da Coesão Territorial, deveriam deslocar-se à São Vicente e sentarem-se a mesa com o Presidente da CMSV e todos os vereadores, com vista a resolver esta situação, que Augusto Neves já disse que é causado por questões menores.

"Nós não percebemos esta incoerência do governo, que sabendo da difícil situação que o mundo vive, tendo já declarado uma situação de emergência social e económica em Cabo Verde, derivada dos impactos da Guerra na Ucrânia, permita que a situação da ingovernabilidade da CMSV degrade mais ainda e chegue a ponto de ser necessário a realização de eleições antecipadas, que necessariamente irão sorver recursos dos contribuintes, que poderiam ser utilizados para acudir as famílias mais carenciadas", aponta.

Adilson Jesus diz ainda que o seu partido estranha tanto o MPD em São Vicente, como o MPD a nível nacional e o governo, estejam ainda surdos e mudos perante a situação que se está a passar na CMSV, chamando a atenção de que "nem Sempre o silêncio é de ouro".

O Presidente da Comissão Política Regional do PAICV em São Vicente «pede que seja colocado as diferenças pessoais, ideológicas e partidárias de lado e que o foco seja na resolução dos problemas de São Vicente e da sua população».

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