CINEMA

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’Nos Kriol’ fãs de Black Panther, super-herói alter-ego de rei de Wakanda no coração da Mãe África 14 Mar�o 2018

Cabo Verde na terra-ilhas e na diáspora assiste com a mesma fascinação ao filme "Black Panther", deduzo do que vejo aqui e do que me trazem vozes além-fronteira (obrigada, fibra ótica!) que dizem de valorização de África, necessária no pós-triste-episódio-trumpesco, o mais recente.

’Nos Kriol’ fãs de Black Panther, super-herói alter-ego de rei de Wakanda no coração da Mãe África

Segunda-feira foi o dia escolhido por muitos jovens que queriam aproveitar a promoção, "Imagina, 300 paus", disse no salão a amiga da minha adolescente, na verdade pagámos 450 escudos. Quatro dias depois da estreia, a fila para a bilheteira estendia-se corredor fora, chegava até à porta que dá para a entrada na zona de cinema.

De bilhete na mão, compra antecipada, percebemos que muitos estão a pedir à/ao bilheteira/o "para terça, quarta". Aqui, reticências, estou a referir-me à exibição que tanto quanto sei ainda só está a acontecer no grande ecrã do (novo) cinema da Praia.

Alguém comenta que "daqui a nada" vão ter que adiar a estreia da próxima sexta-feira, para prolongar o Black Panther. Isso entre nós. E no compasso da esfera global que refere que há enchentes e que o filme está a registar recordes históricos nos números que atingem já os dez dígitos.

Visualizada em 3D, a história contada e seu contexto

"Black Panther" começa por ser, tal como "Rei Sol", só um título cerimonial atribuído ao poderoso rei de Wakanda, no coração da Mãe África. Mas na Nova Iorque onde grassa o crime, o super-herói Black Panther surge como o igual do super-herói Capitão América. Um momento histórico, esse iniciado em 1966.

Antecessor, o super-herói Capitão América, surgido em plena guerra mundial em 1940. Mas em 1966, os autores Stan Lee e Jack Kirby dão-se conta de que a sociedade americana, um quarto de século depois, precisa de um super-herói com o qual boa parte dos jovens possa identificar-se. Direi em off que tiveram de esperar mais de vinte anos, até que triunfasse uma parte do desiderato de ativistas dos direitos civis epitomizados em Martin Luther King.

Agora, em 2018 eis o filme realizado e protagonizado por "afro-americanos" cineastas e atores: Ryan Coogler, realizador, Kevin Feige, produtor, os co-autores Ryan Coogler e Joe Robert Cole (argumento adaptado) e interpretado por Chadwick Boseman (T’Challa), Michael B. Jordan(irmão de T’Challa), Lupita Nyong’o (guarda-costas Nakia), Danai Gurira, Martin Freeman, Letitia Wright (Shuri, irmã de T’Challa), ...Angela Bassett(mãe de T’Challa), Forest Whitaker, etc. Todos saídos da minoria dita afroamericana, na terminologia da cromoestratificada América (perdoem o peso do motto, mas a exatidão impõe-no).

Cinquenta e dois anos depois de criado Black Panther e 13 meses após o início do americano anno horribile de 2017 que vê regredirem os ganhos obtidos por Martin Luther King, eis um género de super-heróis com que a juventude, que já não lê BDs, pode identificar-se, como Black Panther, a irmã Shuri, ou opor-se como a soberba vilã Nakia. LS

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