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Morte em França de luso-descendente Steve Maia Caniço: Prefeito é arguido por homicídio involuntário 15 Outubro 2021

"Hoje [14-10] é indiciado o prefeito de Loire-Atlantique", que estava "em funções no momento da morte em 2019 de Steve Maia Caniço, em Nantes, durante uma controversa operação da polícia", anunciou o procurador de Rennes. Três meses depois do comissário e dois dirigentes da prefeitura, chegou a vez do prefeito ser chamado à responsabilidade pela alegada violência policial visando os jovens numa festa tecno e que causou a morte do luso-descendente aos 24 anos.

Morte em França de luso-descendente Steve Maia Caniço: Prefeito é arguido por homicídio involuntário

O prefeito que é o representante máximo regional do Estado é o último a ser constituído arguido. Claude d’Harcourt, hoje DG dos Estrangeiros do Ministério da Administração Interna, já tinha sido ouvido como testemunha entre julho e setembro, dois anos depois da festa ’techno’ que acabou mal, às quatro e meia da madrugada de 22 de junho de 2019.

Steve Maia Caniço, nascido em França de pais emigrantes portugueses, desapareceu no rio Loire após uma carga policial e o seu corpo ia reaparecer mais de um mês depois, em 29 de julho de 2019, devolvido à margem do rio.

Há três meses, a família — há dois anos à espera de justiça — dizia ser "um grande consolo" que o tribunal de Nantes acusou o comissário de polícia Grégoire Chassaing de homicídio involuntário.

Segundo o advogado do comissário Grégoire Chassaing, este "contesta os motivos e os termos da acusação mas prefere não fazer comentários sobre a instrução judicial em curso".

O tribunal de Nantes convocou ainda seis pessoas físicas — a presidente socialista da Câmara de Nantes, Johanna Rolland, e o seu ex-adjunto para a Segurança, Gilles Nicolas, o agora arguido Claude d’Harcourt e o seu então diretor de gabinete — e duas pessoas morais, as Câmaras de Nantes e Nantes-Métropole, em ligação com o caso e que foram ouvidas até o fim de setembro.

"Ninguém devia morrer por uns minutos de música"

A intervenção da polícia com balas de borracha e gás pimenta na festa ’techno’ levou muitos dos jovens "em pânico" a lançarem-se ao rio Loire. A proteção civil de Nantes, a 350 km de Paris, resgatou onze. Mas Steve não foi recuperado.

A indignação levou a sucessivas manifestações pelas ruas de Nantes. Duas na primeira semana depois do desaparecimento do animador periescolar Steve.

"Stop à violência policial, ninguém devia morrer por uns minutos de música": tornou-se um grito simbólico desde que o entoaram um milhar de pessoas em marcha pelas ruas de Nantes, uma semana depois do desaparecimento de Steve Maia Caniço.
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Fontes: AFP/Le Monde/ BBC /Radio Europe 1. Foto (AFP): O luso-descendente Steve tornou-se símbolo da violência policial visando os jovens e um slogan repete-se há mais de dois anos: " Ninguém devia morrer por uns minutos de música".

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