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Empresários portugueses envolvidos, incerto papel de Moçambique na carga de nitrato que explodiu em Beirute — Armador russo ouvido em Chipre 09 Agosto 2020

Ao quinto dia da dupla explosão, em Beirute, que deixou 300 mil sem casa, feriu mais de cinco mil e matou mais de 150 pessoas, a investigação já tem algumas pistas sobre o destino da carga e ouviu em Chipre o armador russo do Rhosus, Igor Grechushkin (foto) que "recebeu um milhão de dólares dos portugueses Moura Silva e Filhos".

Empresários portugueses envolvidos, incerto papel de Moçambique  na carga de nitrato que explodiu em Beirute — Armador russo ouvido em Chipre

As versões das autoridades moçambicanas e a de Boris Prokoshev, o capitão do barco carregado em 2013 na Geórgia com 2.750 toneladas de nitrato, têm alguns pontos coincidentes e outros divergentes.

Em entrevista à AP-Associated Press na quinta-feira, o russo Boris Prokoshev, hoje com 70 anos, relatou que foi a partir de Istambul, Turquia, que tomou conta do barco saído de Butima, Geórgia, após divergências entre o armador e o capitão anterior.

Impedidos de deixar o porto de Beirute, ele e mais três tripulantes foram abandonados pelo armador russo Igor Grechushkin (’motard’ na foto) que nunca lhes pagou. Durante onze meses "só comíamos porque o pessoal do porto dava-nos de comer por compaixão", diz Prokoshev.

A carga de nitrato — que veio, mais de seis anos depois, a causar esta terça-feira a pior explosão química da história libanesa — destinava-se, diz Prokoshev, à Fábrica de Explosivos de Moçambique, dos portugueses Moura Silva e Filhos.

Por seu turno, em comunicado, o porto da Beira, Moçambique, garantiu na sexta-feira, 7, que em fins de 2013, "as autoridades portuárias da Beira não tinham sido informadas da chegada do navio" moldavo Rhosus.

"Toda a chegada dum navio a este porto tem de ser anunciada com 7 a 15 dias de antecedência", garantem as autoridades portuárias da Beira.

Contudo, segundo o jornal francês L’Express na edição de hoje (sábado, 8), um alto responsável do porto moçambicano indicou, sob anonimato, que "o navio tinha a Beira como destino final, mas a carga ia seguir para o Zimbabué ou a Zâmbia, porque o nitrato serve para fabricar explosivos para a indústria mineira. E tanto quanto sabemos, esse tipo de amónio de nitrato não é o utilizado na agricultura como fertilizante, mas sim na indústria mineira", disse o responsável moçambicano citado pelo diário francês.

Armador russo ouvido em Chipre

A imprensa refere que o o armador russo do Rhosus, Igor Grechushkin (foto), foi ouvido pela polícia cipriota a pedido das autoridades libanesas, mas o teor das suas declarações ainda não foi divulgado.

Fontes: L’Express/AP/hurriyetdailynews.com/. Relacionado: Líbano recebe vasta solidariedade até para tratar feridos em hospitais de Israel — Trump apressa-se em falar de atentado, 05.ago.020; Moçambique ignorava ser destino da carga de nitrato que causou explosões em Beirute, 07.ago.020. Fotos: Dupla explosão arrasou Beirute na 3ªfª, 4. Nitrato. Armador Igor Grechushkin.

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