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Ministro da Saúde tenta fugir de responsabilidade no caso de Sharon Lopes : “Criança não morreu por falta de transferência médica, mas devido a um problema complexo e grave” 13 Agosto 2019

O ministro da Saúde declarou, esta segunda-feira, que a criança de quatro “não morreu por falta de transferência médica”, mas devido a um “problema complexo e grave” e que “evoluiu rapidamente em dois meses”. Com muitas vozes a pedir a sua demissão do cargo, Arlindo do Rosário tenta assim ilibar-se de responsabilidade no polémico caso de evacuação para Portugal de Sharon Lopes, que acabou por falecer, no Mindelo.

Ministro da Saúde tenta fugir de responsabilidade no caso de Sharon Lopes : “Criança não morreu por falta de transferência médica, mas devido a um problema complexo e grave”

O caso, que está a fazer correr muita tinta, tem provocado revolta no país e junto da comunidade cabo-verdiana no estrangeiro - critica-se a alegada negligência das autoridades nacionais, com destaque para os ministérios da Saúde e dos Negócios Estrangeiros, no tocante à agilização do processo com vista à evacuação para Portugal da criança falecida.

Reagindo às criticas de cidadãos que pedem a sua demissão do cargo, o ministro da saúde referiu à morte, na quinta-feira, 08, em São Vicente, da menina Sheron Alina Lopes. Isto ao ser abordado sobre o caso, esta segunda feira, em São Filipe, à margem da visita que efectua à região sanitária Fogo/Brava.

Segundo a Inforpress, o governante indicou que o director nacional da Saúde e a direcção do Hospital Baptista de Sousa já explicaram os pormenores de todo o procedimento e o quadro clínico da criança, observando que há neste momento um “desvio do foco”, já que a criança faleceu devido a um “câncer intestinal gravíssimo” que “evolui rapidamente em dois meses”.

“Fizemos tudo que era possível e o processo foi decidido e homologado no mesmo dia ou no dia seguinte, não há problema de atraso no processo”, disse Arlindo do Rosário, indicando que estava à espera que Portugal, “que também tem seus problemas”, garantisse vaga, sublinhando que a parte cabo-verdiana “insistiu muito neste caso”.

“Posso tomar toda a culpa do mundo, não tenho problemas em tomar, estou bem com a minha consciência, sei do trabalho que faço e sou homem de responsabilidade e pediatra”, disse o titular da pasta da Saúde, indicando que determinadas afirmações surgem no momento de “consternação, revolta e impotência” e que como entidades pública tem de estar “preparado para tudo isso”.

“Entendo este tipo de reacção e estou focado nisso”, afirmou o ministro da Saúde, observando que entende a ansiedade e o sofrimento das pessoas.

Questionado do porque só Portugal a receber doentes de Cabo Verde e não outros países, Arlindo do Rosário explicou que é preciso ver o que Portugal gasta anualmente com os doentes cabo-verdianos, já que o quadro estabelecido é para 300 a 400 doentes/ano e que Cabo Verde “duplica ou triplica” esta quota anualmente, tratando-se de tratamentos com custos “extremamente elevados”.

O ministro indicou que o Governo está a trabalhar para ter o hospital nacional de referência, que dará um nível de respostas terciário a situações mais complexas de transferência de doentes, mas que será “um processo evolutivo” e que “não dará, seguramente, todas as respostas”, conclui a Inforpress.

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