REGISTOS

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Meteorologista na TV com bebé à moda das tradições mais ancestrais 19 Julho 2019

As nossas antepassadas carregavam o bebé agarrado a si, por muito tempo até ele se autonomizar. Para a esmagadora maioria delas, não era só uma escolha. Entre o que se passou há milénios e o hoje, que diferença! Ou: que diferença?

Meteorologista  na TV com bebé à moda das tradições mais ancestrais

Por: A. Teresa Pires Paulo

A divisão de tarefas pode até nascer equitativa. Mas com o correr do tempo, a repartição de custos e benefícios torna-se desigual. A começar no par base da família e a alargar-se em expansão continuada no tempo e no espaço.

As nossas antepassadas com o bebé agarrado a si o tempo todo, por muito tempo até ele se pôr de pé em segurança, faziam-no, não só por instinto maternal, mas também por necessidade de sobrevivência de si e dos seus.

A mãe, exclusiva provedora-cuidadora do bebé humano que bate recordes de dependência, era (co-)provedora da família. Não podia ter só uma, mas acumular funções.

Era? É? ntre o que se passou há centenas de milénios e o hoje, que diferença! Ou: que diferença?

A meteorologista na TV com o seu bebé aconchegado por forma a deixar-lhe as mãos disponíveis para realizar a sua tarefa (foto), tal como o faziam as antepassadas é só um apontamento, um recorte no tempo. Um revivalismo atual que põe na pauta do dia, moda efémera, uma esquecida tradição ancestral.

Aconteceu na América e tornou-se fenómeno global, a performance da meteorologista do Michigan, apresentadora de um boletim meteorológico na estação televisiva Fox, surpreendeu todos na última edição do ’Dia Mundial de Dar Colo ao Bebé’.

Performance na América com mensagem direta e outras subliminares — estas, com leituras variadas, na era de Trump, de excessos mediáticos na Casa Branca — em turbilhão. Por isso a pedir uma recentragem para manter uma perspetiva de equilíbrio.

Como me lembra a R., a minha recente adolescente que lê o acima e contesta: "Mas qual a novidade? Aqui vemos isto todos os dias!"

Vemos, sim. Refiro-me à exposição pública em que uma mãe a carregar o filho às costas amarrado num pano é entendido como uma sobrevivência de uma tradição ancestral que a necessidade impõe a tantas mulheres. As recém-chegadas de países com menos oportunidades e a quem Cabo Verde surge de longe como a terra de passagem para melhorar de vida e que aqui engrossam as fileiras das mais pobres. As mais pobres na cidade, cuja radiografia social mostra que provêm dos meios (rurais e não só) que estão ao Deus-dará, porque os Césares esqueceram que estão no lugar de César incumbido de bem administrar.

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade





  • Mediateca
    Cap-vert

    Uhau

    Uhau

    blogs

    publicidade

    Newsletter

    Abonnement

    Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project