ARTISTA DA SEMANA

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Lura em Eclipse 28 Mar�o 2009

Lura está de volta aos discos com “Eclipse”. O título, diz Lura, não só é uma homenagem à célebre morna de B. Leza bastas vezes interpretada por Cesária Évora- agora Lura também a canta neste disco-, como também uma metáfora que traduz a história do álbum e a vida da artista.

Lura em Eclipse

“Eclipse” é um encontro entre os diferentes géneros musicais, compositores e culturas que dão cor e vida ao mundo de uma cabo-verdiana nascida e criada em Portugal, filha de pais originários de Santiago e Santo Antão

Entrevista por: Teresa Sofia Fortes

- Lura lança agora “Eclipse”, o quinto disco a solo da sua carreira, que é também o título de uma célebre morna do B. Leza, que faz parte do álbum. É a primeira vez que grava uma composição do B. Leza. Entre tantas desse compositor, porquê “Eclipse”?

- Eclipse é um dos clássicos da música de Cabo Verde e também uma das mornas preferidas dos meus pais. Eles sempre ouviram esta música como um dos seus temas mais queridos e com o passar dos anos tornou-se também uma das minhas mornas preferidas. Gravei-a por estas razões e também para reivindicar o meu lado Barlavento. Através dos meus discos, tenho divulgado mais o batuco e o funaná porque a morna e a coladeira já são mais conhecidas internacionalmente mas tenho também em mim um lado Barlavento que quero cantar. Dei ao disco o título Eclipse também em jeito de metáfora. O álbum é o encontro entre o meu lado Sotavento e o meu lado Barlavento, entre a morna e o funaná, a coladeira e a tabanka …

- Ao olhar para o repertório deste disco, vejo que continua apaixonada por Orlando Pantera, desta vez gravou dois temas dele. Fale-nos dessas músicas.

- Neste disco gravei dois temas do Orlando Pantera porque, antes de mais, sempre gostei delas. No disco “Di Korpu Ku Alma” estão cinco composições do Orlando Pantera. Entretanto, como desde essa data ninguém mais gravou temas dele, durante a pesquisa de composições para este disco disse para mim mesma”porque não gravar Orlando Pantera outra vez?”. Sukundida é um tema engraçado sobre uma situação séria contada naquele jeito especial do Orlando Pantera. Também incuí Tabankaum pouco em jeito de resposta àqueles que sempre me perguntam porque nunca gravei este género musical.

- Lura assume neste disco um pouco o papel de “lançadora” de novos compositores. É o caso de Michel Montrond. Como se deu o encontro entre si e esse jovem autor da ilha do Fogo?

- Fui à ilha do Fogo porque quero conhecer mais e melhor Cabo Verde. Eu já tinha ouvido falar do Michel Montrond, que está ali em São Filipe sempre a tocar nos bares assim como fazem ainda muitos outros talentosos músicos cabo-verdianos. Fui ouvi-lo, ele reconheceu-me, conversamos bastante, enfim, demo-nos muito bem. O Michel mostrou-me algumas composições suas, inclusive uma que diz ter escrito para eu cantar, mas não é esta que eu gravei neste disco. Para Eclipse escolhi a música Terra’L, que fala da discriminação que a gente da cidade faz sobre a gente do campo, como se todos nós não fossemos iguais. Escolhi-a porque para mim não importa o compositor ser muito conhecido ou não, importa sim ele ter talento como é o caso de Michel Montrond.

- Também gravou Alfredo Gomes Monteiro e Edevaldo Figueiredo. Quem são?

- Alfredo Gomes Monteiro é mais conhecido como Féfé di Calbicera. Na verdade, acho que ele vai ficar zangado quando ver que ele não vem citado no disco como Féfe di Calbicera. É um senhor que pouca gente conhece e que tem um grande talento. Tem composições giras como essa que escolhi para o disco: Mascadjôn. Edevaldo Figueiredo, angolano, é o meu baixista. Costumamos compor juntos, faço eu a letra e a melodia e ele a música. Tem sido uma boa parceria.


- Também gravou para este disco temas de Mário Lúcio Sousa, Toy Vieira, Valdemiro Ferreira (Vlú), Kino Cabral, René Cabral e Teófilo Chantre. O que a cativou nessas composições?

- É importante que me identifique com as composições. Quando canto uma música de Cabo Verde interessa-me certos temas, em especial aqueles que falam de situações e realidades que não fazem parte da minha vivência por ter nascido e vivido sempre em Portugal. E quando canto essas composições eu vivo um bocado as personagens e situações desses compositores de diferentes gerações mas todos muito talentosos.

- Lura é também uma das compositoras deste disco com o tema “Maria”. Sente-se cada vez mais à-vontade a escrever? Tem mais composições que pensa gravar?

- Composição é momento de inspiração. Ora, escrevo sempre, mas há coisas que posso gravar e outras que não. É que tenho me tornado cada vez mais exigente para comigo própria e, talvez por isso, agora gravo menos composições minhas. Por outro lado, essa vontade de querer viver as estórias das composições dos outros não deixa muito espaço para as minhas composições.

- Quais as novidades destes disco em termos de géneros musicais e/ou de orquestração?

- A orquestração é de Toy Vieira, o que acontece pela primeira vez. Os dois anteriores discos foram orquestrados por Nando Andrade. As novidades em termos de genéros, além da já citada tabanka, são o funk da autoria de Vlú, e o tango de Teófilo Chantre, que fecha o repertório do disco.

- O que quis pôr neste disco mas não conseguiu?

- Nada, tudo o que queria pôr no disco está lá.

- Na primeira entrevista que me concedeu, mesmo antes de lançar “In Love”, disse-me que quando mais jovem não gostava da sua voz. E agora, como se relaciona com a sua voz? Que voz é essa que ouvimos em “Eclipse”?

- Não era bem não gostar da minha voz. O problema é que já em criança tinha voz grave e rouca. Lembro-me que quando faziam a chamada na escola e eu respondia “Presente” ou “Eu” todos viravam-se espantados para mim. E eu nunca pensei ser cantora, queria ser bailarina. Por outro lado, sempre fui tímida em expor a minha voz. Quando me convidaram pela primeira vez para fazer coros espantei-me. Aceite o convite, surpreendi-me com a minha voz. Com o passar dos anos tenho aprendido a usá-la melhor, tive inclusive aulas de canto e de colocação vocal.

- Depois do sucesso estrondoso de Di Korpu Ku Alma e também de M’bem di Fora, que expectativa tem em relação a “Eclipse”?

- É a melhor possível. Peço às pessoas, principalmente aquelas que têm acompanhado e apreciado a minha carreira, que escutem Eclipse com muita atenção e carinho.

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