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Líbano: Governo de Hariri para acalmar povo na rua aprovou radical reforma da economia – Começa em cortes de 50% em salários de topo 22 Outubro 2019

Os partidos da coligação governamental liderada por Saad Hariri chegaram a acordo e aprovaram o orçamento de Estado para 2020, que vai reduzir os salários do presidente da República, do presidente do parlamento e deputados, dos ministros e altos funcionários em 50%. O chefe do governo anunciou na tarde de segunda-feira, 21, as medidas extraordinárias para responder à contestação nunca vista no país contra a "corrupção" da elite política.

Líbano: Governo de Hariri para acalmar povo na rua aprovou radical reforma da economia – Começa em cortes de 50% em salários de topo

“Rasguei a minha carta de membro do partido”, repetem libaneses que na véspera eram militantes de um dos seis partidos da coligação governamental. Descontentes ouvidos pelo maior diário francófono de Beirute, o L’Orient-Le Jour, garantem: “O partido deixou de me representar”.

“Todos os meus amigos tiveram de emigrar, à procura de emprego”, diz um jovem personal (physical) trainer (treinador pessoal) sobre os diplomados da sua geração que não conseguem encontrar trabalho no Líbano.

Os media internacionais têm noticiado que a aplicação de impostos ao WhatsApp, até então isento, está por trás da nunca vista manifestação de protesto contra toda a elite política que começou na quinta-feira, 17. E que continuou mesmo se o governo recuou na decisão dois dias depois.

Contudo, é preciso notar que a situação atual deve muito a uma longa sucessão de erros na condução da economia. O resultado: queda da libra — que hoje vale 0,1650 por dólar —, extrema pobreza que atinge um quarto da população, instabilidade política contínua, cidades sub-infraestruturadas, estruturas a cair, os vestígios da longa guerra civil (1975-2005) ainda omnipresentes.

O 1º "Domingo de Protesto" contra o governo teve lugar no último domingo de setembro, com a mobilização de dezenas de milhares de pessoas, na capital, Beirute. Nos domingos seguintes, o movimento estendeu-se a outras cidades do país de pouco mais de quatro milhões de habitantes.

A mobilização domingueira acabou por criar uma base para os protestos que se iniciaram na última quinta-feira. Tudo começou com um grupo de jovens que conectados através das redes sociais se juntaram após o anúncio de que o governo ia aumentar os impostos e aplicar novas taxas a produtos até então isentos.

Esse primeiro levantamento foi o rastilho que, em todo o país, fez sair à rua cidadãos, num "movimento espontâneo". Sem qualquer dirigente partidário, num país onde a pertença a uma religião — mais de 50% muçulmanos, 40% cristãos maronitas, menos de 5% de druzos e alaouitas — condiciona a opção por um partido confessional. "O que nos moveu é a certeza de que o povo unido pode mudar o estado das coisas".
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Fontes: Referidas/Le Monde/Washington Post/...Relacionado: Domingo de protesto no Líbano em descalabro — PM Hariri e dinheiro offshore: 16 ME que deu a modelo sul-africana, 05.out.2019. Foto: Líbano, protestos há 3 semanas intensificaram-se na quinta-feira 17. Continuam em 21 outubro no centro de Beirute, como no resto do país apesar das medidas extraordinárias anunciadas pelo primeiro-ministro.

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