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Lesotho: Primeiro-ministro suspeito de co-autoria no conjugicídio da 1ª esposa já deixou o poder — Exílio na África do Sul 21 Maio 2020

O primeiro-ministro Thomas Thabane, de 80 anos, deixou nesta 3ªfª, 19, o governo do Lesotho, ao fim de seis meses de pressão em que recusou abdicar do cargo, mesmo depois de o tribunal o apontar como co-autor do homicídio da primeira esposa, um crime em que a atual esposa é arguida. A mediação sul-africana resolveu o impasse no governo lesothiano.
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Lesotho: Primeiro-ministro suspeito de co-autoria no  conjugicídio da 1ª esposa já deixou o poder — Exílio na África do Sul

Thomas Thabane foi à televisão nacional justificar a sua demissão: "Venho anunciar ao país que chegou a hora de eu me retirar do grande teatro da ação, dizer adeus ao trabalho público que me incumbiram e que caberá a outro completar".

Pediu "à nação inteira e às lideranças para colaborarem com o [seu] sucessor" e prometeu que faria o mesmo "com todas as suas forças".

O sucessor apontado a título interino é o ministro das Finanças, Moeketsi Majoro, de 58 anos. Este economista e político não reúne consenso no conflituante parlamento lesothiano, pelo que se lhe augura uma primatura breve.

Graças à mediação sul-africana, Thabane, o agora ex-chefe do governo do reino do Lesotho — que fez tudo para evitar ser o primeiro chefe de governo africano condenado por conjugicídio, em pedido de imunidade que o tribunal constitucional não atendeu —, conseguiu o que queria nos termos do compromisso assinado.

"Como ex-chefe de governo terá direito a uma reforma digna, compassiva e segura", garantem os co-signatários do documento, sul-africanos e líderes da ABC-Coligação de Partidos Basotho.

E a primeira-dama arguida?

Nada é dito sobre a até agora primeira-dama, Maesaiah Thabane, de 35 anos na altura do crime. Ela que foi este ano constituída arguida do crime de homicídio que, em 2017, vitimou a anterior primeira-dama, Lipolelo Thabane, de 58 anos, (foto de rodapé) está em liberdade sob fiança.

Em fevereiro do corrente, o chefe de governo lesothiano esteve por duas vezes no tribunal de Maseru a acompanhar a esposa arguida. Maesiah obteve em fins de fevereiro a benevolência do tribunal que lhe permitiu sair sob fiança. Isto depois de uma rocambolesca fuga dela para a África do Sul, donde só voltou após negociações com as autoridades.

O reino do Lesotho, uma monarquia constitucional (só há três entre as dez monarquias africanas), está agora "envergonhado" com o seu chefe do governo.
Em 2017, dois dias depois do homicídio, o viúvo, Thomas Thabane, então de 78 anos, tomou posse para um novo mandato de primeiro-ministro do reino de Lesotho, "em choque" com o assassínio da ex-primeira-dama Lipolelo Thabane, de 58 anos, atingida com vários tiros de perto, quando regressava a casa ao anoitecer.

Um "crime sem sentido", como o classificou o viúvo, Thomas Thabane, de 78 anos, que dois dias depois tomava posse para um novo mandato de primeiro-ministro do reino de Lesotho.

Thabane disse ser perseguido por ’um certo comissário’


O comissário Holomo Molibeli que há três anos investiga o caso — que o próprio primeiro-ministro viúvo entendeu não merecer investigação porque era "um crime por desconhecidos" — contou à correspondente da BBC em Maseru, a capital lesothiana, sobre as dificuldades do seu trabalho. O muro de silêncio dos agentes que primeiro tomaram conta da ocorrência, as provas recolhidas que desapareceram … ameaças veladas.

Mais uma vez o primeiro-ministro entrava em choque com o Tribunal Constitucional. A primeira vez foi quando o órgão supremo da Justiça pôs na ordem "o primeiro-ministro com duas primeiras-damas", durante o primeiro mandato de Thabane, em que ele afastou a esposa e passou a viver com Maesaiah, de 35 anos.

Para todos os efeitos, Maesiah passou a ser a esposa do primeiro-ministro e, como tal, primeira-dama.

Mas Lipolelo contestou a sua preterição como primeira-dama. O tribunal constitucional deu-lhe razão e na sentença proferida em 2015 ordenou: "O Tesouro Público tem de parar de pagar as despesas de Maesaiah".

O TC entendeu também que Maesaiah devia "cessar todas as funções e deixar de fruir de direitos que eram exclusivos da requerente [Lipolelo] como primeira-dama".
A sentença foi "a suprema humilhação" para o primeiro-ministro, que teve de retirar os benefícios a Maesaiah e devolvê-los a Lipolelo.

Investigação relançou-se com acesso a informação revelada em dezembro

A AFP em dezembro noticiou que o comissário Holomo Molibeli tinha, em carta datada de 23 de dezembro transato, pedido ao primeiro-ministro octogenário que esclarecesse o que "as investigações revelaram: a existência de uma comunicação telefónica no lugar do crime em questão e que foi estabelecida com um telemóvel com o número de V. Exa".

A primeira-dama foi convocada para prestar depoimentos e devia ser ouvida em 10 de janeiro. Mas ao longo desse mês esteve desaparecida e o marido recusou falar sobre o paradeiro dela.

Seis meses depois, é o desfecho dum rocambolesco caso que incluiu ainda o envio do exército lesothiano para a rua, em 17 de abril, para — segundo as palavras do primeiro-ministro — "fazer cumprir a ordem, restaurar a paz", num país ainda livre do surto de coronavírus. Mas este acabou por chegar há três semanas, no único caso confirmado de Covid-19 que concerne um trabalhador lesothiano de regresso da vizinha África do Sul.

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Fontes: BBC/DW.de/Lesotho Times. Relacionado:Lesotho: Mistério da morte da 1ª dama seguido de fuga da 2ª procurada pela polícia, 27.jan.020; Lesotho: Primeira-dama suspeita na morte da sua antecessora entregou-se, 07.fev.020; Lesotho: Primeiro-ministro exige imunidade para evitar ser réu de conjugicídio, 26.fev.020; Lesotho: PM Thomas Thabane suspeito de conjugicídio e pressionado a demitir-se manda exército ’restaurar paz e ordem’, 20.abr.020. Fotos: O primeiro-ministro do reino do Lesotho demitiu-se nesta 3ªfª, 19, e graças à mediação sul-africana não deverá responder como suspeito do conjugicídio de 2017 que vitimou a sua então primeira-dama. O octogenário tem à sua espera um "exílio digno, compassivo e seguro" na África do Sul.

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