INTERNACIONAL

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Ciberespionagem da NSO-Israel visa 50 mil nºs, Macron entre milhar de alvos — Tribunal de Paris abre investigação 21 Julho 2021

É com indignação que está a ser recebido o alegado envolvimento de uma empresa do Estado de Israel — o grupo NSO que desenvolve equipamento de ciberespionagem —para vigiar 180 jornalistas, ativistas e políticos a nível mundial. Entre os alvos está o presidente Macron e o palácio do Eliseu esta terça-feira, 20, afirmou: "Se for verdade é totalmente reprovável e tem de ter consequências".

Ciberespionagem da NSO-Israel visa 50 mil nºs, Macron entre milhar de alvos — Tribunal de Paris abre investigação

O tribunal de Paris recebeu perto de duas centenas de queixas de jornalistas que tiveram o seu telefone infiltrado, "em violação da sua intimidade privada", em "atentado contra a sua liberdade de imprensa", "em exploração dos seus dados pessoais e profissionais".

A justiça francesa vai ter de apurar as suspeitas sobre se essa espionagem — com a utilização do sistema Pegasus da NSO — foi, como se alega, encomendada pelo reino de Marrocos com o objetivo de "amordaçar a voz dos jornalistas independentes em Marrocos e saber como é que chegavam às fontes". Rabat nega.

No total, um milhar de alvos estão a ser espionados através de 50 mil números de telemóveis, revela o ICIJ-Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação. O centro de tudo está numa cidade afluente na costa norte do país, a 20 km de Telavive, Herzliya que é a sede da NSO Group (foto).

A divulgação desta alegada espionagem em massa atingiu os media esta segunda-feira e levou já a reações da União Europeia e da ONG Amnistia Internacional.

Segundo esta ONG, "um grande número de jornalistas identificados como alvo representa de modo evidente o modo como o Pegasus [da NSO] está a ser usado como um instrumento de intimidação contra a imprensa independente. É um meio de controlo da narrativa pública, de obstaculizar o escrutínio e suprimir a voz do outro", disse a secretária-geral Agnes Callamard.

Pegasus inaceitável/ aceitável

A empresa tecnológica NSO Group Technologies — com sigla formada pelos nomes dos fundadores Niv Carmi, Shalev Hulio e Omri Lavie) — desenvolveu o aplicativo Pegasus que permite a vigilância remota de smartphones.

O mítico cavalo Pégaso da extraordinária capacidade de voar renasce agora na realidade virtual.

A empresa fundada em 2010 no Estado de Israel terá contado com o apoio da NSA, a agência americana de segurança onde os três israelitas acima referidos terão ligações.

A ligação Israel-EUA através da rede tecnológica da segurança interna envolve ainda os Emirados Árabes, sob o pano de fundo da ameaça terrorista vinda do Irão e da Al-Qaeda. Perante o inimigo comum, dois antagonistas, "a América democrática da liberdade" e a "Arábia da repressão e ditadura", unem-se.

"Os seus inimigos são os nossos inimigos", sintetizou o agente da CIA, Norman Roule, citado pela Reuters. "As ações de Abu Dhabi foram decisivas para a guerra contra o terrorismo, em especial o da Al-Queda no Iémen".

Fontes: Times of Israel/Le Monde/Le Figaro/Outras referidas. Relacionado: Emirados contratam elite de hackers vindos da NSA — CIA deixa-os em paz, 27.ago.019. Foto: O edifício-sede do grupo NSO na cidade de Herzliya, Israel.

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade


  • Mediateca
    Cap-vert

    Uhau

    Uhau

    blogs

    publicidade

    Newsletter

    Abonnement

    Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project