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Israel: Netanyahu tem mais um mandato, mesmo empatado com Gantz que também clama vitória 11 Abril 2019

O resultado das legislativas desta terça-feira, 9, permite a Netanyahu manter-se no poder, por força da habitual coligação entre o seu Likud e os partidos nacionalistas, religiosos e outros do centro-direita à direita.

Israel: Netanyahu tem mais um mandato, mesmo empatado com Gantz que também clama vitória

O atual primeiro-ministro ganha a corrida para o seu terceiro mandato consecutivo e promete no seu discurso de vitória na noite de terça-feira que "o governo será de direita mas eu serei o primeiro-ministro de todos". Desde 2009 Netanyahu tem conseguido manter-se no cargo, a caminho das três legislaturas sucessivas — a quarta no total, depois do 1º mandato em 1996 —, graças às coligações com partidos nacionalistas, os religiosos e outros do centro-direita à direita.

O Likud deve melhorar ligeiramente ou manter o mesmo número de assentos obtidos nas eleições de 2014, apenas trinta dos 120 lugares. Tal como na legislatura anterior serão as negociações com dez partidos que lhe permitirão alcançar a maioria no XXI Knesset (Parlamento) — que pode evoluir para 65 assentos (no XX Knesset foi de 61 lugares contra 59 da oposição de centro-esquerda e esquerda).

Primatura a meias

O resultado deste 9 de abril dá um empate entre Netanyahu e os rivais que se uniram para o derrubar, o general Benny Gantz, ex-CEMFA, e o centrista Yair Lapid. Estes idearam uma inovadora partilha de poder: seriam primeiros-ministros, com dois anos e meio para cada um segundo a ordem alfabética.

A coligação de dois parecia estar a ser liderada todavia por Benny Gantz, do partido Kahol Lavan, que defende o endurecimento da ação de Israel sobre os "terroristas" palestinos.

Como diz um politólogo: "Quem viu Netanyahu, ainda não viu Gantz". Gantz afirmou, em três entrevistas nas principais televisões do país difundidas em 19 de março, que esperava obter 40 dos 120 lugares do parlamentares.

Perfume fascista na campanha eleitoral

A campanha eleitoral foi ocasião para destacar-se a ministra da justiça, Ayelet Shaked, que usou as redes sociais — já que a lei só permite publicidade nos media nas duas semanas anteriores à data das eleições — e colocou online um vídeo polémico.

O vídeo com o objetivo confesso de desmontar a acusação de fascista que foi col(oc)ada a Ayelet Shaked, do Partido Nova Direita, coligado com o Likud de Netanyahu, foi objeto do artigo Israel: Legislativas unem rivais para abater Netanyahu e perfume polémico, de 21 de março neste online.

A ministra da Justiça, que em 2017 e 2018 foi considerada a personalidade mais influente em Israel, defende o que é tido como uma "política xenófoba, anti-imigração designadamente dos judeus etíopes".

O vídeo apresenta a candidata a mais um governo de Netanyahu a perfumar-se com uma fragrância com o rótulo "fascismo" (foto à direita) enquanto diz: "Para mim, isto é o perfume da democracia". A mensagem quer desafiar os adversários da política que Shaked defendeu nos quatro anos em que foi ministra da Justiça.

A ministra da Justiça reafirmava assim o seu programa, que inclui a ’revolução judiciária’, como a quinta-essência da democracia.

Mas... a interpretação ficou aquém. Não só os adversários viram no vídeo uma clara demonstração de que a candidata se orgulha do fascismo, mas também os aliados do partido nacionalista expressaram indignação com o vídeo.

Como um jornalista comentou: "Todos os que não sabem que a esquerda acusa Shaked de fascismo vão compreender que ela apoia o fascismo ao apresentá-lo como democracia", tuìtou Eylon Levy, da estação i24.

"Senti-me envergonhado, como é que vocês (do partido Likud, liderado por Netanyahu) deixam a ministra fazer uma coisa destas?", reagiu, também no Twitter, Yehoudit Shilat, dirigente do partido religioso Lar Judeu, que integra a coligação de onze partidos que viabilizaram o governo. Grupos feministas, tanto de esquerda como de direita, também criticaram a ministra por "alimentar os preconceitos sexistas".
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Fontes: Haaretz/LE Monde/ Times of Israel/BBC. Foto: Netanyahu ganhou um 4º mandato e está a caminho de ser o PM mais longevo no Estado de Israel, recorde até agora detido por David Ben-Gurion, o pai-fundador do Estado de Israel em 1948.

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