SOCIAL

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Investigadores da PJ de Cabo Verde preocupados com criminalidade na Praia 11 Maio 2022

Os funcionários de investigação da Polícia Judiciária (PJ) de Cabo Verde manifestaram-se hoje preocupados com a onda de criminalidade em alguns bairros da cidade da Praia e pediram aposta na prevenção.

Investigadores da PJ de Cabo Verde preocupados com criminalidade na Praia

"Na semana passada, em menos de 24 horas, tivemos dois casos de homicídio em Achada Grande Trás, então isso preocupa-nos muito porque, independentemente de todo o processo de investigação, de todo o trabalho que vem sendo feito, existem ainda questões prévias de caráter preventivo que devem ser consideradas", disse o presidente da Associação da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação e Apoio à Investigação Criminal (ASFIC-PJ), Agostinho Semedo.

O inspetor e líder associativo falava à imprensa, na cidade da Praia, no âmbito de uma conferência que a PJ está a realizar para assinalar os 29 anos da sua criação, afirmando que os funcionários estão preocupados sobretudo com os crimes contra pessoas na capital do país.

"Daí que continua a ser o nosso grande desafio, enquanto investigador criminal, trabalhar não só no âmbito da investigação, mas também apostar muito na questão da prevenção", insistiu.

Na terça-feira, a Polícia Nacional cabo-verdiana realizou uma operação especial de prevenção criminal em alguns bairros da Praia, nomeadamente Achada Grande Trás, Achadinha, Santaninha e Ponta d’Água, que tem registado vários casos de criminalidade violenta, com a apreensão de armas e seis detenções.

O procurador-geral da República de Cabo Verde, José Landim, alertou em 30 de março último para o elevado número de crimes, sobretudo na Praia, e admitiu que as operações especiais de prevenção criminal são "importantes" neste contexto, apesar das aparentes dificuldades na sua operacionalização.

Nas declarações à imprensa, o presidente da associação falou ainda sobre os desafios dos funcionários de investigação criminal da PJ, indicando que os principais continuam a ser a atualização e revisão de alguns instrumentos legais, nomeadamente a orgânica e o estatuto.

"Pese embora a recente revisão, sentiu-se a necessidade de uma nova proposta de revisão", sustentou, avançando que a força sindical e a direção da PJ estão a preparar uma equipa para trabalhar a proposta de revisão da orgânica e do estatuto da instituição policial.

Também falou sobre a questão dos materiais, garantindo que há disponibilidade de viaturas, mas alertou que a principal dificuldade tem a ver com a aquisição de reagentes utilizados no laboratório da polícia científica nos processos de exames de DNA e outros exames toxicológicos.

A nível dos recursos humanos, Agostinho Semedo disse que não são suficientes, justificando a redistribuição dos recursos com a criação de uma unidade de investigação criminal em Assomada e com o funcionamento do departamento da Boa Vista.

"E isto acabou por revelar claramente a deficiência que temos, tanto a nível do pessoal de investigação criminal e também ao nível do corpo de segurança", enumerou o líder sindical cabo-verdiano, que vai propor o recrutamento de mais funcionários para esses setores.

A Associação Sindical dos Funcionários de Investigação e Apoio à Investigação Criminal (ASFIC-PJ) foi criada em 2009, está filiada na Confederação Cabo-verdiana dos Sindicatos Livres (CCSL), e dos 256 funcionários da PJ cerca de 80% são associados.

O presidente foi um dos oradores na conferência, no painel sobre a "Gestão da Cena do Crime — do quadro preliminar à oficialização da investigação — Papel interventivo da PJ", que antecede ao ato solene, que acontece na quinta-feira, também na cidade da Praia.

A Semana com Lusa

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade


  • Mediateca
    Cap-vert

    Uhau

    Uhau

    blogs

    Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project