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Hungria: Safa da exclusão, fica suspensa do grupo PPE — Pan-Europa da livre-circulação ’ecce Volt’ 22 Mar�o 2019

A assembleia de 20 março do parlamento europeu, em Estrasburgo, suspendeu em vez de expulsar o partido Fidesz do primeiro-ministro húngaro, que violou gravemente o artigo 7º da ’Constituição’ da UE sobre "dignidade humana, equidade, democracia, Estado de direito e respeito pelos direitos humanos, incluindo das pessoas de grupos minoritários". A decisão — que evita a ’exclusão pura e dura’ pedida por doze partidos-membros do PPE do Benelux e Escandinávia e motivada pela deriva antidemocrática de Viktor Órban — , diga-se, ’é obra!’, obtida graças ao empenho do presidente do PPE e seu candidato à presidência da Comissão Europeia, o alemão Manfred Weber. Este membro da CSU, a ala bávara do partido de Merkel, esteve no dia 12 em Budapeste para evitar a queda da ponte.

Hungria: Safa da exclusão, fica suspensa do grupo PPE — Pan-Europa da livre-circulação ’ecce Volt’

O presidente do Partido Popular Europeu — grupo que reúne os partidos da direita dos 28 países-membros — chegou a Budapeste no dia 12. A sua recepção por Órban fora precedida de uma grande limpeza.

Literal: os quilómetros de cartazes anti-Juncker foram retirados e estaria tudo imaculado não fosse pelos graffiti (foto) que recordam que "Aqui esteve uma mensagem de ódio" que alarmava os húngaros sobre a "Grande Mudança/Substituição de húngaros por imigrantes muçulmanos".

Viktor Orban, a quem M. Weber desde 2015 vinha a interpelar em Estrasburgo sobre "a necessidade de escolher entre o nacionalismo e a Europa", viu chegar o risco de exclusão do Fidesz e, segundo os politólogos, recorreu a "métodos dignos do estalinismo" para apagar a memória da véspera e, assim, convencer M. Weber.

O responsável alemão, embora reconheça que "os problemas ainda não foram resolvidos", acabou por salvar in extremis o anti-Merkel húngaro que quer "salvar a Europa da ameaça imigracionista". O slogan contra a política alemã que abriu portas a um milhão de refugiados em outubro de 2015.

Partido pan-europeu para evitar mais ’brexits’

Em oito meses está pronto o programa "Declaração de Amesterdão" com que vai concorrer às eleições de maio, o partido pan-europeu Volt ativo na Itália, Holanda, Alemanha e mais 33 países europeus, que conta 20 000 militantes e onze partidos nacionais registados.

O partido que quer unir os europeus é jovem, impulsionado pela fratura que o referendo de junho de 2016 trouxe à livre-circulação na Europa, à livre escolha do lugar de residência.

O italiano Andrea Venzon conta que foi no dia seguinte ao referendo — ao falar com a namorada inglesa, deram-se conta como a saída do Reino Unido ia afetar a sua própria vida, mudando os planos dele de emigrar para a Inglaterra —, que teve a ideia do partido "para unir os europeus".

’Ecce Volt’: jovem, pan-europeu

Oito meses depois da ‘ideia luminosa’, Andrea com outros jovens de 34 países da União Europeia— a holandesa Isabel Heiss, o português Tiago Guilherme, responsável pelo Volt-Portugal mas que ainda não vai concorrer às Europeias de 2019 — oficializam o Volt (do nome do inventor da pilha, o italiano Volta).

“Verdadeiramente saído da sociedade civil”, segundo o descreve a líder do Volt-France, Elise Magne, estudante de Ciências Políticas, o Volt foi oficializado no mesmo dia, 29 de março de 2017, em que arrancaram as negociações EU-UK para o Brexit.
Em síntese, apresenta três grandes desafios, uns a serem resolvidos a nível de cada país, outros a nível da União Europeia.

Um, a Europa ‘smart’ que (a caminho da federação) aposta na reforma das instituições nacionais, para a sua adequação à futura Federação Europeia.
Outro é o renascimento económico com justiça social e responsabilização dos cidadãos. Esta tem um eixo nacional e outro internacional a nível da UE para resolver a crise migratória.

O terceiro: os equilíbrios globais, pelos quais o desenvolvimento da economia terá de andar de mãos dadas com a preocupação pelo sistema ecológico do planeta.
As metas são ambiciosas tanto como a de colocar, com sucesso nas eleições de maio, 25 deputados no parlamento europeu, em Estrasburgo.

Holanda como Hungria: Questão securitária impulsiona ascensão da extrema-direita

A holandesa Isabel Heiss, responsável pelo Volt-Holanda, nunca pensou integrar um movimento político pois que se considerava totalmente apolítica. Mas sob o impulso da crise dos refugiados, Trump e, em casa, a ascensão da ultradireita – como a surpreendente emergência doum partido da extrema-direita, FvD-Fórum para a Democracia – sentiu que não podia ficar passiva ante o crecimento do FvD à custa da queda de 40 por cento dos partidos pró-europeus como o D 66 e os democratas-cristãos.

Ante a vitória “por entre as ruínas da civilização” de um partido xenófobo, contrário aos valores que ela defende, liberdade, tolerância, enfim democracia, Heiss integrou o projeto Volt. Como a dar-lhe razão, esta quinta-feira, 21, o novel FvD — partido eurófobo, nacionalista contra os políticos da elite que favorecem a imigação por uma agenda liberal’ — ultrapassa no Senado o partido do primeiro-ministro, Mark Rutte, e sobe nas eleições provinciais.

As eleições da quarta-feira mostram que o novel partido fundado pelo jurista e historiador Thierry Baudet, de 36 anos, beneficia largamente do clima de insegurança após o tiroteio por um homem num elétrico de Utrecht, a quarta cidade holandesa, que matou três pessoas. O homicida teria como alvo uma ex-namorada de 19 anos e acabou por a matar e a mais dois e ferir outras cinco pessoas, todos quantos procuraram protegê-la. Embora pareça de descartar a motivação terrorista, foi essa linha de interpretação que perdurou nos dois dias antes da eleição.
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Fontes: AFP/Sites institucionais/DW.de/Le Monde. Fotos: 1. Paineis outdoor de ’hate-speech’ a visar Juncker, 2. Paineis outdoor sem cartazes. Arquivo: UE-Hungria: Fogo e fúria de Orban sobre Juncker, PPE pede exclusão do Fidesz, 6mar2019

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