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Hungria: Judeus de esquerda aliam-se a neonazis – Vale tudo para enfraquecer Órban 14 Agosto 2019

O antissemitismo do governo de Viktor Órban está a crescer enquanto que o antissemitismo do Jobbik se atenuou até desaparecer: assim se pode resumir a posição da Mazsihisz-Federação das Comunidades Judaicas da Hungria para justificar a aliança com o partido Jobbik associado ao neonazismo.

Hungria: Judeus de esquerda aliam-se a neonazis – Vale tudo para enfraquecer Órban

A Mazsihisz (leia-se: ma-ji-iz), criada em 1991 e que congrega formações cívicas e partidárias judaico-húngaras tidas como de esquerda, fez uma “estranha aliança”, como referido em alguns media internacionais, designadamente do Estado de Israel.

A “estranha aliança” surge no momento em que a incerteza envolve a tradicional divisão entre esquerda e direita na Hungria, como sugerem analistas ante o fenómeno em curso da recentragem do Fidesz, do primeiro-ministro, Viktor Órban.

Partido conservador tido como de extrema-direita, o Fidesz tem mudado a sua estratégia de acordo com o panorama eleitoral, ora mais à direita ora mais ao centro.

A deriva para posições xenófobas tem-se intensificado sob o pano de fundo da crise migratória (ver link infra). A mais recente e a iniciada em 2014, o quarto ano da guerra civil da Síria que fez intensificar o êxodo da população rumo à Europa. O acolhimento alemão teve de diminuir e a União Europeia e a Hungria entraram num braço de ferro: o governo de Órban, em incumprimento das diretivas (do Tratado de Dublim III) para acolher refugiados, recusou deixar entrar um único refugiado.

O "acirramento da política xenófoba e antissemitismo" levou a Mazsihisz a cortar relações com o Fidesz por ocasião da inauguração dum controverso monumento na capital, Budapeste, que “branqueia a cumplicidade do governo húngaro no Holocausto”.

Neste momento, o Fidesz parece estar a disputar ao Jobbik o eleitorado anti-imigração, pelo que o seu discurso pré-eleitoral é mais de extrema-direita. Como denuncia a Mazsihisz, Orban tem vindo a “inflamar” os sentimentos antissemitas com a campanha contra o filantropo judeu liberal George Soros.

“Teoricamente, a situação é tal que na Hungria hoje o Fidesz é o partido de extrema-direita enquanto o Jobbik está no centro-direita, mas ainda na extrema-direita”, segundo Adam Schoenberger, diretor do Budapest’s Marom Jewish, uma “organização progressista”, citado pelo Times of Israel.

“Mortos devem repousar em paz”

A Mazsihisz, como maior organização judaica no país magiar, fez em janeiro um apelo aos governos de Israel e da Húngria para suspenderem a busca dos restos mortais de judeus mortos por “fascistas e nazis húngaros nos anos de 1944 e 1945 e atirados para o rio Danúbio”.

A operação, segundo a Mazsihisz era inútil, pois “os ossos em setenta e cinco anos já estão espalhados pelo rio até ao Mar Negro. Ir atrás deles é uma tarefa impossível, além de que perturba a paz e a dignidade dos mortos, sejam eles judeus ou não. Isso seria uma violação da Halacha (lei religiosa judaica)", segundo o Haaretz noticiou em janeiro.

A operação conduzida por uma equipa israelita tinha sido feita a pedido de judeus ortodoxos que apoiam o governo de Netanyahu.

Cabo Verde inaugurou consulado honorário em Budapeste

A primeira representação diplomática de Cabo Verde instalada na Hungria, inaugurada em fins de junho, é dirigida pelo cônsul honorário Péter Ántal Vándor. Este foi entre 1990 e 1996 representante da FAO na Praia.

Fontes:Citadas /Arquivo: Hungria: Safa da exclusão, fica suspensa do grupo PPE — Pan-Europa da livre-circulação ’ecce Volt’, 22.mar.2019; UE-Hungria: Fogo e fúria de Orban sobre Juncker, PPE pede exclusão do Fidesz, 6.mar.2019. Foto (TOI): Benjamin Netanyahu e Viktor Orban (à esquerda), com o famoso Cubo de Rubik, durante o Fórum Empresarial Hungria-Israel, em Budapeste, Hungria, 19.jul.2017. O primeiro-ministro do Estado de Israel tem sido acusado de ajudar os ex-países de Leste, como a Hungria, que tentam "branquear a sua cumplicidade com Hitler no extermínio dos judeus".

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