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Guiné-Bissau vendia passaporte diplomático em Paris por até 200 mil euros, diz jornal 11 Junho 2021

O jornal francês Libération divulgou documentos atribuídos a várias pessoas que alegam ter comprado passaportes diplomáticos guineenses em Paris. A Embaixada da Guiné-Bissau na capital francesa negou os factos.

Guiné-Bissau vendia passaporte diplomático em Paris por até 200 mil euros, diz jornal

Vários cidadãos franceses e de outras nacionalidades conseguiram em Paris um "passaporte diplomático" que os identificava como conselheiros da Guiné-Bissau na UNESCO e pelos quais pagaram entre 50 mil e 200 mil euros, noticia esta quarta-feira (09.06) o jornal Libération.

Segundo a Lusa, o jornal francês divulgou fotografias dos documentos atribuídos a várias pessoas que pagaram entre 50 mil e 200 mil euros para obterem a falsa declaração, sendo que o pagamento era feito como "um donativo" ao país e passaria através de uma organização não-governamental.

Estes passaportes permitem circular sem controlo nos aeroportos, assim como movimentar grandes somas de dinheiro sem justificação dentro da União Europeia. No entanto, sem estarem declarados às autoridades francesas, estes documentos não permitiam imunidade diplomática.

Processo de compra

O processo era facilitado por um empresário instalado perto dos Campos Elíseos, através de "um próximo de um filho de um antigo Presidente" guineense, que não foi identificado, que abriria as portas do Ministério dos Negócios Estrangeiros em Bissau.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) confirmou ao jornal que nenhum dos nomes da investigação estava acreditado junto desta instituição como fazendo parte da delegação da Guiné-Bissau.

A Embaixada da Guiné-Bissau em Paris desmentiu os factos e disse que "um passaporte não se compra".

MNE desmente

Em comunicado enviado à imprensa, o Ministério guineense dos Negócios Estrangeiros esclarece que "o caso citado na notícia remonta ao ano 2017, por conseguinte, não sucedeu durante o exercício deste Governo" e que "o mesmo artigo refere atos ocorridos em fevereiro e março de 2018".

Na mesma nota citada pela Lusa, as autoridades da Guiné-Bissau reconhecem que "o fenómeno da contrafação e falsificação de documentos de identidade e de viagem constitui um dos maiores desafios dos Estados" e sublinham que "a referida notícia apenas vem confirmar a pertinência das medidas tomadas pelo atual Governo", referindo-se às recentes alterações nos passaportes guineenses, substituídos "pela nova gama lançada no dia 4 de junho(...) mais credível e com mais rigor na sua atribuição".

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