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Guiné-Bissau: Comunidade internacional "falhou desde o começo" 05 Julho 2020

Para o analista Diamantino Lopes, a comunidade internacional, em "função dos seus múltiplos interesses", não está isenta de ter contribuído para a instabilidade política na Guiné-Bissau.

Guiné-Bissau: Comunidade internacional

O analista político guineense Diamantino Domingos Lopes disse à Lusa que a comunidade internacional "falhou desde o começo" na Guiné-Bissau ao reconhecer Umaro Sissoco Embacó como Presidente do país, comprometendo a idoneidade do Supremo Tribunal de Justiça.

"Já tratavam Umaro Sissoco Embaló como Presidente eleito, mesmo perante um contencioso no Supremo Tribunal de Justiça e de repente decidiram recuar porque estavam a comprometer a idoneidade da maior instituição judiciária da Guiné-Bissau", disse à Lusa.

Só que, salientou Diamantino Domingos Lopes, já "não conseguiram porque já tinham manifestado o seu posicionamento numa direção, isto levou Umaro Sissoco Embaló a tomar posse simbólica e consequentemente demitir a e nomear um novo Governo".

Para o analista, a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que tem mediado a crise no país a pedido do Conselho de Segurança da ONU, também não cumpriu a sua missão, nomeadamente quando as forças armadas invadiram as instituições de Estado para permitir que o Governo de Nuno Nabiam assumisse o poder.

"Não se sabe o que é exatamente, mas há uma teoria de jogos muito mais complexa do que podemos imaginar, que acabam por influenciar negativamente o processo político da Guiné-Bissau", afirmou Diamantino Domingos Lopes.

"Dividir para reinar"

Para o analista, a comunidade internacional, em "função dos seus múltiplos interesses", não está isenta de ter contribuído para a instabilidade política na Guiné-Bissau.

O sociólogo alerta também que nos próximos tempos se vai assistir a uma estratégia política de "dividir para reinar" para os partidos políticos salvaguardarem os seus interesses.

"A homogeneização da sociedade guineense complica as contas, mas, mesmo assim, há sempre o crescimento de tendências radicais alinhadas a estes princípios, o que é muito perigoso para a reconciliação nacional e um diálogo inclusivo em busca da construção de uma Guiné-Bissau próspera", disse.

Apoio de deputados do PAIGC a Governo demostra fragilidade da democracia

Diamantino Lopes considerou em entrevista à Lusa que o apoio de cinco deputados do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde ao programa do Governo de Nuno Nabian demonstra a "fragilidade da democracia" na Guiné-Bissau.

"Parece um ato democrático normal, mas na verdade está muito longe disso, considerando todo o aparato que antecedeu a convocação da sessão parlamentar", afirmou o sociólogo Diamantino Domingos Lopes, em declarações à Lusa.

O analista deu como exemplo o sequestro, em maio, do deputado Marciano Indi, líder de bancada parlamentar de Assembleia do Povo Unido -Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB).C/ DWÁfrica

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