MUNDO INSÓLITO

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Guerra vs. Aventura — Divórcio Gbagbo 02 Agosto 2021

O primeiro chefe de Estado preso do TPI-Haia, Laurent Gbagbo, de 76 anos, está a divorciar-se de Simone Gbagbo, de 72 anos, a carismática ex-primeira-dama e co-fundadora do partido FPI-Frente Popular da Costa do Marfim’. A notícia recém-divulgada (após o regresso o mês passado do ex-chefe de Estado ao seu país) "causou espanto, mesmo choque, entre um grande número de cidadãos": todos sabem que a guerreira Simone foi, desde os anos de 1970, a mulher por trás da ascensão ao poder de Laurent e o seu apoio em todas as horas más na oposição e no pós-presidência que inclui desde 2011 a prisão em Yamassoukro e na Haia.

Guerra  vs. Aventura — Divórcio Gbagbo

O ex-presidente Gbagbo — que deu entrada da ação no tribunal de primeira instância de Abidjan, a maior cidade e capital económica — falou publicamente sobre o caso pela primeira vez durante uma visita à sua aldeia natal, longe da Abidjan da lagoa de Ébrié.

Na sua aldeia de Mama (foto) na semana passada, Laurent "o Woody de Mama" explicou aos conterrâneos o motivo para ’trocar Simone por Nady Bamba’ (foto). Nas suas palavras, destaca-se a gratidão pelo apoio de Nady, "jovem" na casa dos trinta, ao prisioneiro de Scheveningen.

Laurent relata que enquanto esteve preso, na capital político-legislativa neerlandesa, recebeu todo o apoio da (mais) jovem Nady Bamba, residente em Bruxelas, a mais de 200 quilómetros da prisão na Haia/Den Haag.

Visitas dia sim dia não, mais de 1.200 km semanais entre a capital belga e Scheveningen-Haia. Refeições decentes em substituição da comida intragável da cadeia. "Ela alimentava-me porque eu não tinha dinheiro. Todos os meses dava-me o dinheiro que eu precisava".

Prossegue: "Tenho de agradecer tudo à minha querida Nady. Tenho de dizer todo o bem que ela me fez, tudo o que ela fez por mim. Deixou Acra onde estava exilada e foi pedir asilo aos Países-Baixos, para poder ficar perto de mim".

Mas foi na Bélgica que, ante a rejeição neerlandesa, ela obteve o direito de asilo. "Três dias por semana, terça, quinta e sábado, ela punha-se ao volante e fazia os 400 km Bruxelas-Haia", disse o ex-chefe de Estado.

Anos de tormenta, mulher atípica

A adolescente Simone Ehivet milita na JEC-Juventude Estudante Católica e aos dezassete já é a chefe da fileira feminina, cargo que mantém entre 1966 e 1970.

Em 1972, ela integra a Célula Lumumba, que é um grupo revolucionário clandestino. Aí conhece Laurent Gbagbo. A sua ligação começou no ano seguinte, mas só se casaram em 1989.

Em 1982, ambos são co-fundadores do partido FPI-Frente Popular Ivoirense. Uma longa travessia na oposição, até que Gbagbo é eleito presidente em 2000; derrotado em 2010, foi levado em 2012 ao TPI.

Simone, a leoa Abourey (a sua etnia), foi capturada em 2011 e condenada a 20 anos de prisão; saiu ao fim de sete anos, por amnistia do presidente Ouattara.

Fontes: AFP/ BBC/Ivorian.net/Presse.ci/ci.Opera.news. Relacionado: Costa do Marfim: Gbagbo ilibado no TPI regressa 10 anos depois — "O meu povo apoia-me, a África apoia-me", 18.jun.021; Holanda: TPI inocenta o ex-Presidente Laurent Gbagbo de crimes contra Humanidade, 16.jan.019; Holanda: Gbagbo continua preso enquanto recurso está sob exame no TPI até 1 de fevereiro, 20.jan.019. Fotos (AFP): Simone na Guerra vs. Nady na (A)Ventura.

Correção: Gbagbo não foi candidato em 2020. A referência à candidatura presidencial — contida no artigo Costa do Marfim: Gbagbo ilibado no TPI regressa 10 anos depois — "O meu povo apoia-me, a África apoia-me", 18.jun.021 — foi induzida por uma série de notícias da Presse.ci.

Relatam diversas intervenções desde 2019 de Simone Ehivet Gbagbo: organização de manifestações pelo marido detido; apelos às forças da ordem e segurança para acompanhar os manifestantes com vista a garantir a sua segurança.

Em 2020, Simone está na frente da oposição ao terceiro mandato "anti-constitucional" de Alassane Ouattara, com novo apelo em conferência de imprensa "às forças da ordem e segurança" para "proteger os manifestantes".

O ’’Gbagbo Ou Nada’’ (Gors), slogan que ela repete em ano presidencial, foi recebido como um lançamento de candidatura do ex-presidente que está fora da prisão mas impedido pelo TPI de voltar ao seus país. Simone não desiste de Laurent, nem na vida privada (o que Laurent, obrigado a pedir o divórcio sem acordo, lamenta) nem na vida política.

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade


  • Mediateca
    Cap-vert

    Uhau

    Uhau

    blogs

    publicidade

    Newsletter

    Abonnement

    Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project