Editorial

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Governo defende aumento de salários de políticos: Pode configurar um descaramento político implementar tal medida no actual contexto 23 Janeiro 2019

O Governo, através do Vice-Primeiro Ministro, Olavo Correia, reabre o debate sobre aquilo que considera ser a possibilidade de se fazer um aumento dos salários dos políticos, com o fundamento de que estes ganham mal. Com isso, o governante traz à ribalta o contestado Estatuto de Titulares de Cargos Políticos (ETCP), que foi aprovado na Assembleia, mas que foi vetado pelo Presidente da República na sequência dos protestos de rua que foram organizados pelo MAC 114. Com Cabo Verde a viver dois anos consecutivos de seca, provocando sobretudo no meio rural fome a pessoas e mortes de animais por falta de água para agricultura e pastos, pode, segundo vozes críticas, «configurar um autêntico descaramento político estar no actual contexto a sugerir o aumento dos rendimentos para os políticos».

Governo defende aumento de salários de políticos: Pode configurar um descaramento político implementar tal medida no actual contexto

Em declarações à RCV, Olavo Correia fundamentou a sua tese com o argumento de que os políticos ganham mal – incluindo magistrados cujo ordenado está indexado ao da classe política-, realçando que há directores gerais e de serviços que ganham muito mais do que o Primeiro-ministro e os ministros. Pede, de entre outros aspectos, que se discute esta matéria com «sentido do Estado e sem populismo».

Mas a fazer fé nas reações de cidadãos de vários quadros políticos, a ideia é fortemente contestada. Acham que a classe política tem um bom rendimento – incluindo regalias podem aproximar-se ou rondar dos 300 contos por mês.

Com Cabo Verde a viver dois anos consecutivos de seca, provocando sobretudo no meio rural fome a pessoas e mortes de animais por falta de água para agricultura e pastos, pode, segundo vozes mais radicais, «configurar um autêntico descaramento político estar no actual contexto a sugerir o aumento dos rendimentos para os políticos». Isto quando temos vários desempregados, muitos dos quais jovens licenciados», um baixo salário mínimo de 15 contos -20 vezes menos dos rendimentos dos políticos -, e funcionários a beneficiarem de 2,2% de aumento porque o Estado não pode dar mais, segundo o próprio Olavo Correia disse aos sindicatos.

Ou seja, esta oposição ao aumento salarial dos políticos referida coincide com a que a líder do PAICV defendeu – foi a única política que assumiu publicamente esta oposição por ocasião dos protestos da MAC 114 com a aprovação do contestado Estatuto dos Titulares de Cargos Políticos, que foi vetado pelo Presidente da República.

Enfim, diante dos aspectos referidos, tudo indica que a maioria dos cabo-verdianos rejeita esta proposta do Governo de Ulisses Correia e Silva suportado pelo MpD. É que, segundo alguns analistas, se o poder persistir, no actual contexto de muito descontentamento social, implementar tal medida poder vir a surgir manifestações de protestos maiores daquelas que o MAC 114 realizou aquando da aprovação do referido Estatuto dos Titulares de Cargos Políticos. Fica este alerta!

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