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França rejeita «uso violento e excessivo de força» contra ’coletes amarelos’ em resposta à ONU 25 Abril 2019

A carta à ONU datada do dia 11, e hoje (23) divulgada, usa um tom diplomático mas o seu teor é mais tipo "Cuidado com a ingerência nos assuntos da França", segundo se depreende dos extratos publicados pela imprensa de referência esta terça-feira.

França rejeita «uso violento e excessivo de força» contra ’coletes amarelos’ em resposta à ONU

Vinte e uma páginas repletas de argumentos, escreve o Le Monde, sustentados por informações dos ministérios da Justiça e da Administração Interna sobre o uso de ’armas de força intermédia’ e bombas de gás lacrimogéneo (foto 1 revela o seu uso até numa cidadezinha de província).

"As manifestações acompanharam-se de violências graves que certos manifestantes cometeram contra as forças da ordem, jornalistas e outras pessoas. Constataram-se ainda, convém sublinhar, afirmações, inscrições e agressões de caráter racista, antissemita ou homófobo no decorrer ou à margem das mobilizações", lê-se na missiva de vinte e uma páginas entregue no escritório onusiano de Genebra.

É a resposta da presidência francesa às críticas das Nações Unidas que em 6 de março pediam um inquérito independente à atuação das forças da ordem francesas perante as manifestações dos ’coletes amarelos’.

Esses franceses que, ’indignados’ pelo esquecimento a que os votou o executivo, têm desde há cinco meses ocupado os centros urbanos todos os sábados contra a presidência de Macron.

Ao primeiro sábado, em novembro, marcado pela ocupação das rotundas, em protesto contra os impostos que elevaram os preços dos combustíveis, seguiu-se a explicitação dos pontos do caderno reivindicativo por porta-vozes sucessivos.

Um deles pedia: "É preciso convocar os estados gerais da fiscalidade para repor a justiça fiscal". Outro detalhava: "É preciso indexar salários e pensões à taxa da inflação".

Justiça social e fiscal, que foi sendo sucessivamente apurada no discurso: "Proteger a industria francesa", "Limitar os contratos de curta duração nas grandes empresas", "Evitar as deslocalizações", entre outros pontos de ordem nos sucessivos sábados, que se prevê possam durar até depois de 2022, ano em que Macron irá concorrer à sua reeleição.

Em vez de "manifestantes", "amotinados"

A tese do governo francês para contrapor as críticas onusianas é que o quadro legal aplicável deixou de ser o das "manifestações" mas sim o das "manifestações que degeneraram em violência".

O recurso maciço às armas de força intermédia contra os ’coletes amarelos’, defende-se o governo, foi assim uma necessidade imposta pela violência, que tem marcado muitos dos sucessivos sábados de protesto desde novembro.

A reação do executivo sob Macron está, aliás, em linha com a tese de que "violências da polícia, isso não existe num estado de direito". Palavras de Macron, dois dias depois da invectiva onusiana.

Macron respondeu assim, acerbamente, a um jovem que o interpelou sobre o tema ’tabu’ durante a sessão, de 8 de março, do "Grande debate" — reuniões com participação cidadã que se contrapõe às manifestações dos ’coletes amarelos’ sem ideias nem liderança".

Fontes: AFP/BFM TV/Le Monde/Le Figaro…Fotos:1. Legenda da AFP: "Um «colete amarelo» empurrado pelas forças da ordem durante uma manifestação em Saint-Herblain, Loire-Atlantique ( c.400 km de Paris), em 23 de março". 2. Uma mensagem de pêsames ao presidente francês em mais um dos 23 sábados de ’manif’ dos ’coletes amarelos’: «Condolências Sr. Macron, já não é presidente»

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